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Pelo mundo

domingo, 16 de novembro de 2008

Tristão e Isolda-Capítulo 13: Bodas de Desespero (3ª parte)

foto: olhar enigmático de Morgana

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Após o jantar, Tristão quis vê-la e mandou Brangia entregar-lhe um bilhete, dizendo que precisava encontrá-la. Brangia, esperançosa, julgara que ele estava disposto a tentar fugir outra vez.
Isolda, naquela noite, antes das donzelas se recolherem, recebe-lhe rápido em seus aposentos enquanto Brangia ficara de guarda. Outra vez juntos, ambos se abraçaram e se beijaram, matando a saudade que sentiam e Isolda tentara persuadi-lo a fugir de novo, mas no dia seguinte, o noivado já estava marcado e por ordem de Audret, Basílica grudou-se em Isolda usando o pretexto de ajudar-lhe com os preparativos, no que acabou frustrando qualquer plano que ambos pudessem combinar, pois a prima não dava-lhes nenhum espaço.
Uma semana antes do casamento, chegaram os demais convidados.
Um homem anunciava a cada um à medida que chegavam. A primeira a chegar e que era uma das figuras mais ilustres e esperadas foi Morgana, casada agora com o rei Uriens. As moças que Isolda tomava conta, correram para vê-la.
— Vejam! É Lady Morgana! — falava uma delas empolgada.
— Ela é que é a famosa Morgana das fadas? — falou outra admirada. — Eu achei que ela fosse mais alta!
— Lady Morgana! É um prazer tê-la conosco neste momento solene! — cumprimenta Marcos.
— Vejo que estás cuidando muito bem destas terras! A Cornualha está prosperando! — comenta ela.
— Rei Uriens — Marcos faz-lhe uma reverência. — Rei Uriens, senhora Morgana, esta é Isolda minha futura esposa — apresenta-lhe o rei.
Morgana olhara-a fundo nos olhos o que muito perturbou Isolda. A ela, parecia-lhe que a famosa feiticeira da Deusa, invadira-lhe o fundo de sua alma. O certo é que Morgana, sensitiva como sempre, percebe que algo muito sério atormentava Isolda e a fazia infeliz; porém, Morgana foi discreta e nem fez-lhe perguntas sobre isso; não era de sua alçada invadir-lhe a privacidade.
O noivado foi muito bem organizado e dentro de sete dias seria o casamento. Uma festa para entrar na história da Bretanha e mais ainda quando chega, finalmente, Arthur e seus cavaleiros. As moças ficaram mais excitadas com a chegada deles.
— Vejam!!! É o Grande Rei e sua esposa! — exclama Helena, dando pulinhos de contentamento. — Olhem!!!! Quatro cavaleiros!
— Um deles deve ser Sir Lancelote! — grita Lívian encantada.
— Quem será? Ai, quero conhecê-lo! — fala outra quase delirando.
— Tristão! — chama-lhe o tio. — Venha! Vamos fazer-lhes as honras!
Ao receber a notícia da chegada deles, Tristão sentira-se mais animado.
Marcos, acompanhado de toda a Corte, foi recebê-los. Ao lado dele estavam Isolda e Tristão, acompanhados de Audret, Basílica, Brangia e Sir Dinas de Lindan.
— Senhor, meu rei. Eu e Isolda senti-mo-nos lisonjeados com vossa régia presença!
— Bajulador incorrigível este! — caçoa o rei.
— Como, meu senhor? — espanta-se Marcos.
— Arthur Pendragon, não comece! — repreende-lhe Gwenevere. — Esqueceste do que conversamos, durante a viagem?
— Nossa! As mulheres não têm o menor senso de humor! — reclama ele. — Ah, mas quem eu vejo?! Tristão!!!!
Arthur nem deixou ele reverenciá-lo, já foi abraçando-o. Tristão sentira-se um verdadeiro chocalho nas mãos do rei. Arthur era capaz até de desmontá-lo, de tal que fora o cumprimento dele.
— Meu senhor e meu rei — ri Tristão depois de tantos dias. — Eu devo por obrigação ajoelhar-me e saudá-lo!
— Ora, deixe disto, rapaz! Sem cerimônias hoje! Quero esquecer que sou rei por um dia! —fala ele bem-humorado.
— Sir Tristão! — diz-lhe Lancelote, abraçando-o.
Tristão ainda mal se recuperara do abraço do rei e já recebera outro em seguida. Mas Lancelote foi menos “agressivo”.
— Lance! Folgo em vê-lo outra vez! — cumprimenta Tristão feliz.
