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sábado, 20 de dezembro de 2008

Aviso especial: curiosidades natalinas


Querem saber o que significa cada símbolo do Natal? Acesse o meu blog Fazendo Arte com Paula Dunguel.
Endereço:http://fapdunguel.blogspot.com/

Um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de paz e amor nos corações.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Tristão e Isolda-Capítulo 14: A profecia da rainha da Irlanda (1ª parte)


foto: quarto medieval

*por uns instantes, pensei em dar um tempo nas postagens, por causa da minha amiga que mencionei na postagem anterior. Mas senti em meu coração, que não era isso que Ericka gostaria que fizesse, até por respeito à sua memória e em respeito também aos que leêm sempre. Sendo assim, lá vai mais um capítulo! Esse é para você também, querida Ericka! Esteja onde estiver...

Na festa, Isolda seguia com o plano, oferecendo muita bebida para Marcos. Quando percebe que ele já estava completamente bêbado, ela sobe ao quarto pedindo para que ele não tardasse muito. Foi o tempo suficiente para Isolda e Brangia agirem e armarem todo o engodo.
Na hora que o rei subira, Isolda o aguardava à cabeceira da cama, tal como o combinado. Os aposentos estavam em plena escuridão.
— Por que apagaste as velas? —pergunta o rei tonto.
— Quando um gentil-homem se deita com uma donzela, meu senhor — responde Isolda postada à cabeceira da cama — é costume na Irlanda apagar as velas.
— Bem, que seja como dizes, minha senhora. Permita-me...
O rei aproxima-se e cambaleante pela embriaguez deita-se na cama, só que ao invés de Isolda, ele toma em seus braços Brangia, a fiel criada.
Com cuidado, Isolda sai e vai buscar alento nos braços de seu amado.
Não muito tempo depois, Tristão era surpreendido por batidas na porta de seu alojamento. Ele levantou-se um pouco sonolento e imaginando que Isolda estivesse com seu tio, ele se surpreende ao ver quem era.
— Isolda? O que faz aqui?
Ela estava encharcada e tremia de frio, Tristão puxa-a para si e tenta aquecê-la, abraçando-a e esfregando-lhe as costas. Às pressas ele fecha a porta, sua amada Isolda parecia muito apreensiva e começava a chorar.
— Por Deus, senhora! O que houve?
Ela o abraça e revela o motivo de sua aflição.
— Brangia está se sacrificando por nós — fala amargurada. — Ela se ofereceu para ficar em meu lugar, pelo menos esta noite.
— Deus do Céu! — exclama ele. — Oh, minha amada! A que ponto chegamos?
Tristão ficara muito chocado ao ver a que conseqüências levara-os o tal feitiço. Mas uma coisa acabou por consolá-lo: Isolda estava ali, junto dele e outro não iria possuir a mulher que ele amava, pelo menos não naquela noite. Ao senti-la tão perto, Tristão foi logo acometido pelas mesmas sensações de desejo quando se viam perto um do outro e larga-a imediatamente, num curto ímpeto de lucidez.
Sua cabeça dera mil voltas nesta hora e sentia-se confuso.
— O que foi? Qual o problema querido?
— Não devias ter vindo aqui! — ele suava frio, tentando ao máximo conter-se e apoiando-se numa mesa no quarto.
— Mas para onde irei eu? Não posso ficar em meu quarto, porque Brangia está lá com o rei e muito menos exposta nos corredores do castelo, pois todos pensam que estou com Marcos agora. Pelo menos aqui, sei que estou segura. Tu és o único que jamais iria delatar-me — justifica ela.
— É verdade... — concorda ele. — delatá-la, estaria assinando a minha sentença de morte, pois também sou culpado por tudo que está acontecendo.
— Não somos culpados, meu amor, e sim, o destino. Ele que conspirou contra nós.
— No fundo, eu não me importaria se minha morte pudesse aliviar a parcela de tua culpa. Eu morreria por nós dois desde que tu ficasses bem — confessa ele virando-se para ela. Seus olhos cinzentos brilhavam...
Isolda abraça-o comovida e cobre-lhe a face de beijos e afagos, foi uma convincente declaração de amor, talvez a mais bela de todas que Isolda ouvira dele.
