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Pelo mundo

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Tristão e Isolda-Capítulo 13: Bodas de Desespero (1ª parte)


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Em todo percurso, reinaria um silêncio mortal, se não fosse por Marcos tagarelando sobre as belezas agrestes da Cornualha. Cavalgando ao lado do rei, Isolda buscava, com seus olhos aflitos, os olhos de Tristão para obter algum alento; alguma força para suportar o que estava por vir.
Tristão preferiu retardar-se um pouco e cavalgar atrás do cortejo, uma vez que estava muito perturbado. Dinas seguia ao lado dele e tentava persuadi-lo a não perder as esperanças e reverter a situação.
— Ainda dá para ambos fugirem, Tristão!
—É tarde demais — sentencia ele desanimado.
— Nunca é tarde!
— Não percebeste, Dinas, o quanto meu tio está feliz? Parece um jovem de 20 anos... Nunca o vi assim!
— E o amor de ambos? Como fica? Eu não me conformo com esta resignação.
— Querendo ou não, eu tenho uma dívida incalculável para com este homem... Eu não posso fugir agora, com Isolda, e apunhalá-lo com tamanho desgosto!
— Oh, céus! Se há uma coisa em ti que eu desprezo e esta tua teimosia!
— Eu nasci teimoso e vou morrer teimoso — retruca ele.
— E o meu medo é justamente este — fala Dinas. — Meu medo é esta teimosia toda, levá-lo a um abismo sem fim!
— Talvez Sir Gawain tenha razão, quando diz que nasci sob má estrela... — desabafa ele de forma irônica.
— Ora! Faça-me o favor! Pare de dizer asneiras, homem! Sofrerás porque tu queres, não culpes o destino e nem qualquer estrela por tua insensatez! — replica-lhe o amigo.
No castelo, Marcos ocupara Basílica de cuidar de tudo e preparar a recepção, até a chegada de todos. Algumas moças já se encontravam no castelo para servirem de companhia à jovem e futura senhora da Cornualha.
Quando enfim chegaram, Basílica recebe a princesa de braços abertos, junto com as moças; estas, olhavam-na curiosas e admiradas pela beleza da futura rainha.
— Nossa! Ela é linda! — comentavam elas entre si.
— Meninas! Se aviem, vamos! Cumprimentem a princesa!
— Estamos encantadas em conhecer-vos, alteza! Meu nome é Lívian!
— Eu sou Helena — falou uma outra.
Seguidas umas das outras, as moças se apresentaram e cumprimentaram Isolda. A princesa respondia-lhes com cortesia, tentando mascarar a tristeza.
— Já conheceram vossa futura senhora, não? — diz-lhes Basílica. — Pois agora, retirai-vos! Ajudem com os preparativos para o jantar!
As moças saem.
— Oh, minha linda criança! É um prazer conhecer-te, alteza!
Isolda estava um tanto calada e só respondia com um sorriso leve e tímido. Em seus braços, estava seu cãozinho, que ela abraçava fortemente. Huddent já começava a sentir-se incomodado com aquilo; se ele falasse, talvez dissesse-lhe que ele não era uma almofada, para ser tão apertado daquele jeito.
— Meu senhor. Se me permites, levarei as duas moças para os aposentos femininos pois, ao que me parecem, estão muito fatigadas da longa viagem.
— Oh, sim, cara Basílica! Pode acomodá-las. Quero que minha noiva esteja descansada, para o jantar que oferecerei em sua honra esta noite — concorda rei Marcos bem humorado.
Basílica conduz Isolda e Brangia até o quarto e tagarelava animada contando-lhes sobre as maravilhas da Corte da Cornualha. Isolda tentava ser a mais simpática possível com sua guia e anfitriã, entretanto, sentia-se muito triste para prestar atenção às suas palavras.
— Espero que tudo esteja do vosso agrado, caras damas.
— Obrigada, senhora — agradece Isolda amuada.
— Estou achando-vos tão triste, minha querida — comenta Basílica fingindo-se preocupada. — Oh, mas eu entendo perfeitamente o que sentes! Afinal! Fostes tirada da casa dos vossos pais para vir à uma terra estranha e casar-vos com um homem, que nem a corte vos fizera. É horrível o que fazem com as mulheres! Porém, não fique assim. Com o tempo, irás acostumar-te à nova realidade e conformada, aceitarás o marido que a vida ofereceu-te. Sei do que falo, porque também já fui casada.
— E agora? Não és mais?
— Não. Sou viúva agora. Meu finado esposo morreu há mais ou menos um ano — Basílica faz uma pausa. — Coitado... era um bom homem.
— A senhora o amava?
— Com o tempo aprendi a amá-lo, meu bem. E é talvez o que também aconteça contigo. Com o passar dos anos, te afeiçoarás ao teu marido, a não ser que, tão jovem e bela como és, tenhas deixado um grande amor para trás, nas terras da Irlanda. Neste caso, torna-se um pouco mais difícil, o que não era o meu caso...
Isolda ficara pensativa com as palavras de Basílica e deixa seus devaneios irem ao encontro de Tristão. Não deixara o amor tão distante, como pensava a simpática mulher; pelo contrário, ele estava muito próximo e sentindo-se decepcionado da mesma forma que ela, ao ver o rei Marcos vindo recebê-los no porto de Tintagel e frustrando assim, o sonho de fugirem juntos e viverem felizes para sempre, talvez nas terras de Lionês.
— Bom, esta será sua cama por enquanto, até casar-se — Basílica a conduz à cama mais bela e recém preparada. Os lençóis de linho, perfumados e limpos. — Creio que já falei demais e as duas devem estar ansiosas para dormirem um pouco. E não há nada melhor! O sono é o melhor companheiro da beleza da mulher. Descansem queridas e vou dizer ao rei que já as acomodei.
Delicadamente, Basílica sai e fecha as moças, e a seguir, empina o nariz bem feito e olha com desdém para a porta, antes de afastar-se de vez.
No aposento grande, mobiliado de forma singela e com várias camas, uma luz cálida invadia o espaço, dando ao lugar uma atmosfera acolhedora. Os leitos eram confortáveis e as cabeceiras esculpidas e trabalhadas com vários símbolos bretões, envoltas numa espécie de dossel brocado, para manter a privacidade de suas ocupantes. No canto uma roca e um velho tear, uma escrivaninha e várias cadeiras.

