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domingo, 31 de agosto de 2008

FIZ UMA ENQUETE ¬ ¬ '... !


Aproveitando esse momento de eleições, fiz uma enquete. Espero que todos votem com sinceridade e mandem-me suas opiniões e sugestões. Críticas construtivas serão bem-vindas, afinal, reconheço minha inexperiência de escritora amadora. Com a ajuda dos amigos e leitores, espero um dia profissionalizar-me ^^'.

Sonhar não custa nada, não é verdade? ¬ ¬'...

PS: Não liguem pro meu mascote. Ele é meio temperamental, mas não tenham medo, ele não vai morder vocês, esse é adestrado! XD

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Tristão e Isolda-Capítulo 11: Tentativa de fuga (1ª parte)


índice geral :: capítulo anterior (4ª parte)

A comitiva parte por fim. Uma viagem um tanto atribulada, por certo; mas seguiram seu caminho. Isolda não perdia uma chance de provocar Tristão. Sir Dinas, sempre procurava remediar as coisas, na medida do possível; contudo, havia horas em que toda a sua diplomacia não fazia o efeito esperado.
— Meu Deus! Estou no meu limite!!!
— Calma Tristão. Não se irrite... — dizia aflito, vendo-o quase a ponto de explodir.
Por um curto espaço de tempo, Isolda acalma-se.
Tristão decide parar, quando a noite cai sobre eles.
— Está muito escuro para prosseguirmos. Vamos parar e continuar pela manhã — decide o cavaleiro.
— Achas que o porto de Weisefort já está próximo? — pergunta-lhe Dinas apeando do cavalo, doido para se ver livre daquilo tudo.
— Creio que sim. Bem, erguemos acampamento aqui; parece-me um bom lugar — diz ele apeando também. — Homens! Vamos descansar e antes do sol raiar, continuaremos — ordena a todos. — Acendam uma fogueira e preparem algo para comermos, uma vez que a viagem à Cornualha é bem longa.
Os homens comemoraram, pois de fato estavam cansados e com fome.
— Paramos — observa Brangia.
Tristão abre a porta e comunica-lhes a ordem.
— Vamos parar para nos alimentarmos e descansarmos um pouco, antes de prosseguir.
— Brangia. Diga a este senhor que não estou com fome e que por mim, seguiria viagem — diz Isolda com arrogância e recusando-se a falar com ele.
— Sir Tristão, é... — A criada nem começou, pois ele interrompeu-a.
— Tua criada não é teu pajem de recados, Vossa Alteza — provoca Tristão.
— Brangia. Diga por favor a este senhor, que eu me recuso responder a homens que não cumprem com a palavra dada — fala Isolda entre os dentes e não encarando-o.
— Mas... — gagueja a pobre aia.
— Ora! Pois muito bem! Queres que eu faça o teu joguinho infantil? Pois que seja! Senhorinha Brangia, diga a esta “senhora” que a ordem dada será cumprida e que se ela não quiser alimentar-se e nem descansar, problema dela — diz ele saindo.
Brangia dá com a mão na testa e Huddent choraminga com fome.
— Eu não acredito... — suspira a criada, quase a ponto de enlouquecer com toda aquela situação constrangedora. — Olha, minha senhora. Com licença, que eu estou morrendo de fome — fala ela saindo.
— Vai! Pode ir! Pouco me importa, traidora!
Vendo-se finalmente sozinha, Isolda lembrou-se do que pretendia fazer quando parassem.
“É agora...”— pensa sem hesitar.
Sem fazer o menor ruído, aproveita a chance e sai da carruagem sem que alguém perceba.
— Vem Huddent — diz ela pegando apenas o necessário e sai. — Vamos para Avalon.
Huddent late, achando que ela estava brincando com ele.
— Não! Cala-te, imprestável! Quer que nos flagrem fugindo? — repreende-lhe tapando-lhe o focinho.
Sobressaltado, Tristão levanta-se.
— O que foi isso? — desconfia ele.
— É o Huddent, senhor — responde-lhe Brangia.
— Isolda está muito quieta... é melhor verificar... — comenta Tristão.
— Ai meu Deus! Será que a louca fez o que disse? — espanta-se a aia, sentindo um estalo na sua mente.
— Fazer o quê? — pergunta ele.
— Fugir para Avalon!
— Avalon?! Que diabos é isso?
— É a ilha da Grande Mãe, onde vivem a maioria das sacerdotisas consagradas à Deusa. Tu não sabes?
— Já ouvi falar, mas nunca me preocupei com tal coisa por ser cristão... — Tristão cai em si. — Desgraçada!!! Ela não seria capaz... Ei! Os dois! Dinas! Venham comigo; a princesa quer fugir.
— Ai, não! Isolda vai me matar! Acabei falando demais... — desespera-se Brangia ao perceber o que fizera.
Tristão abre a carruagem e não vê Isolda.
— Maldição!!!! Para onde ela foi? — pragueja Tristão.
Sem perder tempo, Tristão sobe em seu cavalo e convoca Dinas com alguns homens. Acendem tochas, pois já estava bem escuro, e saem atrás dela.
— Isolda! Princesa Isolda!!! Queres envergonhar-me? — grita Tristão enfurecido.
Por sorte, Isolda não conseguira ir muito longe a pé e Huddent, também não ajudava em nada, pelo contrário, só atrapalhava, pois latira mais uma vez denunciando-lhes a posição.
— Não!!! Pára Huddent!!!!
Tristão e seus homens ouviram.
— Essa não... — resmunga ela ao ver-se descoberta.
— Senhor. Ali! — aponta Sir Bermond, ao vê-la embrenhar-se ainda mais na escuridão do bosque, para fugir dos perseguidores.
— Volte aqui, mocinha!!! — ordena Tristão. — Desista, porque não conseguirás fugir de mim! — ameaça o cavaleiro.
Numa atitude ousada, Isolda vira-se e faz-lhe um gesto obsceno da época, que prefiro não comentar, mas para se ter uma idéia, fez o sangue dele ferver de raiva.
— O QUÊ?!!! MALDIÇÃO!!! — grita ele. — Vou amarrar-te!!!!!
Isolda jamais o vira tão enfurecido e ficou assustada.
— Ai, não! — exclama ela percebendo a asneira que fizera.— Depressa Huddent!!! Corre!!!!
O cãozinho ficou perdido. Não sabia para que lado correr e por fim, embrenha-se na mata atrás de Isolda. Tristão também aventura-se sob a mata densa ao encalço dela. (Fim da 1ªparte)


quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Capítulo 10: A decepção de Isolda (4ª parte)


índice geral :: parte anterior (3ª parte)

No quarto, Isolda já estava deitada quando sua mãe entrou, levando-lhe algo para comer. Ainda assim, Isolda não quis comer nada.
— Filha minha... Sei que é difícil, mas não se deixe dominar pela tristeza.
— Eu não quero desposar aquele velho decrépito.
— Marcos não é tão velho assim.
— Estou admirada, cara mãe? Antes, tentou forçar o meu pai a mudar a decisão e agora, insiste para que eu aceite tão amargo destino?
— De fato, eu tentei, mas pensei melhor e percebi que, talvez, tu estejas sofrendo por quem não merece o teu amor. Se Tristão não te ama mais, deves cuidar de teu futuro e não ficares presa ao passado, Isolda querida.
— Fácil falar quando se ama e é amada. É como se o amor fosse uma coisa muito simples e pudesse ser esquecido tão facilmente.
— Nós mulheres, não temos muita escolha, filha. Fazemos o que os homens nos mandam fazer. Pensas tu que, amei teu pai desde o início? O amor veio com o tempo e tornou-se muito maior, após o teu nascimento. E digo-te que o mesmo ocorrerá contigo e Marcos.
E o diálogo entre mãe e filha estendera-se por boa parte da noite e, desconheço qual força a rainha Isolda “a velha” pôs em suas palavras, mas o fato é que, no dia seguinte, Isolda concorda com o casamento.
Logo, todos se viram envolvidos nos preparativos para a longa viagem.
— Firmaremos o compromisso e depois do enlace, Rei Marcos e eu discutiremos sobre a aliança, e quais benefícios ofereceremos um ao outro, Sir Tristão — Diz-lhe o rei Anguish Gormond de forma solene.
— Hoje mesmo remeterei uma carta ao meu tio, contando-lhe sobre o acordo selado e a data prevista de nossa chegada à Cornualha.
E assim fez Tristão.
— Ele conseguiu, meu senhor! Tristão negociou a mão da princesa Isolda! — comenta Sir Audret, radiante, com seu tio. — Eu sabia que meu caríssimo primo seria bem sucedido na missão!
— Quando chegarão à Cornualha?— pergunta Marcos.
— No dia de “Todos os Santos”.
— Mas que ótimo! Devemos providenciar a recepção. Quero que minha futura esposa sinta-se em seu castelo — comemora Marcos animado.
Depois de um tempo, Audret foi ter com Basílica.
— É... meus parabéns, Audret querido! Conseguiste o teu intento! — aplaude ela.
— E este é apenas o começo, minha cara!

