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Pelo mundo

domingo, 6 de julho de 2008

Capítulo 9: Missão Inesperada (1ª Parte)


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No campo de batalha Tristão lutou como um demônio enfurecido ao lado do rei Arthur e seus cavaleiros, fazendo tremer os saxões. Estes eram numerosos, porém não se comparavam em força e coragem àqueles cavaleiros bretões, dispostos a morrer por sua terra e, a cada dia, chegavam mais reforços de todas as partes da Bretanha: Gales do Norte, Cornualha, Leoness, Orkney, Lionês e outros mais. No fim, ficara realmente um reino unido em busca de um único objetivo, que era dizimar os saxões.

A cada dia que aumentava o contingente de Arthur, as forças saxônicas recuavam e com isso, sofreram muitas baixas.

Tristão torna-se o nome mais temido depois de Arthur e Lancelote. Os invasores fugiam só de ouvirem a simples menção de seu nome.

Por minha coroa! Este rapaz é promissor!!! — exclama o rei ao ver o modo como Tristão pulara sobre três saxões, que haviam encurralado Sir Gawain, para salvá-lo.

Com muita habilidade desarma um e fere mortalmente o outro, deixando o terceiro de consolo para Sir Gawain.

— Eu não precisava da tua ajuda, fedelho! Os saxões estavam sob controle!

— Oh, claro! Quase rasgaram o teu pescoço, senhor! — ironiza Tristão.

— Não espere gratidões! — diz-lhe Gawain entre os dentes.

— Como queira, senhor. Questão alguma faço — retruca-lhe o jovem, virando-se para esquivar-se do machado de um guerreiro saxão que avançava sobre ele para matá-lo.

Este era o filho que gostaria de ter! — grita o rei extasiado e sacando Excalibur. Vamos, Lance! Vamos ajudar aqueles dois!

— Perfeitamente, meu rei! — concorda Lancelote investindo contra os inimigos, com seu cavalo e brandindo sua espada, ceifando a vida dos saxões que tentavam matar a Sir Gawain e Sir Tristão.

Dias depois, surpreendidos por um rigoroso inverno, Arthur e seus homens conseguiram vencer os invasores e os expulsaram da Bretanha. Com isso, a fama de Tristão cruzou os mares e chegou ao conhecimento dos reis da Irlanda.

— Arthur da Bretanha venceu os saxões em Monte Badon? — pergunta o rei Anguish ao menestrel que cantava aquelas proezas na estrada por onde passavam.

Isolda estava com os pais na carruagem, com o pequeno Huddent em seu colo, e atenta a tudo que ele narrava, pois ela sabia que Tristão lutara nesta guerra e queria notícias dele. Não demorou muito para que o homem mencionasse o nome dele.

— O mais novo cavaleiro de Arthur superou a todos — dizia o homem. — Tornou-se um guerreiro temido pelos inimigos e coberto de honrarias pelos companheiros. Com suas façanhas heróicas ganhou o respeito de toda a Bretanha.

— Nossa! Qual o nome de tão audaz e valente cavaleiro? — quis saber a rainha curiosa.

— O nome não sei direito, senhora. Só o que sei é que o nome dele lembra “tristeza”.

Tristão?!! — fala Isolda largando o pequeno cão e chegando até a janela.

— Sim! Este é o nome dele! — confirma o menestrel.

— Mas diga-me, senhor menestrel. Ele está vivo? — pergunta Isolda ansiosa e temerosa.

— Sim está, alteza. Gozando de perfeita saúde e sem nenhuma seqüela da batalha — responde-lhe o artista.

Oh! Abençoado sejas, senhor, por trazer-me tão boas notícias! —exclama a princesa agradecida, sentindo o coração pulsar aliviado. Seu amado sobrevivera à guerra e estava bem.

O rei Anguish entrega uma moeda de ouro ao homem, em agradecimento pelas boas novas, e ordena que o cortejo seguisse em viagem.

