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terça-feira, 22 de julho de 2008

Capítulo 9: Missão Inesperada (3ª Parte)


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— Quero que partas sem tardar e traga-me Isolda. Convocarei alguns homens de minha total confiança para acompanhar-te. Bem... já se faz tarde e hei de recolher-me aos aposentos. Boa noite meu sobrinho...

O rei despede-se e sai. Tristão ainda demorou-se um pouco à mesa solitária. Seu coração não queria acreditar; foi a maior apunhalada que sofrera do destino.

“Não pode ser... isto não está acontecendo...” — indagava-se de forma teimosa e insistente.— “Enquanto estiveres na Cornualha, lembre-te sempre de tua Isolda e voltes para mim... Tua Isolda ficará aqui e esperará por ti...— Sim... eu voltarei e te farei minha esposa. Espere por teu Tristão... adeus...” — recordara-se ele.

Inconformado, ele não sabia o que fazer diante daquelas circunstâncias porque, antes de conquistar a fama como cavaleiro de Arthur, devia honra e obediência ao tio, por este tê-lo feito seu cavaleiro primeiro e, quando não estava sob as ordens do Grande Rei, era a Marcos que devia obediência e serviço.

Há princípio, ele pensara em contar ao tio o que sentia por Isolda, quando o mesmo lhe perguntou o que havia de errado, entretanto, falar sobre amor à outra pessoa, era um tabu na época, já que o cristianismo pregava que, amar, apenas a Nosso senhor Jesus Cristo porque o amor carnal era considerado um grande pecado. Os homens e mulheres casavam-se, somente para cumprir um desígnio de Deus, quando Este ordenou que se multiplicassem e povoassem a terra, não sendo necessário sentirem amor um pelo outro.

— Eu prometi a Isolda que voltaria para buscá-la, mas não nestas condições — murmura ele, rosto entre as mãos, deixando cair algumas lágrimas sobre a mesa. — Deus meu... O que farei?

Audret escondera-se para que Marcos não o visse ouvindo a conversa quando saiu, mas agora, sorria de satisfação por ver o primo sofrendo e só afastou-se, quando ouviu passos vindo pelo corredor. Eram os criados que vinham para tirar a mesa.

Tristão continuava parado, semimorto, e só acorda dos pensamentos desesperados ao ouvir a criada perguntando se podia recolher as travessas e arrumar a mesa.

— Posso, meu senhor?

— Sim. Também irei me recolher — Tristão pede licença e sai.

Tristão foi deitar-se tarde naquela noite, mas não conseguira pregar o olho. Vários pensamentos brotavam em sua mente, como aves de rapina ameaçadoras, prestes a devorar-lhe o coração. Por alguns instantes desejou não ser um cavaleiro, açoitado pela honra.

Tristão amava Isolda e também amava a Marcos, como a um pai; ainda mais após a passagem de Rivalino, que em seu leito de morte, pedira para que ambos fossem como pai e filho. A lembrança daquelas palavras feriam-lhe fundo na alma.

— O que farei? Oh, mestre Gorvenal! Como gostaria que estivesses aqui para aconselhar-me...

Após uma noite insone, Tristão desce para o desjejum. À mesa já se encontravam seus dois primos, Audret e Basílica, e seu tio, que conversavam animados, naquela manhã, com a possível aliança entre a Irlanda e a Cornualha.

— Ora, quem vejo?! Tristão, caro sobrinho, assenta-te ao meu lado e venha comer conosco! — saúda-lhe Marcos.

Seu tio demonstrava tanta felicidade, que ele sentiu-se sem jeito de recusar a cumprir aquela missão. Não tinha escapatória... Era um beco sem saída, pois jamais desejaria dar, àquele que fora eleito por seu pai para substituí-lo, tamanho desgosto.

— Bom dia, primo? — cumprimenta-o Audret. — Nossa! Tua aparência está péssima! O que fizeste esta noite? Parece que não dormiste nada... — diz-lhe, fingindo-se preocupado.

Basílica sorria intrigada e satisfeita.

— De fato, eu não dormi.

— Ora, e por quê? — pergunta-lhe Marcos, também reparando no semblante cansado e abatido.

Tristão prefere não responder.

— Meu senhor, quero que me digas quando desejarás que eu parta à Irlanda — pergunta Tristão quase sem voz.