Isolda preparava seus pertences para a viagem. Com cara de funeral solene, joga em seu baú de viagens, um vestido negro como o ébano.
— O que significa isto? — espanta-se a criada ao ver aquilo.
— O meu vestido de noiva.
— Estás louca?! Negro dá azar, alteza!
— Negro como a minha alma.
— Não faz drama, Isolda!
Brangia ia tirar o vestido dos alforjes, porém, Isolda ameaçou-a.
— Não te atrevas a tirar este vestido daí.
Muito assustada, Brangia foi correndo até a rainha, para contar-lhe sobre o fato.
— Não sinta-se tão temerosa, Brangia. Depois que os nubentes beberem da poção do amor, tudo irá assentar-se. Não tema... Por falar nisto? Guardaste bem o frasco?
— Sim, minha senhora. Ele está junto das minhas coisas, que separei para a viagem.
— Perfeito. Siga o plano. — tranqüiliza-lhe a rainha.
Na manhã seguinte, tudo estava arranjado. Tristão e Dinas prepararam o cortejo que levaria a dama; só faltava a noiva.
Isolda ainda demora-se um pouco em seu quarto e permite-se chorar, uma última vez, por ver seu sonho acalentado pela felicidade, destroçado.
— Posso até casar-me com Marcos... Mas ele jamais terá o meu amor — jura ela de forma solene e decidida. — Só lhe trarei dissabores na vida e ele irá arrepender-se por ousar desposar-me.
Ela sai, enfim. Quando chega diante do cortejo, recusa-se a olhar para seus pais e muito menos para Tristão.
Com a raiva, ela tratava-o pior que a um cão e quando este oferece-lhe a mão para ajudá-la a subir na carruagem, Isolda recusa a ajuda.
— Não me toques — diz ela friamente. — Não preciso da tua ajuda, sei subir sozinha.
— Como queira — diz ele tentando fazer pouco caso.
Isolda pega os alforjes dela e de Brangia e joga-os na carruagem.
— Ai, Grande Deusa! Não faça isso, Isolda!!! — desespera-se a criada.
Brangia corre desesperada até suas coisas e confere se está tudo bem, principalmente com o filtro feito por Isolda “a velha”.
— Graças! Não quebrou... — suspira aliviada.
— Não quebrou o quê? — pergunta a princesa, pegando o pequeno Huddent para que ambos subissem.
— Nada, senhora. Coisa minha — desconversa a aia.
Isolda senta-se com Huddent.
— Está tudo bem? — pergunta-lhe Tristão, tentando certificar-se se tudo estava em ordem, para que partissem.
Isolda não lhe respondeu, pelo contrário, virou o rosto numa atitude petulante. Tristão fica irritado...
Para quebrar a tensão, Brangia responde por ela.
— Sim, senhor. Podemos partir quando quiseres.
— Vamos, então.
Brangia não largava o seu fardo, o que acabou despertando a curiosidade de Isolda.
— Por que não largas isto? — pergunta a princesa com desdém.
— Porque eu não quero. Se importa? — retruca-lhe a aia.
Os reis estavam lívidos. Isolda recusou-se a se despedir dos pais. Ao reparar a demora, ela começa a reclamar.
— Como é? Vai demorar muito para levar-me aos meus funerais?
Tristão estava conferindo pela última vez as coisas e teve que contar até dez para não perder a paciência.
— Pára com isso, senhora! Deixe de provocá-lo e vamos partir em paz, por favor.
— O que estou fazendo é MUITO POUCO!!! Ele merece muito mais que isto! — grita mais ainda, para que Tristão a ouvisse.
Tristão abre a carruagem de forma violenta...
— Olha aqui, alteza! — surge ele à porta. — Eu faço a minha parte e tu, fazes a tua, fui claro? Comporta-te como convém à futura rainha da Cornualha.
Ele bate a porta. Huddent assusta-se e encolhe-se todo no colo de Isolda.
— Rainha da Cornualha... Pois sim! Olha Brangia, eu vou aprontar tanto, mas tanto... que o rei irá desistir do casamento e irá devolver-me aos meus pais!
— Senhora, seja prudente. Não faça nada precipitado — pede-lhe a criada.
— Ele não me conhece! Ou melhor! No meio da viagem eu vou fugir e tu, irás me ajudar.
— EU?! Nem pensar!!!
— É simples, não há o que temer. Quando dermos uma parada para descanso, vou fugir para Avalon!
— Ficaste louca?! Tu não sabes ir para lá! Talvez esta ilha nem exista, seja apenas lenda!
— Problema! Se não for para Avalon, irei para qualquer outro lugar que me impeça de casar com Marcos. Prefiro sumir, do que deixar-me possuir por um velho como ele.
— Senhora, acalma-te!
— Tristão não perde por esperar. Que ele me aguarde...
— Acho que as coisas não vão muito bem — comenta o rei Anguish com a rainha, após vir à cena.