Brangia começava a desfazer as malas, enquanto Isolda sentava-se no vão da janela, com Huddent ainda em seu colo. Foi nessa hora, que Brangia percebeu um soluço sentido e aproximou-se de sua senhora. Isolda chorava, agarrada ao seu cão.
— Minha senhora... Outra vez às lágrimas?
— Não consigo evitar, minha amiga. Só de pensar que agora, eu e Tristão poderíamos estar a caminho de Lionês...
— Mas vós ainda podeis fugir...
— Não, Brangia. Conheço Tristão. Ele não fará isto, agora que está sob o teto de seu tio. Ele jamais irá ferir-lhe, com tamanha desonra... Oh, meu pobre e querido amor! Deves estar sofrendo, na mesma medida que tua Isolda, neste momento. Ou até mais do que eu, por ver-se tão impotente, diante da situação que se fechou contra nós. O que será de nós, agora? — lamentava-se Isolda, inconformada.
E de fato, era verdade.
O regente da Cornualha organizou uma grande festa que durou muitos dias, por conta do seu casamento, com direito a um grande torneio de “justas” entre os cavaleiros. Só estranhou Tristão não querer participar.
Logo a notícia do futuro enlace entre Marcos e Isolda corre por toda a Bretanha e chega aos ouvidos do rei Arthur. Não muito tempo depois, um mensageiro da Cornualha aparece em Camelot, portando o convite oficial.
— Eu não acredito! Finalmente esse homem decidiu casar-se?! — falava Arthur em tom galhofeiro. — Por Deus! Ocorrerá um novo “Dilúvio”!!!— ria o Grande Rei com a nova.
— De quem falais, meu senhor? — pergunta Gwenevere curiosa.
— Como de quem, senhora? Esqueceste das últimas novidades, minha Gwen? O velhaco do Marcos resolveu casar-se e hoje chegou-nos o convite!
— Então é verdade, meu senhor? Não foram apenas boatos?— ri Gwenevere surpresa.
Arthur passa-lhe o convite para que ela o lesse.
— Nós iremos, Arthur?
— Por certo que sim, minha esposa! Não perco este acontecimento único por nada neste mundo! — fala Arthur bem-humorado.— E veja só! O “safardanas” demorou a decidir-se pelo matrimônio, mas em compensação, escolheu muito bem a noiva! Velhaco!!! — a gargalhada sonora do rei ecoou pelos aposentos.
— Arthur... não vá fazer galhofa com o rei Marcos no dia do casamento dele. Controle-se em suas brincadeiras — adverte-lhe a rainha.
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