— Por favor, não fale em morte, querido Tristão. Tu não vais morrer e eu também não vou! — diz abraçada a ele.
Tristão a estreitara forte em seus braços, Isolda chegou a sumir devido a intensidade do abraço. Ele acariciava-lhe os cabelos e beijava o alto de sua fronte. Ficaram juntos aquela noite toda.
Enquanto isso, Brangia deixava-se possuir por Marcos e no momento do defloramento, ela precisou sufocar o grito de dor, para que Marcos não estranhasse a voz dela e descobrisse a farsa. O cheiro da bebida dele a enjoava, foi a sua pior experiência e talvez a mais humilhante. Brangia sentia-se uma verdadeira meretriz, a criatura mais imunda da face da terra. Mas ela dispôs-se a isso e era tarde para arrependimentos.
“Fizeste por lealdade à tua senhora e era a única maneira de penitenciar-vos...” — pensava às lágrimas.
Depois de saciado e exausto, rei Marcos adormecera ao seu lado. E ela ali, sentindo-se totalmente abandonada. “Perdão, querido Dinas. Não tive escolha...” — pensou por fim, tornando a chorar outra vez. Ela havia se apaixonado por Dinas, desde que o vira no enterro de Sir Morholt, embora não alimentasse nenhuma esperança quanto a isso, pois sabia o seu lugar; nunca que um nobre, como ele, repararia numa reles criada.
No quarto de Tristão, Isolda não podia dormir, precisava apenas dar um tempo até a consumação do matrimônio, para que pudesse voltar e assumir o lugar de Brangia. Também, em respeito à fiel criada, os dois amantes permitiram-se apenas desfrutar da companhia um do outro e uma troca de carícias inocentes, mas nada além disso. Não seria justo com a pobre criada que, naquela hora, sacrificava-se por eles.
“ Eu não posso me deleitar nos braços de meu amado, enquanto Brangia está lá, sacrificando-se contra a vontade e suportando o peso de um homem que ela não ama; cedendo aos seus caprichos...”— pensava Isolda prudentemente. E Tristão, embora o desejo sufocasse o seu coração, compreendia a gravidade da situação.
Ele recostara-se na cabeceira da cama e Isolda, aninhada em seus braços, deitara a cabeça sobre um de seus ombros. Ela derramava lágrimas silenciosas, refletindo sobre tudo que havia se passado com eles até aquele momento, enquanto Tristão afagava-lhe os cabelos sedosos e dourados, a fim de confortá-la. Naquela atmosfera silenciosa, era possível ouvir as batidas dos dois corações ansiosos, rezando para que tudo desse certo, e para que o Deus de Tristão e a deusa de Isolda protegessem Brangia.
— Eu preciso ir agora. Pelo tempo, o rei consumou o casamento e Brangia deve estar a minha espera para que eu assuma o meu lugar como esposa.
— Espere só um momento! Deixe-me ver se os arredores estão desertos, para que ninguém a veja saindo daqui.
Tristão confere e constata que não havia o menor risco.
— Não há ninguém lá fora. Todos dormem. Podeis ir se quiseres — fala ele.
Isolda dá-lhe um último beijo.
— Adeus querido — despede-se ela, abraçando-o antes de sair.
— Vá Isolda e depressa! Partas porque Brangia deve estar precisando muito de ti.
Ela sai.
Nos aposentos reais, Brangia esperava por Isolda e indagava-se onde sua senhora estaria.
“Que pergunta mais tola... Só um único lugar seria seguro para ela neste castelo: os aposentos de Tristão, porque nós três compartilhamos o mesmo segredo. Com certeza, Isolda está lá... Agora só espero que ela não esqueça de mim e venha render-me...”
Não muito depois, Isolda chega ao quarto do casal.
— Senhora! Graças a Deus!
— E o rei?
— Está dormindo profundamente.
— Rápido! Dê-me a camisola que estás vestindo e fique com a minha!
Ambas trocam de lugar e Isolda assume o seu lugar na alcova. Amanhã era só fazer cara de mulher mais feliz e realizada do mundo, que o rei não desconfiaria de nada e tudo acabaria bem. Pelo menos para Isolda, agora, para Brangia, a vida seria bem diferente daquela noite em diante...