— Espero que eles não se matem, antes de chegarem à Cornualha — completa a rainha preocupada.



sábado, 9 de agosto de 2008

Capítulo 10: A decepção de Isolda (3ª parte)


índice geral :: parte anterior (2ª parte)

Naquela noite, um silêncio incômodo reinava à mesa do jantar. O rei ordenou que um de seus criados subisse e avisasse Isolda de que a mesa estava posta. Ela não quis descer para comer e mandou que sua criada descesse e transmitisse o recado.
— Senhora, precisa alimentar-se.
— Eu não vou. Tristão deve estar à mesa e não desejo vê-lo durante o jantar. Eu me recuso a comer com ele, por isso, desça e transmita aos meus pais que não quero jantar.
Brangia obedece e leva Huddent consigo, para que ele comesse. Quando o pequeno cão vinha descendo as escadas, ele aprumou o olfato e percebe então, um cheiro familiar. Na mesma hora, começa a agitar a cauda e, ao ver Tristão, corre imediatamente até ele, pulando em seu colo.
— Huddent! — assusta-se Tristão, mas sorri ao ver o amiguinho peludo.— Ei! Calma rapaz!!! — ri Tristão com as lambidas do cãozinho a saudá-lo.
— Huddent!!! Desça já. — repreende-lhe o rei.
— Está tudo bem, Majestade. Não se preocupe — diz-lhe Tristão afagando o pequeno Huddent.
— Nossa! Este cão te adora! — observa Dinas surpreso.
— É um bom amigo. Não é, cãozinho esperto? — brinca o jovem acariciando-lhe atrás da orelha. Huddent adorava este tipo de carícia.
Dinas ergue os olhos e reconhece a jovem Brangia. Ela o cumprimentara, fazendo uma reverência tímida e ficara logo vermelha. Brangia não sabia por que se sentia tão perturbada, desde que o vira pela primeira vez nos funerais de Morholt. Enfim, desvia os olhos de Dinas e dirige-se ao rei.
— Majestade, Isolda pediu-me que aqui viesse, para dizer-vos que ela não está com fome e não descerá para o jantar — fala a criada.
— Eu já esperava por isso... — suspira o rei amargurado.
Tristão abaixa os olhos e, ainda com Huddent no colo, pede desculpas aos reis.
— Eu sinto muito pelo transtorno que vos causei, senhores. Acho que não deveria ter vindo tão de repente à Irlanda, sem avisar antes e sem dizer a que vim. E creio que fiz muito mal em aceitar o vosso convite para jantar. É por minha causa que a princesa não quer descer.
— Tolices! Tu e teus homens são meus hóspedes.
— De fato, foi uma surpresa para todos nós, os reais motivos que te trouxeram da Cornualha à Irlanda. Era a última coisa que poderíamos imaginar — comenta Isolda “a velha” com pesar. — Enfim, o teu coração pertence a ti e só tu sabes o que guardas dentro da tua alma. Quanto à Isolda, ela ainda está muito abalada pelo que houve — encara-lhe a rainha. — Devemos ser compreensivos com ela. Brangia, diga à minha filha que mais tarde levarei algo para ela comer e teremos uma longa conversa.
— Sim, minha rainha — Brangia sai e antes de subir as escadas, olha uma última vez para Sir Dinas. Ele também a olhava.
Tristão sentia-se sufocar por aquelas palavras bem ditas da rainha Isolda. Ela parecia conhecer fundo a sua alma e adivinhar-lhe os pensamentos.
Tarde da noite, Tristão e Dinas se reuniram aos companheiros, que se aqueciam junto de uma fogueira e assavam algumas batatas para comerem. O rei se recolheu e Isolda “a velha”, foi conversar com Isolda, tal como havia dito.
— Quando partiremos, milorde? — pergunta-lhe um dos homens.
— Ainda não sei Sir Bermond. Tudo dependerá da disponibilidade da princesa.
— Mas... ela irá conosco à Cornualha, não irá? — pergunta o homem novamente.
— Pelo rei, o que julguei que seria mais difícil, sim — confirma Tristão mexendo no fogo com um galho.
— Então, o rei concordou com o casamento? — pergunta outro.
— Ah, claro! Quem não concordaria, após jurar cumprir uma promessa?— critica Sir Dinas.
— Ora qual, Dinas? Promessa é promessa! — defende-se Tristão.
— Sim... e vossamercê não perdeu tempo em valer-se disto?
— E tu achas que o rei Anguish concordaria sendo de outro modo?
— Olha, Tristão. Eu não sei de nada. Só o que sei é que a pobre moça está sendo forçada por uma promessa do pai. Isto nunca dará certo...
Os dois começaram uma ferrenha discussão e os outros, não compreendendo o fato, preferiram não opinar no diálogo exaltado dos dois amigos.
— E o que achas que daria certo então, oh, "grande Sábio"?!
— Não sei. Talvez algumas visitas da jovem princesa a Marcos da Cornualha ou vice-versa, para que ele tivesse tempo de fazer-lhe a corte direito e não forçá-la a casar-se, meu caro! — fulmina-o Dinas.
Tristão ergue-se indignado e afasta-se a passos firmes e largos.
— Assim, talvez ela esquecesse algum “grande amor do passado” e pudesse acostumar-se com a idéia! — provoca-lhe Sir Dinas.
Tristão senta-se um pouco mais distante e, encarando o amigo, cobre-se com a capa e vira-se de vez.
Fazia muito frio naquela noite; choveria a qualquer momento, por assim dizer, pois nuvens negras e pesadas aglomeravam-se sobre o castelo de Weisefort.

