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domingo, 7 de setembro de 2008

Tristão e Isolda-Capítulo 11: Tentativa de fuga (3ª parte)


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Cansada de lutar inutilmente, Isolda entregara-se às lágrimas. Lágrimas estas, que caíram uma última vez, no momento que deixara a casa de seus pais.
Brangia sente-se comovida e abraça sua senhora, a fim de consolá-la.
— Estou decepcionada, querida Brangia... Tristão não é mais aquele homem doce que conheci e por quem me apaixonei perdidamente.
— Mas também... exageraste na tua rebeldia, Isolda. Tiraste ele do sério, alteza — critica-lhe a aia.
— Eu só queria que ele me notasse e visse o quanto estou sofrendo... — chora Isolda.
Huddent também tentava consolar a dona, deitando a cabecinha peluda sobre o seu regaço.
— O que aconteceu conosco? — indaga Isolda inconformada. — Acho que não tenho escolha. Terei que aceitar o meu destino.
— Senhora, confie... Tudo irá se resolver, tenho certeza que te afeiçoarás a Marcos da Cornualha!
— Como pode saber?
— Eu sei.
Isolda não entendia de onde vinha tanta confiança de sua aia, mas percebia que tudo estava relacionado à bolsa da qual ela nunca se separava.
“ Que segredo ela está escondendo?” — pensava a princesa.
Quando chegam ao porto, Tristão solta-lhe as amarras.
— Estou soltando-te, mas espero que te comportes de agora em diante. Não cairia bem à princesa da Irlanda, embarcar amarrada — fala ele.
Isolda nada disse e de cabeça baixa, desce da carruagem e embarca no navio, que já os aguardava. Aquilo, cortou o coração de Tristão e sentira remorsos por ter tomado uma atitude tão extrema como aquela; só que Isolda não lhe deixara outra alternativa.
— Eu não queria fazer isto e tu sabes que é verdade — diz-lhe, embarcando também.
Isolda insistia em não encará-lo nos olhos e nem dava-lhe respostas. Em silêncio, Tristão leva Isolda e Brangia para a cabine que haviam preparado para ambas, e acomoda-lhes.
Foi uma viagem longa, de fato. Embarcados; só viam céu e mar.
Isolda não comera nada, desde que saíra do castelo de seus pais, o que deixou Tristão preocupado e achou por bem, levar-lhe algo para que comesse.
— Eu não quero comer. Leve isto embora.
— Não comeste nada, alteza, desde que...
— Não estou com fome.
Brangia observava-os em silêncio. Tristão estava transtornado por ver o estado de Isolda, mas tentava disfarçar ao máximo, porém, a ela, ele não conseguia enganar. Ele ainda amava Isolda e também estava sofrendo.
— Coma mais tarde, então. Vou deixar tudo sobre a mesa.
Ele pousa o prato e olha uma última vez para Isolda, antes de sair, soltando um suspiro prolongado e, engano ou não, Brangia reparou que os olhos dele também estavam úmidos. Tristão parecia fazer um esforço sobre-humano para não chorar. Inevitavelmente, Brangia começa a sentir uma grande pena de ambos. “coitados...” — pensava ela.
Quando viu que Tristão saíra, Isolda vai até a porta, onde estava acomodada, e acompanha-o até que ele sumisse na escuridão do convés.
— Apesar de tudo... eu ainda o amo... — confessa a princesa.
— Isolda, querida... Logo estarás casada e será melhor esquecê-lo... — pondera a aia.
— Jamais o esquecerei, Brangia. Tristão foi o meu primeiro e verdadeiro amor.
— Ai, credo! Vou tomar um pouco de ar, senhora. O balançar do navio está me enjoando — desconversa a criada, saindo.
Huddent já estava dormindo, próximo à mala de Brangia.
“Ora essa? Por que Brangia não guardou esta bolsa, junto com os outros fardos no bagageiro?” — pensa Isolda curiosa e abre a bolsa. — “O que é isso?” — indaga ela, tirando o frasco misterioso de dentro dela.
— O que é isto? — chega Tristão de surpresa e assusta-lhe.
Tristão tinha muito para falar com Isolda e quando viu a criada sair, voltara à cabine. Quando reparou no frasco que ela segurava, julgou que se tratasse de veneno.
— Não sei. Foi Brangia quem trouxe.Talvez seja um vinho...
— Deixe-me ver.
Tristão, imaginando que ela estivesse mentindo, tira-lhe o frasco e cheira.
— Ora qual, meu senhor? — debocha a princesa. — Pensas que é veneno? Achas que eu me daria a este luxo, por ti?
Injuriado com o tom irônico, ele vira um pouco na taça de barro, ao lado do prato de comida, e bebe. Se fosse veneno, Isolda o impediria, antes de sorver o primeiro gole; no que ela ficou ainda mais irritada pela desconfiança dele.
— Mais parece um chá... e é bom... tem um gosto diferente.
— Vai ver, foi minha mãe que fez para que eu me acalmasse! — diz ela, arrancando-lhe a taça da mão.
Isolda também despeja um pouco do líquido na taça e bebe-lhe de um só gole para peitar-lhe, mas antes, não o tivesse bebido... (fim da 3ªparte)

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