— Isolda, minha filha? Tu sabias que Tristão estava lutando nesta guerra, por que não nos contou? —pergunta-lhe o pai surpreso.

— Eu tive medo de contar-vos. Tive medo porque estava muito recente do funeral de meu tio e na época, vós, pais meus, ainda não o haviam perdoado.

— Daí se explica o fato de Sir Tristão não responder à nossa carta, senhor meu esposo. Ele estava em guerra.

Com a vitória, Arthur e seus homens foram aclamados como heróis em Camelot. Os que eram casados foram recebidos por suas esposas.

A rainha Gwenevere, radiante de beleza, abraça Arthur. Tristão suspira e inevitavelmente pensa em Isolda e como seria bom voltar vitorioso e ser recebido por sua amada. Aflito, procurou desviar aqueles pensamentos, pois Isolda encontrava-se muito distante de seus braços; um grande mar os separava agora e talvez, por estar em idade de casar-se, ela já estivesse desposada por alguém escolhido pelos seus pais. Ledo engano. Isolda insistia em esperá-lo, provavelmente até o fim de seus dias se preciso fosse.

Arthur era um rei justo, bom e generoso, e como sabia que a ameaça saxônica estava liquidada, gozariam de um bom tempo de paz. Vendo isso, gratificou a todos com presentes e dispensou seus homens para que revessem suas terras, parentes e amigos, com a ordem de que ficariam sobre aviso caso algo ameaçasse a paz conquistada, no que eles regressariam imediatamente à Camelot se fosse preciso.

A Tristão, Arthur presenteia com uma bela harpa feita por Merlin, mago druida muito respeitado e conselheiro do Grande Rei.

Assim, cada um volta às suas terras. Tristão segue primeiro para Lionês e depois, volta à Cornualha.

Em Lionês, foi recebido como herói pelos seus. O inverno chegara com força, desde a batalha, e antes de empreender uma viagem de dias às terras de seu tio, demora-se um pouco em suas próprias terras até as tempestades de neve abrandarem.

Lareira acesa, pratos e bebidas quentes, aconchego; eis o melhor do inverno. À mesa, Tristão narrava animado as aventuras que vivera na guerra e como salvara Sir Gawain.

— E lá estava eu, espada em punho, aguardando... Sir Gawain prestes a ser morto por três saxões, quando pulei sobre eles do cavalo e desconcertei-os! Finquei minha espada em um e derrubei o outro, que fugiu assustado! Gawain matou o terceiro...

Nossa! Estou impressionado! — admirava-se seu mestre Gorvenal. — E Sir Gawain? De certo ficou mui’ grato.

— Que nada! Nenhum agradecimento! “Eles estavam sob controle, fedelho! Eu não precisava da tua ajuda!” falava Tristão imitando-o.

Todos riam ao ver Tristão remedando o experiente cavaleiro.

Gorvenal olhava para Tristão e sorria, pois era a primeira vez que o rapaz demonstrava tanta alegria, após voltar da Irlanda. Depois de contar-lhes suas proezas, ele sai um instante e volta a seguir com a harpa que ganhara de Arthur.

— Ah, vejam! O rei Arthur presenteou-me.

Era um instrumento feito de ouro puro e crivado de pequeninas esmeraldas.

— Nossa! É linda! E deve ter custado uma fortuna... — comenta Gorvenal admirando o belo instrumento.

— Esta harpa foi feita pelo mago Merlin da Bretanha! — fala ele, orgulhoso e feliz, pelo presente que recebera.

— Pelo grande Merlin?! Por Deus! Deve ser uma harpa mágica, cuidado para não enfeitiçar-nos! — brinca Sir Gorvenal. — Por que não tocas para nós, filho? Há muito que teus dedos não percorrem tais cordas.

Tristão toca para deleite dos presentes e mesmo apesar de não fazer tal coisa durante tanto tempo, não perdera sua habilidade musical. Seu ouvido continuava afinado, como sempre.

Fim 1ª parte

2ª parte :: Índice Geral

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