4ª parte :: índice geral

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Capítulo 10: A decepção de Isolda (2ª parte)

índice geral :: parte anterior (1ªparte)

Isolda “a velha” preferiu aguardar a filha no quarto, pois sabia que era para lá que Isolda iria dirigir-se, para chorar as mágoas. Quando ela entrou, Brangia estava terminando de arrumar os vestidos, que Isolda havia separado para escolher o melhor de todos. Huddent estava dormindo, escarrapachado no chão, e inocente de tudo que se passava.
— Majestade! — surpreende-se a criada ao ver a rainha.
Brangia reparara que ela estava muito nervosa, pois estalava os dedos sem parar.
— Minha senhora. Algum problema?
— Sim. Uma desgraça!
— Como? Do que falais?.
A espera foi bem curta e Isolda, quando vê sua mãe, atira-se aos prantos em seus braços. A jovem criada cala-se.
— Filha minha! Já soube do teu infortúnio! — exclama a mãe apertando-a forte.
— Mamãe, o que eu faço? Eu não quero casar-me com Marcos! Prefiro a morte!!!
Brangia arregalou os olhos, surpresa com a notícia.
— Acalma-te, minha criança! Não fale em morte no vigor de tua juventude! Aquieta o coração, minha querida!.
— Mãe querida! Me ajude!!! Meu pai consentiu o compromisso, mas é a Tristão que eu amo!

