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Pelo mundo

domingo, 3 de agosto de 2008

Capítulo 10: A decepção de Isolda (1ª parte)


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Isolda quase soltou um grito de felicidade, quando Brangia contou-lhe que Tristão estava no castelo.
— Eu sabia! Sabia! Ele veio me buscar tal como me prometera! — comemorava ela. — Tristão voltou para casar-se comigo, tenho certeza!!! — dizia à criada saltitante e abraçando-a, fazendo com que rodopiasse junto com ela.
Com imensa satisfação, escolhe o seu melhor vestido e pede que Brangia ajeitasse e arrumasse o seu cabelo. Enfim. Queria ficar linda para Tristão.
Ela desce depressa, sem esperar que Brangia lhe fizesse as últimas recomendações. O vestido cor de pêssego, esvoaçante e leve, movimentava-se em seu corpo, como uma nuvem dourada, cintilando ao sol por conta dos bordados em fios de ouro. Coisa finíssima e rara. O seu coração batia acelerado e não via a hora de rever seu amado depois de tantos anos. “Como estaria Tristão, agora?” — pensava...
Tristão estava conversando com o rei, diante do trono, e cercado de vários cavaleiros e entre eles, ela reconhecera Sir Dinas.
— Não recebeste minha carta? — espanta-se o rei Anguish.
— Carta? Que carta, Majestade? — pergunta Tristão sem entender nada.
Ele estava lindo em sua rica armadura, com os cabelos negros e brilhantes caindo-lhe à altura dos ombros; o rosto austero e mais maduro, muito bem barbeado e bronzeado, devido à exposição aos raios solares no campo de batalha; e os mesmos olhos doces e carismáticos em tom cinzento, pelos quais Isolda havia se apaixonado aos quinze anos de idade. Mas nem de longe parecia pedir alguém em casamento.
Cismada com a cena, esconde-se por um instante e fica atenta à conversa.
— Sei que prometi diante da Corte que, um dia, atenderia a um pedido teu, Sir Tristão; o que me obriga a cumprir a promessa. Mas não posso esconder o meu desgosto, diante desta situação, porque me agradaria mais se tu desposaste minha filha e não o rei Marcos.
Isolda quase soltara uma exclamação de horror, mas calou-se.
— Mesmo sabendo que mataste meu cunhado... - o que sempre levarei comigo em meu coração - ...lutaste em meu favor contra um dos cavaleiros mais famosos de Arthur. As notícias custaram, porém, chegaram aos meus ouvidos.
— Ele ofendeu vossa honra, senhor. Só cumpri com minha obrigação, por ouvir dele tal calúnia, sabendo que não era verdade o que dizia sobre vós e vossa esposa.
— Mesmo assim, não posso deixar de ser grato. Muito bem... tens o meu consentimento para levar Isolda e entregá-la ao rei Marcos, junto com o seu dote...
— Não!!! — grita Isolda, aparecendo em seguida.
O rei cala-se e olha espantado para a porta e Tristão, finalmente vira Isolda. Ela estava mais linda do que nunca...
Ela agora, tornara-se também uma linda mulher de vinte anos, mais decidida e corajosa; de espírito semelhante ao de sua mãe. Em resumo: Isolda transformara-se numa mulher fascinante, capaz de arrancar suspiros de desejo dos homens que cruzassem o seu caminho.
Tristão sente-se em êxtase quando a vê, de pé, na porta. Contudo, afasta na mesma hora os pensamentos apaixonados, já que precisava cumprir a missão que lhe fora confiada.
— Querem me casar com Marcos? Não! Eu não quero! — diz rejeitando de forma enérgica.
Tristão sentia-lhe o desespero, e desejava do fundo de sua alma abraçá-la e dizer que tudo era um equívoco; mas teve que manter a sua postura.
— Querida... eu só... — tenta justificar-se o pai.
— É a Tristão que eu amo!!! — fala a princesa desesperada. —Por quê? Por que estão fazendo isso comigo?
Isolda olha aflita para Tristão, em busca de respostas, no entanto, ele simplesmente abaixa a cabeça e evita encará-la. Por dentro, o coração dele parecia gritar. Com isso, o rei preferiu deixá-los sozinhos, para que conversassem melhor sobre o assunto e todos os presentes fizeram o mesmo.
Isolda “a velha” vinha apressada pelo corredor, a fim de saudar Tristão, quando o marido segurou-a. A rainha não entendeu há princípio.
— Não vá lá agora.
— Por que não? — pergunta curiosa.
— Venha.
Enquanto se dirigiam aos aposentos, o rei Anguish explica à esposa o que estava se passando.
— Como?! Tristão veio buscá-la para casar-se com Marcos? Eu não acredito! Deve haver algum mal entendido... E a carta?
— Também não sei. Tristão garantiu-me que não recebera nenhuma carta.
— E Isolda? Pela Deusa! A pobrezinha deve estar desesperada! Ela ama Tristão.
— Por isso achei por bem, deixá-los um pouco a sós, para que conversassem melhor.

Tristão queria falar-lhe, mas Isolda se recusava a ouvi-lo. E enquanto ele tentava justificar-se, a resposta de Isolda foi um tapa.
— Tantos anos de espera pelo teu regresso, recusando ofertas de inúmeros pretendentes e quando voltas, trata-me como se eu fosse uma mercadoria qualquer? É isto que me dizes? Irás levar-me daqui para me entregar a outro?!! — fala amargurada e decepcionada. — Eu não sou um objeto a ser disputado. Eu tenho sentimentos.
— Eu não tenho escolha — responde Tristão tentando ser o mais frio possível.
— Não tens?! Sim, não tens! Só o que vos interessa, assim como a todos os malditos cavaleiros, são os sentimentos por vosso rei. Amas mais ao teu tio do que a mim. Tola fui, reconheço: acreditei em tuas promessas de amor, guardei-me e esperei-te até agora. Oh, Tristão! — Isolda pôs-se a chorar. —Tantas noites sonhando contigo, com nosso amor e desejando que tu voltasses logo para levar-me contigo. Me tirasses desta prisão solitária, na qual a Irlanda se transformou para mim — ela soluçava sentida. —Jamais vou perdoar-te por brincar com os meus sentimentos desta maneira!
— Nós éramos tão jovens naquela época. Acreditávamos que tudo poderia ser possível. Só que a vida, na maioria das vezes, nos leva a outros caminhos.
— Então, nunca me amaste? Foi tudo uma ilusão?
— Não foi isso que quis dizer!
— Não negue. Eu entendi muito bem!
— Se fosses um cavaleiro, entenderias as minhas razões.
— CHEGA!!! Não quero ouvir mais nada!
Isolda sai e nem olha pra trás.
Tristão esmurra o espaldar do trono e entra em desespero. Ele não queria que fosse assim e a vontade dele era chamar por ela, pedir-lhe perdão e dizer-lhe o quanto ainda a amava, porém, precisava representar o tolo papel de fingir que não sentia mais nada por Isolda, daquele dia em diante.

2ª parte :: índice geral

OBS: este é um dos capítulos mais longos escritos, irei postá-los mais a miúde e pretendo reunir tudo em 4 ou 5 partes.

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