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Pelo mundo

domingo, 8 de junho de 2008

Capítulo 8: A Conspiração de Audret - 2ªparte

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Lucan o conduz aos aposentos do pai. Marcos estava sentado à cabeceira da cama e segurava firme a mão de seu cunhado. Este, recomendava-lhe o seu primeiro varão, com tal carinho paternal, que Marcos sentia-se emocionado pela consideração e confiança de Rivalino.

— Obrigado por vir aqui e confortar-me na morte, meu caríssimo amigo... e por favor, seja um pai para Tristão depois que eu me for. Não lhe deixe faltar nada.

Marcos derramava lágrimas tranqüilas e jurava cuidar e zelar por Tristão.

— Tristão é o meu melhor cavaleiro e o parente mais querido depois de ti, caro Rivalino. Assim o farei. Juro-te.

Tristão ouvira tudo e comovido, aproxima-se do leito, para que seu pai pudesse vê-lo melhor.

— Meu filho... — murmura o rei moribundo.

— Meu pai... — lamenta-se Tristão.

— Dá-me tua mão, filho meu — ordena o rei estendendo o braço com certa dificuldade.

Lucan também chorava e Gorvenal, pousou a mão sobre o ombro do caçula, a fim de confortá-lo. O rei também chama-o para junto de si; queria despedir-se dos dois únicos filhos que lhe restaram na vida. Depois, num gesto único, Rivalino toma a mão de Tristão e a de Marcos, juntando-as sobre o seu peito arfante.

— Sejam como pai e filho... Este é o meu último desejo.

Os dois se olharam mutuamente e arriscaram um sorriso tímido.

Rivalino nem terminou de falar; começava a mostrar os primeiros sinais da agonia da morte e Lucan, desesperado, adiantou-se e pediu que todos saíssem por um momento. Ele queria administrar-lhe a última confissão e o último sacramento. Tementes a Deus, todos obedeceram ao padre e saíram. Enfim, confesso, perdoado e ungido, o rei de Lionês cerrara os olhos para sempre.

Lucan chama-os para dar-lhes a triste notícia. Tristão entra correndo, assim que toma conhecimento do fato e Marcos, veio a seguir. Rivalino expirara serenamente, na certeza de que havia cumprido com louvor a sua missão na terra, mas deixando um rastro de lágrimas daqueles que muito o estimaram em vida: seus filhos, Sir Gorvenal, Dom Marcos e seus súditos.

— Eis que parte um grande rei e um grande homem — desabafa Marcos fechando-lhe os olhos.

Tristão reclina-se sobre o corpo inerte do pai e chora. Lembrava-se dos poucos momentos marcantes que vivera ao lado dele e lamentava-se por não ter ficado mais do seu lado, como gostaria, por causa das adversidades que acabaram por afastá-los um do outro.

— Descanse em paz, meu pai — diz Tristão por fim.

Os sinos soaram pelo vale de Lionês, anunciando a triste notícia e os súditos lamentaram a esperada morte do rei. Muitos acorreram às portas do castelo para despedirem-se do soberano; no mais, fora um enterro simples, tal como Rivalino sempre desejou, com apenas alguns amigos e parentes.

— E agora? O príncipe Tristão assumirá o trono? — comentavam uns.

— Receio que não, por enquanto... — diziam outros — Ele foi convocado, por Arthur, para lutar em Monte Badon.

— Então, deixará alguém em seu lugar por certo. Quem será?

— Seu outro irmão é impossível, pois é religioso e o mais velho, depois dele, está morto.

— Terá que escolher um regente. Aposto que será Sir Gorvenal! — deduz uns dos que comentavam o assunto.

Sir Gorvenal seria o mais indicado, devido a sua amizade antiga com o rei e sua família, e muitos súditos o estimavam.

Naquela noite, jantaram em poucas palavras, pois os que assistiram o rei em seus últimos momentos estavam tristes, embora mais conformados.

Tristão estava sentado ao lado do tio e mal tocara na comida, Marcos estava preocupado e Sir Gorvenal, em frente a Tristão, imaginava muito bem o que ele sentia naquele momento, ao olhar agora para a cadeira vazia do seu pai à cabeceira da mesa.

“Pobre garoto! — pensava o bom Gorvenal. — Levara duas apunhaladas da vida, seguidas uma da outra...”

Dom Marcos resolve quebrar o silêncio.

— Filho... — diz-lhe o tio tocando em sua mão — o que pretendes fazer agora?

— Penso em pedir vossa permissão, meu tio e senhor, para seguir até Camelot e tomar parte no conselho de guerra do Grande Rei.