Isolda “a velha” não sabia o que fazer, mas precisava pensar rápido e olha para a aia de Isolda. Huddent acorda assustado e fica imóvel, olhando para os rostos aflitos dos que o cercavam.
— Filha, me ouça. Eu vou tentar intervir na decisão de teu pai. Brangia, fique com Isolda até eu voltar.
— S-sim, minha senhora! — gagueja a criada confusa.
Brangia abraça a princesa e tentava confortá-la, enquanto Isolda “a velha” foi até o marido.
Ele ainda se encontrava nos aposentos quando a mulher entrou.
— Anguish, acabei de vir do quarto de nossa filha e ela está desesperada.
— Eu sei. Mas que posso fazer eu, minha senhora?
— Não permitas este casamento, é o que te peço.
— Nada me faria mais feliz, porém, está além de minha vontade.
— Será uma desgraça permitir tal coisa! Isolda ama Tristão!
— Mas Tristão não. O próprio me disse isto, quando perguntei o que ele sentia por nossa filha.
— Eu não acredito nisto. Tristão está mentindo, apenas para fazer cumprir a ordem que recebera de Marcos da Cornualha — afirma a rainha.
— E como podes afirmar tal coisa? O tempo muda tudo, Isolda, ele realmente pode ter se esquecido dela, conhecido outra mulher na Bretanha! Ambos eram tão jovens quando se envolveram, um amor de criança, diria eu. Tristão agora é um homem mais maduro e com outras responsabilidades e pensamentos.
— Estás cavando a infelicidade de tua própria filha, Anguish! — irrita-se a rainha.
— E o que queres que eu faça? Queres que eu encoste minha espada na garganta de Sir Tristão e obrigue-o a casar-se com Isolda?
— Não. Mas podes não concordar com o casamento — retruca altiva.
— Eu fiz-lhe uma promessa, Isolda, e confiando na minha palavra, Tristão pediu-me a mão de Isolda em nome de Marcos. Promessa é dívida...
O rei sai, não queria mais alimentar aquela conversa inútil.
— Anguish!!! Oh, Deusa!
O rei Anguish foi até Tristão; ele e Dinas estavam em silêncio, na sala do trono, aguardando a volta dele. Isolda “a velha” regressa ao quarto da filha e percebe que ela estava um pouco mais calma, no entanto, ainda muito triste.
— Mãe... Tu conseguiste reverter a decisão de meu pai?
— Infelizmente não.
Isolda ficou pálida e voltou a chorar. Brangia também fica decepcionada e Huddent, parecia compreender o que se passava agora, pois estava mais desanimado e deitara perto de Isolda e de sua mãe.
— Eu sou uma desgraçada! — lamenta-se Isolda enxugando as lágrimas.
Isolda “a velha” abraça-a e em seu íntimo, pedia à Deusa que lhe mostrasse um caminho. Foi quando ela teve uma idéia, mas antes, prepara um chá especial para acalmar a filha. No que Isolda acabou dormindo.
Nesse ínterim, Tristão e Anguish conversavam.
— Então, Majestade — pergunta o cavaleiro, querendo ver-se livre daquele doloroso fardo. — Permitirás que eu leve Isolda comigo?
— Espero que Marcos faça minha filha feliz — desabafa o rei e Tristão interpretou isso como sendo um “sim”.
— Meu tio é um homem muito bom e virtuoso e sei que, ele cuidará bem da princesa Isolda — diz o jovem Tristão, tentando enganar-se a si mesmo, mas no fundo, ele sabia que Isolda jamais seria feliz.
— Muito bem. Espero, senhores, que gozem de boa estadia em meu castelo e convido-vos a jantar conosco e amanhã trataremos da viagem — fala rei Anguish a Tristão e Sir Dinas.
No quarto de Isolda, a rainha Isolda vendo que a filha dormira um pouco sob o efeito do chá, chama a criada e ambas saem juntas. A rainha leva-a até uma espécie de porão do castelo que, ao acender uma das tochas, revelou ser um laboratório, onde se via uma estante coberta de frascos e livros bem antigos; ao canto, um caldeirão e cestos e mais cestos com várias ervas. Do lado oposto, via-se um altar dedicado à Deusa, onde vislumbrava-se a escultura de uma mulher coberta de flores. Isolda “a velha” fez-lhe uma reverência e uma saudação num dialeto antigo e queimou um pouco das ervas que retirara dos cestos próximos à estante.
Brangia estava em silêncio e observava-a com atenção.
A rainha vai até a estante, pega uma garrafa bem lacrada e a entrega à Brangia.
— O que é isso, senhora?
— Um filtro de amor — responde-lhe a rainha Isolda. — Eu não consegui fazer com que meu marido voltasse atrás na decisão, portanto, deverei cavar a felicidade de minha filha de outro modo, mas precisarei de tua ajuda Brangia. — a rainha faz uma pausa —Jamais pensei que um dia, usaria isto mais uma vez. O fiz há tanto tempo e já ajudei a inúmeras pessoas com ele, porque seria diferente com Isolda? — comenta ela saudosa, tocando na garrafa.
— O que queres que eu faça com isso, Majestade?
— Brangia, ouça com atenção, é muito importante: Tu és a aia de minha filha, por isso, é tua obrigação acompanhar Isolda a qualquer lugar que ela vá. Então, assim que chegares à Cornualha, dê de beber à Isolda e Marcos desta poção. Ambos irão apaixonar-se um pelo outro e o encantamento durará por três anos. Se vires necessidade, repita o processo.
— Eu entendi, minha rainha.
— Agora, tome muito cuidado. Ninguém deve beber do filtro, somente minha filha e Marcos. Principalmente Tristão. Se ele beber e Isolda, por um descuido, beber também, haverá conseqüências muito sérias porque sei que eles ainda sentem amor um pelo outro, e se beberem juntos, o sentimento irá intensificar-se e se transformará numa atração doentia e com poucos momentos de prudência e lucidez. Sendo assim... cuidado, Brangia.
— Sim senhora. Tomarei conta deste frasco como se fosse minha própria vida — promete ela.