— Ora! Ora! Viste? Te preocupaste em vão, meu tio! Eu sabia que, da maneira que Tristão lhe é tão fiel, ele jamais iria recusar a prestar-lhe tamanho favor! —comenta Audret, jogando mais lenha à fogueira. —E creio que não te arrependerás! Dizem que a princesa Isolda é linda!

— Confesso que por um instante achei que não. Tu me parecias tão atordoado e preocupado ontem...— fala Marcos a Tristão.

— É natural, meu senhor — intromete-se Audret mais uma vez. — Tristão foi expulso da Irlanda sob pena de morte e até eu ficaria preocupado nestas condições. Mas não deveis temer, caro primo! — incentiva-o. — O rei da Irlanda não ousará encostar-lhe um dedo, agora que sois um dos cavaleiros do rei Arthur. Ele não irá, jamais, desejar ter um conflito direto com o Grande Rei da Bretanha, que exterminou os saxões.

— Que bom, Tristão! Mais uma vez provou-me tua lealdade! E quero que partas o mais rápido possível.

Sir Dinas de Lindan estava à parte, coordenando o movimento dos criados, e reparou que havia algo errado naquilo tudo. Sir Audret e a senhora Basílica sorriam maliciosos, entretanto, o rei, parecia ser o mais inocente naquela história.

— MiLorde. Permita-me... — disse o senescal aproximando-se.

— Sim Dinas.

— Se fores de teu agrado, posso acompanhar Sir Tristão à Irlanda, já que também conheço aquelas terras, pois, como bem sabes, escoltei o corpo de Sir Morholt Marhaus.

— De fato. Bom, não tenho nenhuma objeção, a não ser que meu sobrinho não queira.

— Por mim, tudo bem. Será bom ter a companhia de um amigo.

Tristão sentira um pouco de alívio. Sir Dinas demonstrara, nas situações mais adversas, que era o único amigo que ele tinha naquele castelo.

— Muito bem, está decidido. Sir Dinas irá contigo e escolham os melhores homens para acompanhá-los. E isso eu sei que Dinas o fará, pois conhece a cada um como a palma de sua mão.

E assim foi feito. Sem tardar, ambos partiram à Irlanda, a fim de cumprirem a missão. No caminho, Sir Dinas pressionou Tristão e ele acabou confessando os sentimentos que tinha por Isolda. Preocupado, aconselha o cavaleiro a fugir com ela, que do resto cuidaria ele; mas naquela época, os deveres impingidos à cavalaria, ainda estavam latentes no coração do jovem cavaleiro e ele preferiu desprezar o que sentia pela princesa.

— Veja lá o que vais fazer, Tristão! E se te arrependeres depois? — alertava-o o amigo.

— Não vou me arrepender, Sir Dinas. Eu não posso... — retrucava-lhe convicto. — Será melhor fazer de conta, que nada houve entre mim e Isolda. Talvez ela até já tenha me esquecido, depois de tanto tempo — imaginava conformado enganando a si mesmo. — De repente, o amor que demonstrara por mim, não passou de um mero arroubo de juventude.

Mas não fora isso que Sir Dinas percebera, quando esteve na Irlanda da última vez.

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segunda-feira, 14 de julho de 2008

Capítulo 9: Missão Inesperada (2ª parte)