— Eu sinto muito por isso, porém, sois um guerreiro, meu caro sobrinho, e não posso opor-me quanto a isto. O Grande Rei está reunindo em torno de si, os cavaleiros mais jovens e valentes, dispostos a lutar frente à ameaça saxônica e tu, pelos teus merecimentos e tua bravura, foste um dos eleitos do Rei. Tens minha permissão para partir quando desejares, Tristão.

— Obrigado, meu tio.

— Que o Senhor te abençoe e te guarde nesta decisão, meu irmão — fala Lucan.

Tristão sorri um pouco, mas depois, seu semblante tomara ares sérios outra vez.

— Sir Gorvenal...— pede-lhe o príncipe. —... Não posso assumir o trono agora, pois tenho assuntos urgentes a tratar, sendo assim, peço-te em nome da amizade que sempre dispensaste ao meu finado pai: cuide do nosso reino, durante a minha ausência.

— Assim o farei, alteza.

— Quando pretendes partir? — pergunta-lhe seu tio.

— O mais breve possível, meu tio.

E Tristão segue para Camelot, Lucan volta ao monastério onde vivia, Marcos ainda ficou um pouco em Lionês, auxiliando Sir Gorvenal e depois, regressou à Cornualha.

Na Irlanda, com a falta de notícias de Tristão, Isolda mergulhara numa terrível depressão. Não queria mais comer, nem participar das festas e não mais brincava com o pequeno Huddent. Os reis, achando que fosse falta de um bom casamento, tentaram arranjar-lhe um pretendente, contudo, Isolda não aceitou nenhum deles.

“Pelo jeito, a situação é mais grave do que pensamos...” — imaginaram os reis.

Uma noite, o rei Anguish e sua esposa conversaram sobre o fato.

— Não há como negar. Isolda sente a falta dele — fala o rei à esposa.

— Como pode amá-lo, depois que soube que Tristão assassinou o tio dela?

— Isolda querida. Ela o ama e pronto. Acho que deveríamos esquecer o que houve e, por nossa filha, permitir que Tristão venha vê-la antes que seja tarde.

Isolda “a velha” ainda relutara um pouco, por causa do seu régio orgulho, mas vendo a piora da filha a cada dia, percebe que realmente seria o mais sensato a ser feito.

— E será que ele viria, depois de o expulsarmos daqui? — pergunta a rainha.

— Eu creio que sim, minha senhora. Tristão também a ama.

Assim, sem demora, o rei da Irlanda remete uma carta a Tristão, enviando-a por intermédio de um mensageiro, porém, foi o duque Audret que recebeu a carta, uma vez que estava à frente do reino da Cornualha.

— Tristão é meu primo e eu cuidarei para que a carta seja-lhe entregue, quando ele regressar à Cornualha. Não vos preocupeis, senhor.

O mensageiro despede-se e confiando na missão bem cumprida, regressa ao seu país.

Audret entra em seus aposentos e fecha-se.

— Ora! Ora! Uma carta do rei da Irlanda?! Deve ser bem interessante...

Audret abre a carta e lê; a cada linha, começa e ter ímpetos de risadas parecendo um alucinado.

— Eu não acredito! “Caríssimo Tristão... Venho informar por meio destas linhas que tanto eu, quanto minha esposa a rainha Isolda, entendemos tuas razões e o perdoamos pela morte de nosso parente. Compreendemos que tudo fizeste, em prol do bem de um povo.

Isolda, nossa filha, confessou-nos tudo. Sabemos que tanto tu quanto ela se amam profundamente e senti-mo-nos honrados com a notícia e nos arrependemos amargamente, por ter-vos separado por causa de uma mágoa que poderia ser quebrada, dada às condições do justo combate que travaste com Sir Morholt.

Sendo assim, pedimos também perdão e que, por favor, venha ver Isolda. Ela está mergulhada em profunda tristeza e tememos por sua vida e sua saúde. Se for do teu agrado, e creio que seja, estamos dispostos a ceder-te a mão de nossa filha.

Seu amigo para sempre...

Anguish Gormond, rei da Irlanda.” — termina Audret em tom sarcástico. — Ah! Que bela história de amor! É comovente! — comenta de forma debochada.— Tristão e Isolda! Isto é ótimo e perfeito para os meus planos! Oh, pobre mensageiro... confiaste em mim cegamente...

O primo de Tristão esconde a carta em seu quarto e pega uma taça de vinho, brindando a tão bela história.

— Um brinde a este amor, que jamais será concluído... — ele sorri de modo satânico e, sorvendo um último gole, joga a taça no fogo crepitante da lareira. — O trono da Cornualha será meu, caro primo e amaldiçoarás até a morte o dia do teu nascimento. A princesinha quer casar, não é? Podemos providenciar isto...

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