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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Tristão e Isolda-Capítulo 13: Bodas de Desespero (4ª parte)


foto: Isolda, a mãe
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Morgana reparara em Isolda “a velha”, vira-lhe o crescente na testa e comenta com o marido.
— Ela é uma seguidora da antiga religião. Como nós...
— Por certo que sim, minha senhora. Aquela marca é idêntica a vossa.
O grande Merlin, também sorria ao vê-los. O único que demonstrara um grande desconforto com a presença dos dois fora o Bispo, mas ele tinha que suportá-los, afinal, eles eram os pais da noiva.
— Pai! Mãe!
Isolda corre para abraçá-los.
— Oh, minha pequena! — exclama a rainha abraçando-a saudosa.
— Eu não sabia que viriam...
— Marcos da Cornualha mandou-nos um convite, comunicando o dia e a hora do casamento.
— Ele não me disse nada!
— Ele queria fazer-te uma surpresa, minha filha — confessa-lhe o pai.
Isolda olha para o noivo, Marcos se aproximava para cumprimentá-los. Nesta hora, Isolda percebera uma coisa: Marcos era um bom homem e talvez, fosse tão vítima quanto Tristão e ela.
— Venham, Majestades! Tomem acento conosco!
Os reis irlandeses sentaram-se e Anguish começou a procurar por algo, ou alguém.
— E Sir Tristão? Não o vejo por aqui! — comenta sem querer.
Rei Marcos estranha mais uma vez a ausência de Tristão.
— É mesmo! Por Deus, onde ele se meteu agora? — perguntara-se o rei.
Isolda estava calada e pensativa.
— Isolda, querida? Sabes de alguma coisa?— pergunta-lhe.
— E por que eu haveria de saber? Tristão não me deve satisfações, meu senhor.
— Deve sim, e muito! Em breve serás senhora da Cornualha e deverá ser-te fiel e obedecer-te, como obedece a mim. Sinceramente, eu não entendo; ambos pareciam tão próximos quando desembarcaram no porto?! Por que ele a evitas agora?
— Talvez para preservar-me de comentários maldosos — responde Isolda.
— E há algum motivo para isso?
— Motivo não há, meu rei — mente ela, para proteger Tristão. — Mas não convém à uma noiva, prestes a tornar-se esposa, ficar a conversar com outros homens, que não sejam o seu pretendente, pelos corredores de um castelo — tenta justificá-lo.
— Minha filha tem razão, rei Marcos — fala a rainha tentando protegê-la.
— É... com vossa licença, Majestade... — intervêm Sir Lancelote. — Eu sei onde está Tristão. Encontrei-o pela manhã nas cavalariças, arrumando um cavalo. Perguntei-lhe o que fazia e ele me disse, por meias palavras, que precisava sair, mas não entrou em detalhes. A mim, pareceu-me que estava um pouco alterado.
— Ele está muito estranho... — comenta o rei.
Isolda deixa sua mente vagar e lembra-se da discussão ferrenha, que ela e Tristão tiveram pela manhã e que resultou naquela fuga...

“Com a ajuda de Brangia, ambos se encontraram às ocultas mais uma vez. No diálogo conturbado, Tristão estava preocupado com a desonra dela e cismara que deveria contar a verdade ao rei, assumindo que seduzira Isolda, embora a contragosto dela, fazendo cair a culpa, apenas sobre si. Isolda seria perdoada e ele arcaria com todas as conseqüências.
Pela primeira vez, Isolda usara de sua autoridade de futura rainha e proibiu-o de fazer isto:
— Se tu fizeres isto, serás condenado por alta traição e serás morto por pena máxima! — lembrara-se ela.
— Eu não me importo... — teimava ele.
— Mas eu me importo!!!! Não quero ser responsável por tua morte!!!!! Tristão, eu, como tua futura rainha, proíbo-te de tomares uma atitude besta como esta!
— Por Deus, não me faças cumprir uma ordem destas!
— Meu amor... És o meu único alento nesta vida miserável e queres privar-me, tão precocemente, de tua companhia?! Não! Não permito esta loucura! — Chorava Isolda desesperada.
— E tu? O que será de ti, meu Deus? Nós chegamos às últimas conseqüências, desonrei-te! Meu tio não é tolo! Ele vai perceber!!! Isolda, eu não quero que morras... — Tristão começara a desesperar-se também.
— Nós não vamos morrer! Não tivemos culpa! Nosso único pecado, talvez, seja nos amarmos muito e profundamente, embora tenha surgido esta maldita idéia de casamento! Mas asseguro-te que darei um jeito, querido, pensarei em algo para que o rei não perceba.
— Não há como! Isto é uma esperança vã e tola, senhora!
— Tristão, pela alma o juro, se me desobedeceres e contares ao rei, eu irei contrariar a tua versão diante de todos. Não ficarei calada, deixando a culpa apenas para ti. Queres morrer? Pois então, morreremos juntos. Escolha!
Tristão ficara totalmente desfigurado com aquela ameaça.
— Tu não serias capaz... — falou ele entre os dentes e com voz entalada.
— Experimente! Conte ao rei a verdade e verás do que sou capaz! — ameaçou-lhe Isolda enxugando as lágrimas e assumindo a forma altiva de uma rainha.
Tristão ficou indignado e, totalmente transtornado, afastou-se dela. Nem sequer olhou para trás...”

Foi assim que aquela discussão findara. Uma verdadeira troca de ameaças e na certa, Tristão pegou um cavalo e saiu a esmo, para tentar esfriar a cabeça.

Na praia, próximo ao castelo da Cornualha, uma figura solitária amarrara o cavalo num arbusto e deitara-se na areia. No horizonte, nuvens adensavam-se em cúmulos pesados e imponentes e de tom ligeiramente acinzentado. Prometiam chuva para breve. Na areia, Tristão apertava forte sua fronte; a cabeça dele parecia estar prestes a explodir de tanta dor. Ele não sabia o que fazer.
Muito gosto ele teria de morrer por ela se com isso, Isolda conseguisse a clemência do rei. Morreria, e sua alma partiria em paz, sabendo que sua amada ficara bem. Seria tão fácil... mas, “bolas! Por que ela tinha que ser tão teimosa?” — pensava desesperado.
A dor de sua cabeça só aliviou, quando ele deixou mais uma vez a postura viril de cavaleiro e pôs-se a chorar.
Pela primeira vez em sua vida, Tristão sentia um grande medo, até maior do que o medo que sentira, quando quase tombara pela espada do cavaleiro irlandês.

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