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Depois de algumas semanas, as tempestades abrandaram e Tristão pôde seguir viagem para a Cornualha. Queria muito rever o tio para que este comprovasse que estava bem após a batalha. Chegara de surpresa e o rei Marcos nem pôde preparar-lhe as boas-vindas, mas não deixou de explodir de alegria quando o viu.
Sir Dinas também aproveita para entregar-lhe a carta que Isolda escrevera a ele.
Tristão sentiu-se realmente feliz quando soube que Isolda ainda não se casara, pelo contrário, esperava ansiosamente pelo regresso dele.
Audret, então, aproveita-se do regresso do primo para dar início a sua vingança. Volta a lembrar o rei sobre sua promessa de falar com Tristão, para que o mesmo fosse à Irlanda e negociasse a mão de Isolda.
— Mas Tristão acabou de chegar e os meus vassalos já estão cobrando isto?
— Os vossos vassalos e barões estão muito ansiosos e exigem que o assunto seja resolvido com urgência — diz-lhe Audret, insistentemente.
Marcos sente certa revolta por estar sendo tão pressionado, porém, era algo que ele realmente prometera e que precisava ser feito.
Naquela noite, após o jantar, Marcos pede que todos se retirem porque queria conversar com Tristão a sós. Basílica fez-se de surda.
— Saia também, Basílica. O assunto a tratar só interessa a mim e Tristão. — repreende-lhe o rei.
Basílica ficara indignada, mas obedece, um tanto contrariada.
Tristão fica curioso. O que seu tio queria tratar de tão secreto, que os outros não pudessem ouvir? E creio que foi o pior jantar da vida de Tristão; ele jamais esperaria por aquilo.
— O que foi, meu tio? Que preocupação é esta que vejo em teus olhos?
— Lembras-te filho, do banquete de boas vindas que ofereci à Corte, por ocasião de teu regresso da Irlanda? Aquele onde anunciei que tu serias meu sucessor ao trono?
— Como poderia esquecer! Foi um evento tão conturbado... — sorri o jovem ao lembrar-se.
— Pois é. Desde aquele dia, os meus conselheiros e barões, que me servem, exigem que eu me case, para dar à Cornualha um possível herdeiro.
— Acho, meu senhor, que seria o mais sensato a ser feito. Assim, evitaríamos certos conflitos internos na Corte.
— Por isso quero pedir-te um favor, considere como uma nova e especial missão.
— Pois quem vos responde agora é o cavaleiro. Diga, senhor, que tudo farei para cumpri-lo — fala Tristão de modo solene e serviçal.
— Na verdade é um favor bem simples. Queria que tu negociasses o casamento com os pais da donzela que pretendo desposar. Além de escoltá-la até a Cornualha, obviamente.
— O faço de bom grado, meu senhor — dispõe-se o sobrinho animado. — Quem é a venturosa noiva? — pergunta-lhe Tristão sorvendo um gole do vinho, servido durante o jantar.
— É a princesa Isolda da Irlanda.
Ao ouvir aquele nome, Tristão perde totalmente o tato e deixa cair, das mãos, a taça de vinho. Esta se espatifou sobre o chão frio do castelo.
— Tristão?! O que houve? — assusta-se o rei. — Ficaste pálido de repente!
— Eu ouvi direito? — duvida aflito.
Audret fingira sair da sala quando, na verdade, estava à espreita para ouvir-lhes toda a conversa.
“Finalmente, o rato cairá na armadilha...” — pensava triunfante, saboreando cada palavra ouvida naquele diálogo.
— Por que logo ela?
— Porque a Irlanda sempre teve interesses nestas terras e uma aliança, é melhor do que uma guerra. Assim, ambas as partes são beneficiadas. Principalmente, por ser a Irlanda um país muito rico, a Cornualha só teria a ganhar com isso. Não achas uma boa escolha? — pergunta o rei inocente.
— A questão não é esta, meu tio. O que me preocupa é o fato de tentares desposar a filha de vossos inimigos — disfarça Tristão e, ao mesmo tempo, tentando persuadi-lo a mudar de idéia.
— Ora! Passam a não ser mais! Tudo é uma questão de negociação e ninguém melhor do que vós, caro sobrinho, que vivestes por uns tempos na Irlanda e conhece-lhes o idioma e os costumes.
Tristão sente-se quase desfalecer e rei Marcos repara que havia algo estranho.
—Qual o problema, Tristão? Acaso Isolda já é casada?
— Não, senhor. Pelo menos, creio que não — disfarça o jovem.
— Só saberemos se fores à Irlanda. Por que te negas a negociar para mim as núpcias? Qual é o problema, Sir Tristão?
O semblante de Marcos demonstrava ares sérios e inquisidores.
— Receio que eu não possa voltar para lá, meu senhor, uma vez que fui expulso do país sob pena de morte — diz ele, tentando fugir àquela terrível obrigação.
— Tu não irás só. Cavaleiros de minha Corte irão contigo, por isso, não há o que temer.Tristão não tinha mais argumentos. Ou cumpria a ordem ou não. E nessa hora, a obediência pelo seu suserano, ecoava mais alto no coração de um cavaleiro.
Fim da 2ª parte

3ª parte :: Índice geral

domingo, 6 de julho de 2008

Bem-vindos de Coração!


