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Pelo mundo

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Capítulo 10: A decepção de Isolda (4ª parte)


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No quarto, Isolda já estava deitada quando sua mãe entrou, levando-lhe algo para comer. Ainda assim, Isolda não quis comer nada.
— Filha minha... Sei que é difícil, mas não se deixe dominar pela tristeza.
— Eu não quero desposar aquele velho decrépito.
— Marcos não é tão velho assim.
— Estou admirada, cara mãe? Antes, tentou forçar o meu pai a mudar a decisão e agora, insiste para que eu aceite tão amargo destino?
— De fato, eu tentei, mas pensei melhor e percebi que, talvez, tu estejas sofrendo por quem não merece o teu amor. Se Tristão não te ama mais, deves cuidar de teu futuro e não ficares presa ao passado, Isolda querida.
— Fácil falar quando se ama e é amada. É como se o amor fosse uma coisa muito simples e pudesse ser esquecido tão facilmente.
— Nós mulheres, não temos muita escolha, filha. Fazemos o que os homens nos mandam fazer. Pensas tu que, amei teu pai desde o início? O amor veio com o tempo e tornou-se muito maior, após o teu nascimento. E digo-te que o mesmo ocorrerá contigo e Marcos.
E o diálogo entre mãe e filha estendera-se por boa parte da noite e, desconheço qual força a rainha Isolda “a velha” pôs em suas palavras, mas o fato é que, no dia seguinte, Isolda concorda com o casamento.
Logo, todos se viram envolvidos nos preparativos para a longa viagem.
— Firmaremos o compromisso e depois do enlace, Rei Marcos e eu discutiremos sobre a aliança, e quais benefícios ofereceremos um ao outro, Sir Tristão — Diz-lhe o rei Anguish Gormond de forma solene.
— Hoje mesmo remeterei uma carta ao meu tio, contando-lhe sobre o acordo selado e a data prevista de nossa chegada à Cornualha.
E assim fez Tristão.
— Ele conseguiu, meu senhor! Tristão negociou a mão da princesa Isolda! — comenta Sir Audret, radiante, com seu tio. — Eu sabia que meu caríssimo primo seria bem sucedido na missão!
— Quando chegarão à Cornualha?— pergunta Marcos.
— No dia de “Todos os Santos”.
— Mas que ótimo! Devemos providenciar a recepção. Quero que minha futura esposa sinta-se em seu castelo — comemora Marcos animado.
Depois de um tempo, Audret foi ter com Basílica.
— É... meus parabéns, Audret querido! Conseguiste o teu intento! — aplaude ela.
— E este é apenas o começo, minha cara!

Isolda preparava seus pertences para a viagem. Com cara de funeral solene, joga em seu baú de viagens, um vestido negro como o ébano.
— O que significa isto? — espanta-se a criada ao ver aquilo.
— O meu vestido de noiva.
— Estás louca?! Negro dá azar, alteza!
— Negro como a minha alma.
— Não faz drama, Isolda!
Brangia ia tirar o vestido dos alforjes, porém, Isolda ameaçou-a.
— Não te atrevas a tirar este vestido daí.
Muito assustada, Brangia foi correndo até a rainha, para contar-lhe sobre o fato.
— Não sinta-se tão temerosa, Brangia. Depois que os nubentes beberem da poção do amor, tudo irá assentar-se. Não tema... Por falar nisto? Guardaste bem o frasco?
— Sim, minha senhora. Ele está junto das minhas coisas, que separei para a viagem.
— Perfeito. Siga o plano. — tranqüiliza-lhe a rainha.
Na manhã seguinte, tudo estava arranjado. Tristão e Dinas prepararam o cortejo que levaria a dama; só faltava a noiva.
Isolda ainda demora-se um pouco em seu quarto e permite-se chorar, uma última vez, por ver seu sonho acalentado pela felicidade, destroçado.
— Posso até casar-me com Marcos... Mas ele jamais terá o meu amor — jura ela de forma solene e decidida. — Só lhe trarei dissabores na vida e ele irá arrepender-se por ousar desposar-me.
Ela sai, enfim. Quando chega diante do cortejo, recusa-se a olhar para seus pais e muito menos para Tristão.
Com a raiva, ela tratava-o pior que a um cão e quando este oferece-lhe a mão para ajudá-la a subir na carruagem, Isolda recusa a ajuda.
— Não me toques — diz ela friamente. — Não preciso da tua ajuda, sei subir sozinha.
— Como queira — diz ele tentando fazer pouco caso.
Isolda pega os alforjes dela e de Brangia e joga-os na carruagem.
— Ai, Grande Deusa! Não faça isso, Isolda!!! — desespera-se a criada.
Brangia corre desesperada até suas coisas e confere se está tudo bem, principalmente com o filtro feito por Isolda “a velha”.
— Graças! Não quebrou... — suspira aliviada.
— Não quebrou o quê? — pergunta a princesa, pegando o pequeno Huddent para que ambos subissem.
— Nada, senhora. Coisa minha — desconversa a aia.
Isolda senta-se com Huddent.
— Está tudo bem? — pergunta-lhe Tristão, tentando certificar-se se tudo estava em ordem, para que partissem.
Isolda não lhe respondeu, pelo contrário, virou o rosto numa atitude petulante. Tristão fica irritado...
Para quebrar a tensão, Brangia responde por ela.
— Sim, senhor. Podemos partir quando quiseres.
— Vamos, então.
Brangia não largava o seu fardo, o que acabou despertando a curiosidade de Isolda.
— Por que não largas isto? — pergunta a princesa com desdém.
— Porque eu não quero. Se importa? — retruca-lhe a aia.
Os reis estavam lívidos. Isolda recusou-se a se despedir dos pais. Ao reparar a demora, ela começa a reclamar.
— Como é? Vai demorar muito para levar-me aos meus funerais?
Tristão estava conferindo pela última vez as coisas e teve que contar até dez para não perder a paciência.
— Pára com isso, senhora! Deixe de provocá-lo e vamos partir em paz, por favor.
— O que estou fazendo é MUITO POUCO!!! Ele merece muito mais que isto! — grita mais ainda, para que Tristão a ouvisse.
Tristão abre a carruagem de forma violenta...
— Olha aqui, alteza! — surge ele à porta. — Eu faço a minha parte e tu, fazes a tua, fui claro? Comporta-te como convém à futura rainha da Cornualha.
Ele bate a porta. Huddent assusta-se e encolhe-se todo no colo de Isolda.
— Rainha da Cornualha... Pois sim! Olha Brangia, eu vou aprontar tanto, mas tanto... que o rei irá desistir do casamento e irá devolver-me aos meus pais!
— Senhora, seja prudente. Não faça nada precipitado — pede-lhe a criada.
— Ele não me conhece! Ou melhor! No meio da viagem eu vou fugir e tu, irás me ajudar.
— EU?! Nem pensar!!!
— É simples, não há o que temer. Quando dermos uma parada para descanso, vou fugir para Avalon!
— Ficaste louca?! Tu não sabes ir para lá! Talvez esta ilha nem exista, seja apenas lenda!
— Problema! Se não for para Avalon, irei para qualquer outro lugar que me impeça de casar com Marcos. Prefiro sumir, do que deixar-me possuir por um velho como ele.
— Senhora, acalma-te!
— Tristão não perde por esperar. Que ele me aguarde...
— Acho que as coisas não vão muito bem — comenta o rei Anguish com a rainha, após vir à cena.

— Espero que eles não se matem, antes de chegarem à Cornualha — completa a rainha preocupada.



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