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terça-feira, 14 de outubro de 2008

Tristão e Isolda-Capítulo 12: O Filtro do Amor (2ª parte)



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Brangia busca-os, então, por todo barco e por fim, lembra-se do único lugar onde ainda não estivera, o bagageiro. Porém, tarde demais...
Ambos já estavam entrelaçados e nus, com a capa vermelha de Tristão sobre eles. Ela firmou o olhar na escuridão e percebeu que os amantes trocavam carícias e beijos apaixonados, intercalados com suspiros, palavras sem sentido e gemidos de prazer.
“Oh, não! — pensa a criada, virando-se aflita. — O que eu fiz?”
A criada sobe ao convés e afasta-se para chorar e, pela sua mente, passaram-se muitas coisas.
“O casamento será marcado... Noiva impura... O rei vai perceber e a devolverá aos pais, acusando-a de não preservar-se até o casamento... A verdade virá à tona e Tristão será condenado à morte por traição... Oh, dia desgraçado! E tudo por minha culpa!” — chorava ela, quando foi surpreendida por sir Dinas.
— Brangia?! O que tens? Por que choras?
— Sir Dinas? Oh, por Deus! Me ajude!!!
Brangia agarra-se a ele e conta-lhe tudo.
— O quê?!! Filtro de amor? Como isso é possível?
— Oh, por favor! Não os denuncie! Eles não têm culpa, eu que fui a culpada!
— Não, eu não vou denunciá-los. Antes de mais nada, Tristão é meu amigo... Mas precisamos fazer alguma coisa. Eles não podem continuar com isso até serem descobertos. O dia já está amanhecendo.
— O que vai fazer?— pergunta a criada, soluçando.
Dinas cria coragem e bate com força à porta do alçapão que levava ao porão. Tristão e Isolda se assustam.
— Quem será? — pergunta preocupada.
Tristão veste-se rápido e Isolda faz o mesmo.
— Tristão! — chama Dinas.
— É Dinas — reconhece o cavaleiro.
— Senhora! Minha senhora!
— E esta é Brangia.
Os dois saem juntos e Brangia, assim que os vê, lança-se aos prantos aos pés de ambos.
— Perdoem-me!!! — pedia desesperada. — Oh, Deusa! Foi minha culpa!!!
Eles não entenderam nada. Dinas estava pálido e olhava para Tristão.
— Do que estás falando, Brangia? — indaga Tristão já nervoso.
— Vós fostes enfeitiçados! — revela a criada por fim.
— Como? — assusta-se ele. — Que história é essa?
— A garrafa... A garrafa era um filtro do amor!
— Aquilo era um feitiço? — grita Isolda já compreendendo o que se passara.
— Sim. Um feitiço para que tu e Marcos bebessem e se apaixonassem. Tua mãe o fez, para que não sofresses com o casamento, alteza.
— Oh, não... Meu amor. Nós fomos amaldiçoados! — desespera-se Isolda.
Tristão, sem pensar direito, agarra Brangia de forma violenta.
— Deve haver uma maneira de reverter o feitiço. Fale Brangia!!!
— Tristão, acalma-te e solta a moça! — intervém Dinas, afastando-o da pobre aia ao ver-lhe a fúria.
— Não há como, senhor. Não há um contra-feitiço para isto. Só o que sei é que ele dura três anos, levando os amantes à uma paixão cega e louca.
— O quê?! Três anos?! — fala Tristão desesperado.
— Infelizmente sim, meu senhor.
— Estamos perdidos, Tristão — conclui Isolda.
Os dois ficaram muito chocados com a nova; Sir Dinas procurava conversar com eles para acalmá-los e buscarem juntos a melhor solução.
Brangia continuava a chorar de remorsos. Huddent acabara de acordar e espreguiçava-se, alheio ao que se passava ao redor e, inocente, fez festa em todos, mas ninguém deu-lhe muita atenção.
— Eu não sei o que fazer, Dinas — dizia Tristão perplexo.
— Eu ainda acho que a melhor solução é fugires com Isolda, ainda mais agora, depois do que houve — Dinas torna a insistir no assunto.
— Eu não posso fazer isso com meu tio.
— E achas tu, que suportarás estar perto de Isolda e não poder tocá-la, estando sob feitiço? Será muito pior ambos serem pegos em pecado, do que se fugirem agora.
— Meu amor... Sir Dinas está certo... — fala Isolda. — Digo-te por mim mesma. Eu não vou conseguir afastar-me de ti, manter distância... Acabaremos descobertos — Isolda acaricia-lhe o rosto aflito.
— Maldita hora em que bebi aquele líquido! — desabafa ele.
— Nós não tivemos culpa, meu querido. Não sabíamos que se tratava de um feitiço de amor — retruca-lhe Isolda.
— E não é só isso... — Dinas olha para as duas moças e pede-lhes que se retirem um instante, pois o que falaria a Tristão era muito íntimo e precisava de total discrição. Não cairia bem falar de tal assunto na frente delas.
Elas obedeceram.
— Isolda não é mais pura. Sem querer, movidos pela paixão, ambos se deixaram arrastar pelos sentimentos e tu a desonraste. Como achas que teu tio reagirá a isto? Será uma vergonha para Isolda. Vais permitir que ela passe por isto?
— De jeito nenhum! Jamais!
— Tristão, agora falo-te como amigo: quando desembarcarmos na Cornualha, fuja com Isolda, case-se com ela, se preferir e deixe que de Marcos, cuido eu. Eu tentarei descobrir uma maneira de contornar a situação.
— Acho que tu estás certo, meu amigo. É a melhor solução. Que a lealdade seja esquecida, então, porque minha Isolda não merece passar por tamanho constrangimento!
— Eu não estou pensando apenas nela, mas em ti, também. Tu sabes muito bem o que acontecerá se deixarmos que isto vá avante, não sabes?
— Sim. Eu sei.
Dinas pousa a mão sobre os ombros dele.
— Tomaste a melhor decisão, amigo. Agora vá lá fora e converses com Isolda para transmitir-lhe tua decisão. Fim da 2ª parte

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