Aproveitei este espaço, pra informar que os próximos capítulos mais longos, que eu postar de Tristão e Isolda, farei da seguinte forma, para facilitar a leitura (Afinal! Essas letrinhas de Blog são muito miúdas e reconheço que um texto muito longo, deve cansar por demais nossas vistas):

Vou dividi-los sempre em três ou quatro partes de forma "SEMANAL" no mês que eles serão postados.

Para mim, o mais importante é tornar a leitura mais agradável, visando o bem-estar dos leitores. Um beijo no coração de todos!

Capítulo 9: Missão Inesperada (1ª Parte)


Índice Geral :: Capítulo Anterior (3ª parte)

No campo de batalha Tristão lutou como um demônio enfurecido ao lado do rei Arthur e seus cavaleiros, fazendo tremer os saxões. Estes eram numerosos, porém não se comparavam em força e coragem àqueles cavaleiros bretões, dispostos a morrer por sua terra e, a cada dia, chegavam mais reforços de todas as partes da Bretanha: Gales do Norte, Cornualha, Leoness, Orkney, Lionês e outros mais. No fim, ficara realmente um reino unido em busca de um único objetivo, que era dizimar os saxões.

A cada dia que aumentava o contingente de Arthur, as forças saxônicas recuavam e com isso, sofreram muitas baixas.

Tristão torna-se o nome mais temido depois de Arthur e Lancelote. Os invasores fugiam só de ouvirem a simples menção de seu nome.

Por minha coroa! Este rapaz é promissor!!! — exclama o rei ao ver o modo como Tristão pulara sobre três saxões, que haviam encurralado Sir Gawain, para salvá-lo.

Com muita habilidade desarma um e fere mortalmente o outro, deixando o terceiro de consolo para Sir Gawain.

— Eu não precisava da tua ajuda, fedelho! Os saxões estavam sob controle!

— Oh, claro! Quase rasgaram o teu pescoço, senhor! — ironiza Tristão.

— Não espere gratidões! — diz-lhe Gawain entre os dentes.

— Como queira, senhor. Questão alguma faço — retruca-lhe o jovem, virando-se para esquivar-se do machado de um guerreiro saxão que avançava sobre ele para matá-lo.

Este era o filho que gostaria de ter! — grita o rei extasiado e sacando Excalibur. Vamos, Lance! Vamos ajudar aqueles dois!

— Perfeitamente, meu rei! — concorda Lancelote investindo contra os inimigos, com seu cavalo e brandindo sua espada, ceifando a vida dos saxões que tentavam matar a Sir Gawain e Sir Tristão.

Dias depois, surpreendidos por um rigoroso inverno, Arthur e seus homens conseguiram vencer os invasores e os expulsaram da Bretanha. Com isso, a fama de Tristão cruzou os mares e chegou ao conhecimento dos reis da Irlanda.

— Arthur da Bretanha venceu os saxões em Monte Badon? — pergunta o rei Anguish ao menestrel que cantava aquelas proezas na estrada por onde passavam.

Isolda estava com os pais na carruagem, com o pequeno Huddent em seu colo, e atenta a tudo que ele narrava, pois ela sabia que Tristão lutara nesta guerra e queria notícias dele. Não demorou muito para que o homem mencionasse o nome dele.

— O mais novo cavaleiro de Arthur superou a todos — dizia o homem. — Tornou-se um guerreiro temido pelos inimigos e coberto de honrarias pelos companheiros. Com suas façanhas heróicas ganhou o respeito de toda a Bretanha.

— Nossa! Qual o nome de tão audaz e valente cavaleiro? — quis saber a rainha curiosa.

— O nome não sei direito, senhora. Só o que sei é que o nome dele lembra “tristeza”.

Tristão?!! — fala Isolda largando o pequeno cão e chegando até a janela.

— Sim! Este é o nome dele! — confirma o menestrel.

— Mas diga-me, senhor menestrel. Ele está vivo? — pergunta Isolda ansiosa e temerosa.

— Sim está, alteza. Gozando de perfeita saúde e sem nenhuma seqüela da batalha — responde-lhe o artista.