— Ei! Alto lá! Agora é minha vez! Com licença! — fala Percival aproximando-se.
— Sir Percival! — exclama Tristão.
Ambos também se abraçam, só faltava Gawain...
Todos olharam para ele e Arthur franziu o cenho, como se dissesse ao primo: “olha a cortesia”. Contrariado, Sir Gawain apenas estende a mão para saudar o jovem cavaleiro, mas é Tristão que o abraça.
— Ei! Me larga!!! Detesto homem me agarrando!!!!
— Apesar de tudo, eu o admiro, Sir Gawain — fala-lhe Tristão, deixando-o totalmente sem graça.
Depois da calorosa saudação do rei e dos cavaleiros a Sir Tristão, Marcos apresenta Isolda.
— Nossa! Como é belíssima!!! Demoraste homem, mas escolheste bem a noiva! — Arthur não conseguira evitar a ironia, apesar das recomendações de sua esposa.
Gwenevere desistira de controlá-lo. Seu marido era, e sempre seria essa figura carismática e bem-humorada.
— Sir Tristão. É um prazer revê-lo e gozando de perfeita saúde — fala-lhe Gwenevere estendendo-lhe a mão.
Com muita reverência e respeito, Tristão beija-lhe a mão e saúda a rainha.
— Faço minhas vossas palavras, senhora.
— Isolda. Trouxe-vos um presente.
Gwenevere chama os criados, que faziam parte do cortejo real, e pede-lhes que trouxessem a caixa com o presente de casamento.
Era um colar magnífico, incrustado de safiras azuis e feito do mais puro ouro-branco, minério muito raro de se ver. Tal colar combinava muito bem com os belos olhos azuis de Isolda.
— Este é o nosso presente, alteza. Com os mais sinceros votos de felicidade — fala-lhe a Grande Rainha.
— Agradeço-vos tão sublime gentileza, Majestades.
Lancelote repara uma nuvem de tristeza nos olhos de Isolda, da mesma forma que Morgana. “Será que ela não gostou do presente dos reis?...” — pensa ele intrigado, pois reparara que Isolda fazia um grande esforço para demonstrar alegria pelo presente.
O mago Merlin da Bretanha também aproximou-se e saudou a todos. Rei Marcos, Isolda e Tristão curvaram-se em respeito ao grande Druida e conselheiro do Grande Rei. Apenas Audret recusava-se a prostrar-se diante de um adorador do demônio, como sempre dizia dos druidas e das sacerdotisas da Deusa e afastara-se com Basílica, discretamente, para evitar aquele contato.
Outra figura importante e que era esperada com ansiedade, seria Dom Patrício, arcebispo de Glastonbury e primaz da Igreja romana na Bretanha. Este alto prelado iria celebrar as bodas.
Dom Patrício chegara no sábado, pela manhã e foi muito bem recebido por Marcos. O casamento era questão de horas.
No castelo, os criados trabalhavam sem parar, para deixarem tudo a contento para o Domingo. Durante o almoço de sábado, em honra do arcebispo, Dinas aproxima-se do rei e diz-lhe algo ao seu ouvido, cuidando para que ninguém ouvisse.
— Como? Eles chegaram? Por Deus, mande o arauto anunciá-los!
— Eles quem, meu senhor? — pergunta Isolda curiosa.
— É uma surpresa, querida noiva.
Isolda quase caíra para trás, quando o arauto anunciou os reis da Irlanda. Ela não sabia se ria ou chorava ao ver seus pais. Havia sido tão injusta com eles no dia que deixara a Irlanda; mal se despedira.
O rei Anguish Gormond e a rainha Isolda “a velha” adentraram o salão, fazendo calar os lábios de todos. Em sinal de respeito, rei Marcos levanta-se e todos repetem o gesto dele. A antiga desavença havia caído por terra e pelo milagre, que só uma aliança consegue providenciar, os súditos da Cornualha curvaram-se ante os reis do antigo país inimigo. Embora muitos o fizessem forçado, eles não tinham escolha; O regente da Cornualha faria um pacto de paz, ao contrair casamento com a herdeira irlandesa e o passado seria finalmente esquecido.
— Ora, vejam só! — disse Arthur em tom galanteador. — Daí se explica de onde a princesa herdou tanta formosura! Ai! Gwen?! Por que me beliscou, mulher?
— Me respeite, senhor meu marido!
— Mas nenhuma se compara a ti, querida! — tenta consertar o Grande Rei.

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