3ª parte :: índice geral

domingo, 3 de agosto de 2008

Capítulo 10: A decepção de Isolda (1ª parte)


índice geral :: capítulo anterior (3ª parte)

Isolda quase soltou um grito de felicidade, quando Brangia contou-lhe que Tristão estava no castelo.
— Eu sabia! Sabia! Ele veio me buscar tal como me prometera! — comemorava ela. — Tristão voltou para casar-se comigo, tenho certeza!!! — dizia à criada saltitante e abraçando-a, fazendo com que rodopiasse junto com ela.
Com imensa satisfação, escolhe o seu melhor vestido e pede que Brangia ajeitasse e arrumasse o seu cabelo. Enfim. Queria ficar linda para Tristão.
Ela desce depressa, sem esperar que Brangia lhe fizesse as últimas recomendações. O vestido cor de pêssego, esvoaçante e leve, movimentava-se em seu corpo, como uma nuvem dourada, cintilando ao sol por conta dos bordados em fios de ouro. Coisa finíssima e rara. O seu coração batia acelerado e não via a hora de rever seu amado depois de tantos anos. “Como estaria Tristão, agora?” — pensava...
Tristão estava conversando com o rei, diante do trono, e cercado de vários cavaleiros e entre eles, ela reconhecera Sir Dinas.
— Não recebeste minha carta? — espanta-se o rei Anguish.
— Carta? Que carta, Majestade? — pergunta Tristão sem entender nada.
Ele estava lindo em sua rica armadura, com os cabelos negros e brilhantes caindo-lhe à altura dos ombros; o rosto austero e mais maduro, muito bem barbeado e bronzeado, devido à exposição aos raios solares no campo de batalha; e os mesmos olhos doces e carismáticos em tom cinzento, pelos quais Isolda havia se apaixonado aos quinze anos de idade. Mas nem de longe parecia pedir alguém em casamento.
Cismada com a cena, esconde-se por um instante e fica atenta à conversa.
— Sei que prometi diante da Corte que, um dia, atenderia a um pedido teu, Sir Tristão; o que me obriga a cumprir a promessa. Mas não posso esconder o meu desgosto, diante desta situação, porque me agradaria mais se tu desposaste minha filha e não o rei Marcos.
Isolda quase soltara uma exclamação de horror, mas calou-se.
— Mesmo sabendo que mataste meu cunhado... - o que sempre levarei comigo em meu coração - ...lutaste em meu favor contra um dos cavaleiros mais famosos de Arthur. As notícias custaram, porém, chegaram aos meus ouvidos.
— Ele ofendeu vossa honra, senhor. Só cumpri com minha obrigação, por ouvir dele tal calúnia, sabendo que não era verdade o que dizia sobre vós e vossa esposa.
— Mesmo assim, não posso deixar de ser grato. Muito bem... tens o meu consentimento para levar Isolda e entregá-la ao rei Marcos, junto com o seu dote...
— Não!!! — grita Isolda, aparecendo em seguida.
O rei cala-se e olha espantado para a porta e Tristão, finalmente vira Isolda. Ela estava mais linda do que nunca...
Ela agora, tornara-se também uma linda mulher de vinte anos, mais decidida e corajosa; de espírito semelhante ao de sua mãe. Em resumo: Isolda transformara-se numa mulher fascinante, capaz de arrancar suspiros de desejo dos homens que cruzassem o seu caminho.
Tristão sente-se em êxtase quando a vê, de pé, na porta. Contudo, afasta na mesma hora os pensamentos apaixonados, já que precisava cumprir a missão que lhe fora confiada.
— Querem me casar com Marcos? Não! Eu não quero! — diz rejeitando de forma enérgica.
Tristão sentia-lhe o desespero, e desejava do fundo de sua alma abraçá-la e dizer que tudo era um equívoco; mas teve que manter a sua postura.
— Querida... eu só... — tenta justificar-se o pai.
— É a Tristão que eu amo!!! — fala a princesa desesperada. —Por quê? Por que estão fazendo isso comigo?
Isolda olha aflita para Tristão, em busca de respostas, no entanto, ele simplesmente abaixa a cabeça e evita encará-la. Por dentro, o coração dele parecia gritar. Com isso, o rei preferiu deixá-los sozinhos, para que conversassem melhor sobre o assunto e todos os presentes fizeram o mesmo.
Isolda “a velha” vinha apressada pelo corredor, a fim de saudar Tristão, quando o marido segurou-a. A rainha não entendeu há princípio.
— Não vá lá agora.
— Por que não? — pergunta curiosa.
— Venha.
Enquanto se dirigiam aos aposentos, o rei Anguish explica à esposa o que estava se passando.
— Como?! Tristão veio buscá-la para casar-se com Marcos? Eu não acredito! Deve haver algum mal entendido... E a carta?
— Também não sei. Tristão garantiu-me que não recebera nenhuma carta.
— E Isolda? Pela Deusa! A pobrezinha deve estar desesperada! Ela ama Tristão.
— Por isso achei por bem, deixá-los um pouco a sós, para que conversassem melhor.

