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quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Capítulo 10: A decepção de Isolda (2ª parte)

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Isolda “a velha” preferiu aguardar a filha no quarto, pois sabia que era para lá que Isolda iria dirigir-se, para chorar as mágoas. Quando ela entrou, Brangia estava terminando de arrumar os vestidos, que Isolda havia separado para escolher o melhor de todos. Huddent estava dormindo, escarrapachado no chão, e inocente de tudo que se passava.
— Majestade! — surpreende-se a criada ao ver a rainha.
Brangia reparara que ela estava muito nervosa, pois estalava os dedos sem parar.
— Minha senhora. Algum problema?
— Sim. Uma desgraça!
— Como? Do que falais?.
A espera foi bem curta e Isolda, quando vê sua mãe, atira-se aos prantos em seus braços. A jovem criada cala-se.
— Filha minha! Já soube do teu infortúnio! — exclama a mãe apertando-a forte.
— Mamãe, o que eu faço? Eu não quero casar-me com Marcos! Prefiro a morte!!!
Brangia arregalou os olhos, surpresa com a notícia.
— Acalma-te, minha criança! Não fale em morte no vigor de tua juventude! Aquieta o coração, minha querida!.
— Mãe querida! Me ajude!!! Meu pai consentiu o compromisso, mas é a Tristão que eu amo!

Isolda “a velha” não sabia o que fazer, mas precisava pensar rápido e olha para a aia de Isolda. Huddent acorda assustado e fica imóvel, olhando para os rostos aflitos dos que o cercavam.
— Filha, me ouça. Eu vou tentar intervir na decisão de teu pai. Brangia, fique com Isolda até eu voltar.
— S-sim, minha senhora! — gagueja a criada confusa.
Brangia abraça a princesa e tentava confortá-la, enquanto Isolda “a velha” foi até o marido.
Ele ainda se encontrava nos aposentos quando a mulher entrou.
— Anguish, acabei de vir do quarto de nossa filha e ela está desesperada.
— Eu sei. Mas que posso fazer eu, minha senhora?
— Não permitas este casamento, é o que te peço.
— Nada me faria mais feliz, porém, está além de minha vontade.
— Será uma desgraça permitir tal coisa! Isolda ama Tristão!
— Mas Tristão não. O próprio me disse isto, quando perguntei o que ele sentia por nossa filha.
— Eu não acredito nisto. Tristão está mentindo, apenas para fazer cumprir a ordem que recebera de Marcos da Cornualha — afirma a rainha.
— E como podes afirmar tal coisa? O tempo muda tudo, Isolda, ele realmente pode ter se esquecido dela, conhecido outra mulher na Bretanha! Ambos eram tão jovens quando se envolveram, um amor de criança, diria eu. Tristão agora é um homem mais maduro e com outras responsabilidades e pensamentos.
— Estás cavando a infelicidade de tua própria filha, Anguish! — irrita-se a rainha.
— E o que queres que eu faça? Queres que eu encoste minha espada na garganta de Sir Tristão e obrigue-o a casar-se com Isolda?
— Não. Mas podes não concordar com o casamento — retruca altiva.
— Eu fiz-lhe uma promessa, Isolda, e confiando na minha palavra, Tristão pediu-me a mão de Isolda em nome de Marcos. Promessa é dívida...
O rei sai, não queria mais alimentar aquela conversa inútil.
— Anguish!!! Oh, Deusa!
O rei Anguish foi até Tristão; ele e Dinas estavam em silêncio, na sala do trono, aguardando a volta dele. Isolda “a velha” regressa ao quarto da filha e percebe que ela estava um pouco mais calma, no entanto, ainda muito triste.
— Mãe... Tu conseguiste reverter a decisão de meu pai?
— Infelizmente não.
Isolda ficou pálida e voltou a chorar. Brangia também fica decepcionada e Huddent, parecia compreender o que se passava agora, pois estava mais desanimado e deitara perto de Isolda e de sua mãe.
— Eu sou uma desgraçada! — lamenta-se Isolda enxugando as lágrimas.
Isolda “a velha” abraça-a e em seu íntimo, pedia à Deusa que lhe mostrasse um caminho. Foi quando ela teve uma idéia, mas antes, prepara um chá especial para acalmar a filha. No que Isolda acabou dormindo.
Nesse ínterim, Tristão e Anguish conversavam.
— Então, Majestade — pergunta o cavaleiro, querendo ver-se livre daquele doloroso fardo. — Permitirás que eu leve Isolda comigo?
— Espero que Marcos faça minha filha feliz — desabafa o rei e Tristão interpretou isso como sendo um “sim”.
— Meu tio é um homem muito bom e virtuoso e sei que, ele cuidará bem da princesa Isolda — diz o jovem Tristão, tentando enganar-se a si mesmo, mas no fundo, ele sabia que Isolda jamais seria feliz.
— Muito bem. Espero, senhores, que gozem de boa estadia em meu castelo e convido-vos a jantar conosco e amanhã trataremos da viagem — fala rei Anguish a Tristão e Sir Dinas.
No quarto de Isolda, a rainha Isolda vendo que a filha dormira um pouco sob o efeito do chá, chama a criada e ambas saem juntas. A rainha leva-a até uma espécie de porão do castelo que, ao acender uma das tochas, revelou ser um laboratório, onde se via uma estante coberta de frascos e livros bem antigos; ao canto, um caldeirão e cestos e mais cestos com várias ervas. Do lado oposto, via-se um altar dedicado à Deusa, onde vislumbrava-se a escultura de uma mulher coberta de flores. Isolda “a velha” fez-lhe uma reverência e uma saudação num dialeto antigo e queimou um pouco das ervas que retirara dos cestos próximos à estante.
Brangia estava em silêncio e observava-a com atenção.
A rainha vai até a estante, pega uma garrafa bem lacrada e a entrega à Brangia.
— O que é isso, senhora?
— Um filtro de amor — responde-lhe a rainha Isolda. — Eu não consegui fazer com que meu marido voltasse atrás na decisão, portanto, deverei cavar a felicidade de minha filha de outro modo, mas precisarei de tua ajuda Brangia. — a rainha faz uma pausa —Jamais pensei que um dia, usaria isto mais uma vez. O fiz há tanto tempo e já ajudei a inúmeras pessoas com ele, porque seria diferente com Isolda? — comenta ela saudosa, tocando na garrafa.
— O que queres que eu faça com isso, Majestade?
— Brangia, ouça com atenção, é muito importante: Tu és a aia de minha filha, por isso, é tua obrigação acompanhar Isolda a qualquer lugar que ela vá. Então, assim que chegares à Cornualha, dê de beber à Isolda e Marcos desta poção. Ambos irão apaixonar-se um pelo outro e o encantamento durará por três anos. Se vires necessidade, repita o processo.
— Eu entendi, minha rainha.
— Agora, tome muito cuidado. Ninguém deve beber do filtro, somente minha filha e Marcos. Principalmente Tristão. Se ele beber e Isolda, por um descuido, beber também, haverá conseqüências muito sérias porque sei que eles ainda sentem amor um pelo outro, e se beberem juntos, o sentimento irá intensificar-se e se transformará numa atração doentia e com poucos momentos de prudência e lucidez. Sendo assim... cuidado, Brangia.
— Sim senhora. Tomarei conta deste frasco como se fosse minha própria vida — promete ela.

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