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Pelo mundo

sábado, 9 de agosto de 2008

Capítulo 10: A decepção de Isolda (3ª parte)


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Naquela noite, um silêncio incômodo reinava à mesa do jantar. O rei ordenou que um de seus criados subisse e avisasse Isolda de que a mesa estava posta. Ela não quis descer para comer e mandou que sua criada descesse e transmitisse o recado.
— Senhora, precisa alimentar-se.
— Eu não vou. Tristão deve estar à mesa e não desejo vê-lo durante o jantar. Eu me recuso a comer com ele, por isso, desça e transmita aos meus pais que não quero jantar.
Brangia obedece e leva Huddent consigo, para que ele comesse. Quando o pequeno cão vinha descendo as escadas, ele aprumou o olfato e percebe então, um cheiro familiar. Na mesma hora, começa a agitar a cauda e, ao ver Tristão, corre imediatamente até ele, pulando em seu colo.
— Huddent! — assusta-se Tristão, mas sorri ao ver o amiguinho peludo.— Ei! Calma rapaz!!! — ri Tristão com as lambidas do cãozinho a saudá-lo.
— Huddent!!! Desça já. — repreende-lhe o rei.
— Está tudo bem, Majestade. Não se preocupe — diz-lhe Tristão afagando o pequeno Huddent.
— Nossa! Este cão te adora! — observa Dinas surpreso.
— É um bom amigo. Não é, cãozinho esperto? — brinca o jovem acariciando-lhe atrás da orelha. Huddent adorava este tipo de carícia.
Dinas ergue os olhos e reconhece a jovem Brangia. Ela o cumprimentara, fazendo uma reverência tímida e ficara logo vermelha. Brangia não sabia por que se sentia tão perturbada, desde que o vira pela primeira vez nos funerais de Morholt. Enfim, desvia os olhos de Dinas e dirige-se ao rei.
— Majestade, Isolda pediu-me que aqui viesse, para dizer-vos que ela não está com fome e não descerá para o jantar — fala a criada.
— Eu já esperava por isso... — suspira o rei amargurado.
Tristão abaixa os olhos e, ainda com Huddent no colo, pede desculpas aos reis.
— Eu sinto muito pelo transtorno que vos causei, senhores. Acho que não deveria ter vindo tão de repente à Irlanda, sem avisar antes e sem dizer a que vim. E creio que fiz muito mal em aceitar o vosso convite para jantar. É por minha causa que a princesa não quer descer.
— Tolices! Tu e teus homens são meus hóspedes.
— De fato, foi uma surpresa para todos nós, os reais motivos que te trouxeram da Cornualha à Irlanda. Era a última coisa que poderíamos imaginar — comenta Isolda “a velha” com pesar. — Enfim, o teu coração pertence a ti e só tu sabes o que guardas dentro da tua alma. Quanto à Isolda, ela ainda está muito abalada pelo que houve — encara-lhe a rainha. — Devemos ser compreensivos com ela. Brangia, diga à minha filha que mais tarde levarei algo para ela comer e teremos uma longa conversa.
— Sim, minha rainha — Brangia sai e antes de subir as escadas, olha uma última vez para Sir Dinas. Ele também a olhava.
Tristão sentia-se sufocar por aquelas palavras bem ditas da rainha Isolda. Ela parecia conhecer fundo a sua alma e adivinhar-lhe os pensamentos.
Tarde da noite, Tristão e Dinas se reuniram aos companheiros, que se aqueciam junto de uma fogueira e assavam algumas batatas para comerem. O rei se recolheu e Isolda “a velha”, foi conversar com Isolda, tal como havia dito.
— Quando partiremos, milorde? — pergunta-lhe um dos homens.
— Ainda não sei Sir Bermond. Tudo dependerá da disponibilidade da princesa.
— Mas... ela irá conosco à Cornualha, não irá? — pergunta o homem novamente.
— Pelo rei, o que julguei que seria mais difícil, sim — confirma Tristão mexendo no fogo com um galho.
— Então, o rei concordou com o casamento? — pergunta outro.
— Ah, claro! Quem não concordaria, após jurar cumprir uma promessa?— critica Sir Dinas.
— Ora qual, Dinas? Promessa é promessa! — defende-se Tristão.
— Sim... e vossamercê não perdeu tempo em valer-se disto?
— E tu achas que o rei Anguish concordaria sendo de outro modo?
— Olha, Tristão. Eu não sei de nada. Só o que sei é que a pobre moça está sendo forçada por uma promessa do pai. Isto nunca dará certo...
Os dois começaram uma ferrenha discussão e os outros, não compreendendo o fato, preferiram não opinar no diálogo exaltado dos dois amigos.
— E o que achas que daria certo então, oh, "grande Sábio"?!
— Não sei. Talvez algumas visitas da jovem princesa a Marcos da Cornualha ou vice-versa, para que ele tivesse tempo de fazer-lhe a corte direito e não forçá-la a casar-se, meu caro! — fulmina-o Dinas.
Tristão ergue-se indignado e afasta-se a passos firmes e largos.
— Assim, talvez ela esquecesse algum “grande amor do passado” e pudesse acostumar-se com a idéia! — provoca-lhe Sir Dinas.
Tristão senta-se um pouco mais distante e, encarando o amigo, cobre-se com a capa e vira-se de vez.
Fazia muito frio naquela noite; choveria a qualquer momento, por assim dizer, pois nuvens negras e pesadas aglomeravam-se sobre o castelo de Weisefort.

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