Oh! Abençoado sejas, senhor, por trazer-me tão boas notícias! —exclama a princesa agradecida, sentindo o coração pulsar aliviado. Seu amado sobrevivera à guerra e estava bem.

O rei Anguish entrega uma moeda de ouro ao homem, em agradecimento pelas boas novas, e ordena que o cortejo seguisse em viagem.

— Isolda, minha filha? Tu sabias que Tristão estava lutando nesta guerra, por que não nos contou? —pergunta-lhe o pai surpreso.

— Eu tive medo de contar-vos. Tive medo porque estava muito recente do funeral de meu tio e na época, vós, pais meus, ainda não o haviam perdoado.

— Daí se explica o fato de Sir Tristão não responder à nossa carta, senhor meu esposo. Ele estava em guerra.

Com a vitória, Arthur e seus homens foram aclamados como heróis em Camelot. Os que eram casados foram recebidos por suas esposas.

A rainha Gwenevere, radiante de beleza, abraça Arthur. Tristão suspira e inevitavelmente pensa em Isolda e como seria bom voltar vitorioso e ser recebido por sua amada. Aflito, procurou desviar aqueles pensamentos, pois Isolda encontrava-se muito distante de seus braços; um grande mar os separava agora e talvez, por estar em idade de casar-se, ela já estivesse desposada por alguém escolhido pelos seus pais. Ledo engano. Isolda insistia em esperá-lo, provavelmente até o fim de seus dias se preciso fosse.

Arthur era um rei justo, bom e generoso, e como sabia que a ameaça saxônica estava liquidada, gozariam de um bom tempo de paz. Vendo isso, gratificou a todos com presentes e dispensou seus homens para que revessem suas terras, parentes e amigos, com a ordem de que ficariam sobre aviso caso algo ameaçasse a paz conquistada, no que eles regressariam imediatamente à Camelot se fosse preciso.

A Tristão, Arthur presenteia com uma bela harpa feita por Merlin, mago druida muito respeitado e conselheiro do Grande Rei.

Assim, cada um volta às suas terras. Tristão segue primeiro para Lionês e depois, volta à Cornualha.

Em Lionês, foi recebido como herói pelos seus. O inverno chegara com força, desde a batalha, e antes de empreender uma viagem de dias às terras de seu tio, demora-se um pouco em suas próprias terras até as tempestades de neve abrandarem.

Lareira acesa, pratos e bebidas quentes, aconchego; eis o melhor do inverno. À mesa, Tristão narrava animado as aventuras que vivera na guerra e como salvara Sir Gawain.

— E lá estava eu, espada em punho, aguardando... Sir Gawain prestes a ser morto por três saxões, quando pulei sobre eles do cavalo e desconcertei-os! Finquei minha espada em um e derrubei o outro, que fugiu assustado! Gawain matou o terceiro...

Nossa! Estou impressionado! — admirava-se seu mestre Gorvenal. — E Sir Gawain? De certo ficou mui’ grato.

— Que nada! Nenhum agradecimento! “Eles estavam sob controle, fedelho! Eu não precisava da tua ajuda!” falava Tristão imitando-o.

Todos riam ao ver Tristão remedando o experiente cavaleiro.

Gorvenal olhava para Tristão e sorria, pois era a primeira vez que o rapaz demonstrava tanta alegria, após voltar da Irlanda. Depois de contar-lhes suas proezas, ele sai um instante e volta a seguir com a harpa que ganhara de Arthur.

— Ah, vejam! O rei Arthur presenteou-me.

Era um instrumento feito de ouro puro e crivado de pequeninas esmeraldas.

— Nossa! É linda! E deve ter custado uma fortuna... — comenta Gorvenal admirando o belo instrumento.

— Esta harpa foi feita pelo mago Merlin da Bretanha! — fala ele, orgulhoso e feliz, pelo presente que recebera.

— Pelo grande Merlin?! Por Deus! Deve ser uma harpa mágica, cuidado para não enfeitiçar-nos! — brinca Sir Gorvenal. — Por que não tocas para nós, filho? Há muito que teus dedos não percorrem tais cordas.

Tristão toca para deleite dos presentes e mesmo apesar de não fazer tal coisa durante tanto tempo, não perdera sua habilidade musical. Seu ouvido continuava afinado, como sempre.

Fim 1ª parte

2ª parte :: Índice Geral