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segunda-feira, 14 de julho de 2008

Capítulo 9: Missão Inesperada (2ª parte)


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Depois de algumas semanas, as tempestades abrandaram e Tristão pôde seguir viagem para a Cornualha. Queria muito rever o tio para que este comprovasse que estava bem após a batalha. Chegara de surpresa e o rei Marcos nem pôde preparar-lhe as boas-vindas, mas não deixou de explodir de alegria quando o viu.
Sir Dinas também aproveita para entregar-lhe a carta que Isolda escrevera a ele.
Tristão sentiu-se realmente feliz quando soube que Isolda ainda não se casara, pelo contrário, esperava ansiosamente pelo regresso dele.
Audret, então, aproveita-se do regresso do primo para dar início a sua vingança. Volta a lembrar o rei sobre sua promessa de falar com Tristão, para que o mesmo fosse à Irlanda e negociasse a mão de Isolda.
— Mas Tristão acabou de chegar e os meus vassalos já estão cobrando isto?
— Os vossos vassalos e barões estão muito ansiosos e exigem que o assunto seja resolvido com urgência — diz-lhe Audret, insistentemente.
Marcos sente certa revolta por estar sendo tão pressionado, porém, era algo que ele realmente prometera e que precisava ser feito.
Naquela noite, após o jantar, Marcos pede que todos se retirem porque queria conversar com Tristão a sós. Basílica fez-se de surda.
— Saia também, Basílica. O assunto a tratar só interessa a mim e Tristão. — repreende-lhe o rei.
Basílica ficara indignada, mas obedece, um tanto contrariada.
Tristão fica curioso. O que seu tio queria tratar de tão secreto, que os outros não pudessem ouvir? E creio que foi o pior jantar da vida de Tristão; ele jamais esperaria por aquilo.
— O que foi, meu tio? Que preocupação é esta que vejo em teus olhos?
— Lembras-te filho, do banquete de boas vindas que ofereci à Corte, por ocasião de teu regresso da Irlanda? Aquele onde anunciei que tu serias meu sucessor ao trono?
— Como poderia esquecer! Foi um evento tão conturbado... — sorri o jovem ao lembrar-se.
— Pois é. Desde aquele dia, os meus conselheiros e barões, que me servem, exigem que eu me case, para dar à Cornualha um possível herdeiro.
— Acho, meu senhor, que seria o mais sensato a ser feito. Assim, evitaríamos certos conflitos internos na Corte.
— Por isso quero pedir-te um favor, considere como uma nova e especial missão.
— Pois quem vos responde agora é o cavaleiro. Diga, senhor, que tudo farei para cumpri-lo — fala Tristão de modo solene e serviçal.
— Na verdade é um favor bem simples. Queria que tu negociasses o casamento com os pais da donzela que pretendo desposar. Além de escoltá-la até a Cornualha, obviamente.
— O faço de bom grado, meu senhor — dispõe-se o sobrinho animado. — Quem é a venturosa noiva? — pergunta-lhe Tristão sorvendo um gole do vinho, servido durante o jantar.
— É a princesa Isolda da Irlanda.
Ao ouvir aquele nome, Tristão perde totalmente o tato e deixa cair, das mãos, a taça de vinho. Esta se espatifou sobre o chão frio do castelo.
— Tristão?! O que houve? — assusta-se o rei. — Ficaste pálido de repente!
— Eu ouvi direito? — duvida aflito.
Audret fingira sair da sala quando, na verdade, estava à espreita para ouvir-lhes toda a conversa.
“Finalmente, o rato cairá na armadilha...” — pensava triunfante, saboreando cada palavra ouvida naquele diálogo.
— Por que logo ela?
— Porque a Irlanda sempre teve interesses nestas terras e uma aliança, é melhor do que uma guerra. Assim, ambas as partes são beneficiadas. Principalmente, por ser a Irlanda um país muito rico, a Cornualha só teria a ganhar com isso. Não achas uma boa escolha? — pergunta o rei inocente.
— A questão não é esta, meu tio. O que me preocupa é o fato de tentares desposar a filha de vossos inimigos — disfarça Tristão e, ao mesmo tempo, tentando persuadi-lo a mudar de idéia.
— Ora! Passam a não ser mais! Tudo é uma questão de negociação e ninguém melhor do que vós, caro sobrinho, que vivestes por uns tempos na Irlanda e conhece-lhes o idioma e os costumes.
Tristão sente-se quase desfalecer e rei Marcos repara que havia algo estranho.
—Qual o problema, Tristão? Acaso Isolda já é casada?
— Não, senhor. Pelo menos, creio que não — disfarça o jovem.
— Só saberemos se fores à Irlanda. Por que te negas a negociar para mim as núpcias? Qual é o problema, Sir Tristão?
O semblante de Marcos demonstrava ares sérios e inquisidores.
— Receio que eu não possa voltar para lá, meu senhor, uma vez que fui expulso do país sob pena de morte — diz ele, tentando fugir àquela terrível obrigação.
— Tu não irás só. Cavaleiros de minha Corte irão contigo, por isso, não há o que temer.Tristão não tinha mais argumentos. Ou cumpria a ordem ou não. E nessa hora, a obediência pelo seu suserano, ecoava mais alto no coração de um cavaleiro.
Fim da 2ª parte

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