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Pelo mundo

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Tristão e Isolda-Capítulo 12: O Filtro do Amor (1ª parte)

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Imediatamente, Isolda sente um torpor percorrer-lhe todo o corpo e, como se perdesse o tato por uns instantes, deixa a taça cair de suas mãos. As mesmas sensações estavam acometendo Tristão. Seguido da sensação de frio, sobreveio-lhes uma onda de calor insuportável e olharam-se com um desejo incontrolável. Os dois corações já acelarados, pulsaram ainda mais rápido.
— Isolda... o que...
— Tristão...
Isolda atira-se em seus braços desesperada e ele, aperta-lhe com força como se quisesse, nunca mais, separar-se dela. A mágica surtira o efeito esperado; foi como se os olhos de ambos se abrissem para a realidade.
Tristão segura-lhe o rosto macio entre as mãos e une seus lábios aos dela; permitiram-se envolver pelo sortilégio e beijaram-se de forma ardente e apaixonada. Esqueceram honra e lealdade; foi como se a barreira e a distância que os separavam, tivesse se quebrado como um frágil cristal.
— Oh, Tristão! — diz-lhe Isolda ofegante. — É a ti que eu amo! Não quero pertencer a Marcos! Não permitas que ele me despose! Pela minha alma eu juro! Se ele me possuir, eu me mato no dia seguinte!
— Não! — Tristão agarra-lhe. — Meu amor, não digas uma insanidade destas!
Ele abraçou-a mais forte ainda, como se ao pensar em perdê-la, fosse o castigo mais cruel da sua existência. Aos poucos, foram revelando os sentimentos mais ocultos que guardavam.
— Querida amada! Eu te amei desde o instante em que, convalescendo-me da maldita chaga, despertei em teus braços.
— Se me amas... prova o que dizes! — implora ela às lágrimas. — Toma-me em teus braços e me ame! Me possua! Jamais serei de Marcos! Oh, meu amor, querido e adorado amor... Quero ser tua e somente tua!
Tristão não mais se conteve e deixou vazar o amor contido por tantos anos. Enfeitiçados e desesperados, pensaram num lugar discreto na embarcação, a fim de se amarem e se entregarem um ao outro, pois na cabine era muito arriscado, uma vez que Brangia poderia voltar a qualquer momento.
Tristão deixa para trás sua espada e Isolda, nem iria preocupar-se com o frasco do filtro que deixara sobre a mesa, destampado e pela metade; o que eles de fato queriam, era saciar o desejo que os consumia. O único local que veio-lhes a mente foi o bagageiro. Era um lugar, no porão do barco, onde ficavam os pertences dos tripulantes e viajantes. Ninguém ia até lá, a menos que chegassem aos seus destinos, para desembarcarem os alforjes.
Deitaram-se naquela solidão escura e guiados pelo desejo que os castigava, amaram-se como homem e mulher...
Isolda, tomada de incontida aflição, tentava livrá-lo da túnica pesada que usava, mas como ela não sabia como tirar-lhe a túnica de cavaleiro, Tristão mesmo o fez e de forma habilidosa e rápida.
— Estamos prestes a cometer uma loucura, Isolda... — comenta ele ao ter um ímpeto de lucidez.
Isolda, para que ele não mudasse de idéia, interrompe-lhe as palavras beijando-o com paixão e volúpia.
— E o que é o amor, senão uma grande loucura... — sussurra-lhe puxando-o para junto de si.
Tristão também livra-lhe das vestes e curva-se sobre ela. As mãos fortes e ágeis e calejadas por inúmeras batalhas, percorrem-lhe as curvas do corpo e Isolda, fecha os olhos para sentir cada toque de seus lábios mornos e cada carícia de suas mãos. Excitada, deixa-se consumir pela paixão e entrega-lhe a sua virtude, pensando com imensa satisfação: “Serei mulher de meu amado e não de Marcos...”

Neste exato momento, Brangia regressava à cabine apressada. Havia se encontrado com Sir Dinas no convés e perdera a noção do tempo, enquanto conversava com ele.
— Senhora! Voltei... Héim?
Brangia fica pálida e desnorteada; ela tinha certeza absoluta de que não deixara a poção à vista, porém, encontrou-a sobre a mesa e destampada; a taça caída no chão, contendo ainda um pouco de líquido, e a espada de Tristão jogada sobre a cama.
— Oh, não! Não... Não pode ser...
A criada lembra-se das palavras da rainha: “— Ninguém deve beber do filtro, somente minha filha e o rei. Principalmente Tristão. Se ele beber e Isolda, por um azar, beber também, haverá conseqüências muito sérias; porque eles já sentem amor um pelo outro e se beberem juntos, o sentimento irá intensificar-se e se transformará numa irresistível atração e com poucos momentos de prudência e lucidez. Sendo assim... cuidado, Brangia...”

— Essa não! A rainha vai me matar quando souber!
Fim da 1ª parte

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