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Pelo mundo

domingo, 9 de novembro de 2008

Tristão e Isolda-Capítulo 13: Bodas de Desespero (2ª parte)


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Arthur e Gwenevere trataram de preparar a viagem.
Junto com os reis, outros cavaleiros da Távola Redonda os acompanharam: Lancelote, Gawain, Percival e Bors. Estes quatro, em vez de regressarem para ver seus parentes, preferiram permanecer em Camelot, após a derrota dos saxões, aperfeiçoando as táticas de combate que empreenderam na guerra, no caso de alguma ameaça de nova invasão pelos bárbaros, tão comuns naquela época.
— Nossa! Dizem que grandes torneios esportivos estão sendo realizados por conta do noivado e casamento de Marcos! — comentava Sir Percival, com os olhos iluminados de excitação.
— Para mim será ótimo! Minha espada e minha lança estão sedentas de sangue! — fala Sir Bors animado.
— Meu velho e fiel Bors! São torneios esportivos, sem o intuito de derramamento de sangue! Deveis controlar vossa força, pois eles não são saxões!— adverte-lhe Arthur.
— Até que seria bom, se fossem torneios mortais... — murmura Gawain. — Teria um grande prazer em enfrentar “o fedelho” outra vez.
— Ora! Não começa, Sir Gawain! — repreende-lhe Sir Lancelote. — Aquele “fedelho”, como dizes, é Sir Tristão e é nosso companheiro e irmão de armas!
— Mas Santo Deus! — exclama Arthur em seu costumeiro tom debochado. — Ainda com esta birra infame contra Tristão, caro primo?
Todos riram. Gawain fez um muxoxo e emburrou a cara.
— É verdade! — comenta Sir Percival, lembrando-se. — Sir Tristão está na Corte de Marcos! Será ótimo rever nosso velho amigo!
O mago Merlin também fazia companhia a Arthur, queria rever Morgana, pois ela também fôra convidada para o grande evento, por ser senhora da Cornualha.
No castelo de Tintagel, Marcos recebe um comunicado oficial, confirmando a presença de Arthur.
— Veja, minha noiva! O Grande Rei confirmou a presença! Ele virá para o nosso casamento! — comemorava Marcos feliz. — Estás feliz, minha senhora?
— É uma grande honra receber o rei Arthur nesta Corte — desconversa Isolda.
— Perguntei se estavas feliz, minha querida.
— Se meu noivo está feliz, eu também estou — disfarça ela.
— Por Deus! Onde está Tristão? Ele anda tão estranho ultimamente! Pouco fala, não participa mais das coisas que acontecem ao redor dele... Vive mais enclausurado em sua casa perto do alojamento dos guardas do que conosco...
Isolda estremecera um pouco. De certo ela sabia que Tristão evitava tudo aquilo para não sofrer ou fugir do pecado. Eles continuavam enfeitiçados, isto era inegável, e estarem próximos um do outro poderia dar razão à insensatez e caírem outra vez em tentação.
Audret e Basílica estavam presentes e prestavam atenção às palavras do rei.
— Se estás tão preocupado, chame-o meu tio? — sugere-lhe Audret de propósito. Queria muito ver a reação de Isolda e Tristão, durante o jantar.
— Pois farei isto! Ele precisa saber que o rei Arthur virá e tomará parte em nossa alegria.
Marcos sai do torreão, corta o pátio interno passando pelas cavalariças e vai até o alojamento de Tristão, uma espécie de casebre de apenas um cômodo, mas amplo e confortável o suficiente para uma única pessoa. Ele estava recostado na cama, com a harpa nas mãos e absorto da realidade. Mecanicamente, dedilhava as cordas sem saber o que tocava e assusta-se ao ouvir batidas insistentes na porta.
— Tristão!!! Abra agora! Quero falar-vos, meu sobrinho! Trago-vos boas novas!
Tristão hesita. Não queria abrir a porta, mas vendo o tio tão suplicante acabou cedendo.
— Ora qual, rapaz? Quer fazer-se monge?! — brinca Marcos.
— Perdão, meu senhor... mas não estou me sentindo bem...
— Estás doente? — pergunta Marcos aflito e já querendo tocar-lhe para ver-lhe a temperatura.
Tristão segura-lhe a mão de forma educada e abaixa-lhe o braço. Ver o tio preocupado, como um pai, fazia-o sentir-se muito pior; ainda mais depois do que houve entre ele e Isolda.
— Não estou enfermo, senhor... é uma má fase. Portanto não vos preocupeis.
— Má fase? — Marcos não entendeu.
— Quais as novas que meu tio traz? — desconversa ele tomando o rumo da conversa, que havia se perdido.
— Ah, sim! Se passais por má fase, trago-vos certas notícias que irão alegrar-vos um pouco!
— Serão bem vindas... — suspira ele.
— O Grande Rei e a Rainha virão para o casamento. E não só ele! Juntos virão alguns cavaleiros! De certo, teu amigo Lancelote será um deles.
— Folgo em saber tão alegres notícias, meu senhor.
— Bem, mas, deveis melhorar este semblante! Não desejarás receber tão estimados amigos com esta face abatida, não é? Vamos — Marcos começa a puxá-lo.
— Pra onde? — gagueja ele.
— Jantar, ora essa! Que mais seria?
— Não, tio... eu... — Tristão tenta esquivar-se.
— Ora céus! Precisa vos alimentar homem! Anda! Mais um jantar em honra à futura rainha será servido!
— Por obséquio, senhor! Não estou com fome agora!
— Mas que teimosia! Terás a coragem de fazer mais esta desfeita à princesa Isolda?
Marcos empurra-o, literalmente, à sala de jantar.
Os criados e os convidados ficaram surpresos com aquele falatório todo. Isolda reconhecera a voz de Tristão e sentia-se feliz; há muito tempo que Tristão evitava estar em sua presença, mas ela queria vê-lo, sentia a falta dele.
— Eu não estou com fome!!! Já disse!!!!— berrava ele indignado.
— Que não está com fome o quê! Há muito tempo que não te alimentas direito, rapaz! — teimava o tio. — Eu não quero ter que prestar contas ao vosso pai, do outro lado, quando eu partir desta vida miserável! “Olha Marcos... — dirá vosso pai. — Confiei-vos meu filho e não cuidastes dele como pedi que o fizestes...” — inventa o rei.
Marcos fez ele sentar-se à força na mesa. Muitos riram.
Os olhos de Tristão e Isolda, depois de dias, voltaram a se cruzar.
— Tristão... — fala ela sorrindo e mais aliviada por vê-lo bem.
— Bons dias, senhora... — cumprimenta ele sem graça e já sentindo o coração palpitar, com o sorriso doce que Isolda devotara-lhe.
Tristão cala-se e abaixa os olhos. Queria evitar-lhe o olhar, mas não conseguia desprender-se dos olhos dela por muito tempo.
Marcos mandou começarem a servir os pratos.
Sir Audret sorria de satisfação ao ver o primo sentindo-se tão desconfortável. De quando em vez, lançava um olhar sugestivo à Basílica e degustando uma boa taça de vinho. Tristão não conseguia falar uma palavra, queria que aquilo tudo terminasse logo para voltar à sua solidão.
E o que mais irritava a ele, era Marcos comentando sem parar dos preparativos do casamento; um verdadeiro suplício. Mas o simples fato de estar próximo à Isolda, reacendera a chama do desejo, por isso ele evitara este reencontro ao máximo.


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