Tristão queria falar-lhe, mas Isolda se recusava a ouvi-lo. E enquanto ele tentava justificar-se, a resposta de Isolda foi um tapa.
— Tantos anos de espera pelo teu regresso, recusando ofertas de inúmeros pretendentes e quando voltas, trata-me como se eu fosse uma mercadoria qualquer? É isto que me dizes? Irás levar-me daqui para me entregar a outro?!! — fala amargurada e decepcionada. — Eu não sou um objeto a ser disputado. Eu tenho sentimentos.
— Eu não tenho escolha — responde Tristão tentando ser o mais frio possível.
— Não tens?! Sim, não tens! Só o que vos interessa, assim como a todos os malditos cavaleiros, são os sentimentos por vosso rei. Amas mais ao teu tio do que a mim. Tola fui, reconheço: acreditei em tuas promessas de amor, guardei-me e esperei-te até agora. Oh, Tristão! — Isolda pôs-se a chorar. —Tantas noites sonhando contigo, com nosso amor e desejando que tu voltasses logo para levar-me contigo. Me tirasses desta prisão solitária, na qual a Irlanda se transformou para mim — ela soluçava sentida. —Jamais vou perdoar-te por brincar com os meus sentimentos desta maneira!
— Nós éramos tão jovens naquela época. Acreditávamos que tudo poderia ser possível. Só que a vida, na maioria das vezes, nos leva a outros caminhos.
— Então, nunca me amaste? Foi tudo uma ilusão?
— Não foi isso que quis dizer!
— Não negue. Eu entendi muito bem!
— Se fosses um cavaleiro, entenderias as minhas razões.
— CHEGA!!! Não quero ouvir mais nada!
Isolda sai e nem olha pra trás.
Tristão esmurra o espaldar do trono e entra em desespero. Ele não queria que fosse assim e a vontade dele era chamar por ela, pedir-lhe perdão e dizer-lhe o quanto ainda a amava, porém, precisava representar o tolo papel de fingir que não sentia mais nada por Isolda, daquele dia em diante.

2ª parte :: índice geral

OBS: este é um dos capítulos mais longos escritos, irei postá-los mais a miúde e pretendo reunir tudo em 4 ou 5 partes.