Dedicatória especial do capítulo: Em memória de Ericka Deriquehem

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Luto: Amiga Ericka, saudades eternas


Hoje perdi uma das leitoras mais assíduas do meu blog. Meu coração está chorando...Mas sei que a vida não termina com a perda do corpo físico e nem os laços de amizade. Tenho certeza que de onde minha amiga estiver, ela continuará a ler e prestigiar-me em espírito.

Ericka, querida amiga, fique na paz e velai por mim.

*Este texto de Tristão e Isolda, ao qual lia com freqüência e se encantava a cada linha, será todo dedicado a ti, de agora em diante. E quando terminar esta obra, farei uma dedicatória especial; e se algum dia eu vir a publicar como livro, seu nome será o primeiro a ser homenageado, depois dos meus agradecimentos a Deus.
Não direi "Adeus", mas sim, "até qualquer dia", quando Deus achar que deve chamar-me ao convívio dos que me precederam.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Tristão e Isolda-Capítulo 13: Bodas de Desespero (6ª parte)


índice geral :: parte anterior (5ª parte)

No salão, totalmente enfeitado para a coroação de Isolda e a festa, Tristão havia se sentado. Os criados terminavam os últimos preparativos.
Lancelote e Percival saíram da capela e foram ter com ele.
— O que está havendo, Tristão? — pergunta Percival.
— Não é nada, Percy.
— Como não? Estás pálido, como se estivesses morto!
— Acho que é o calor.
— Calor?! O tempo está escuro e frio, sujeito a chuva! — riu-se Percival. — É meu amigo, bem se vê que não estás nada bem!
— Assustaste a todos nós, meu amigo. Há algo que o perturba?
— Foi só uma ligeira indisposição, Lance. Já estou melhor...
— Tem certeza?
— Saí para pegar um pouco de ar e é só. Por favor... voltem para junto do Grande Rei e terminem de assistir à cerimônia — pede-lhes Tristão, tentando disfarçar o desespero.
— Tu não vens? — indaga Lancelote.
— Daqui há pouco. Só preciso de mais um tempo aqui.
Eles relutaram um pouco, porém, voltaram à capela, pois perceberam que Tristão queria ficar só. Chegando lá, Sir Gawain, curioso como sempre, cobriu-lhes de perguntas.
— O que deu no “novato” para sair assim, de forma tão intempestiva?
— Não sabemos, Gawain — responde-lhe Percival.
— Não sabeis? Vós não fostes falar com ele?
— Tristão se sentiu mal, só isso — corta Lancelote, antes que os convidados percebessem o movimento estranho dos cavaleiros e a saída de Tristão da cerimônia. Algo, dentro de Lancelote, dizia-lhe que era melhor manter no anonimato e ninguém saber do fato.
Ainda no salão, Tristão estava sentado no mesmo lugar e pensava consigo mesmo: “Louca! Doidivanas! Por que Isolda? Por quê?”. No fundo, acho que o coração dele preferia tê-la ouvido dizer não, contudo, o que ela alegaria para justificar a decisão?
Sinceramente, Tristão não sabia, mas seria a deixa para que ele tomasse a palavra e a defendesse, alegando o que queria e assumir toda a culpa. Se ainda assim não adiantasse e Isolda não alcançasse clemência, na pior das hipóteses ele arrancaria Isolda do altar e fugiria com ela, para deixá-la em segurança e depois, regressaria para arcar com as conseqüências.
A cerimônia terminou e todos foram para o salão real, onde ocorreria a coroação da consorte do regente da Cornualha.
Isolda fingia sorrir, através de uma máscara que via-se obrigada a criar, durante o evento. Dom Patrício abençoou a coroa e Isolda, ajoelhou-se diante dele. Ele proferiu uma benção em latim e colocou a coroa sobre sua cabeça.
Ao verem-lhe a fronte coroada, todos os presentes curvam-se para saudar a esposa de Marcos, em sinal de respeito. Desejaram-lhe vida longa e depois, todos os que tinham ordem militar fizeram uma fila, diante do trono dos reis, para jurarem fidelidade à consorte do seu regente. Foi o momento mais difícil para Tristão, porque como primeiro cavaleiro da Cornualha, vira-se obrigado a prestar-lhe o juramento, antes de todos os outros.
Ela estende-lhe a mão e Tristão a toma com reverência, mal conseguindo olhar-lhe nos olhos.
— Minha espada estará a serviço do meu rei e a vosso serviço também, senhora, até o dia de minha morte — diz Tristão alto e de forma solene, prestando-lhe o juramento imposto pela cortesia e a tradição da cavalaria.
— Não aflijas teu coração, querido. Dará tudo certo — sussurra-lhe baixo, cuidando para que ninguém mais a ouvisse.
Tristão não entendera. O que ela quis dizer com isso? —“Ela enlouquecera com o casamento forçado, por certo...” — pensara Tristão.
Depois dele, os outros cavaleiros fizeram o mesmo.
A comemoração durara o dia inteiro. Marcos aproveitou para acertar com os reis irlandeses os critérios da aliança que fariam. Conversaram por um longo espaço de tempo e depois de tudo acertado entre eles, Anguish Gormond e sua esposa tomaram parte da festa.
Durante a festa, Tristão topa com os reis da Irlanda, estes o cumprimentaram cortesmente; Tristão conversou com eles por um tempo, mas depois pediu licença e retirou-se. No salão iluminado, tudo era alegria e todos aqueles festejos o estavam sufocando.
Discretamente, Tristão afasta-se do salão, deixando para trás a música e os risos que, aos poucos, foram se transformando em sussurros distantes. No seu íntimo, desejava imensamente que o chão se abrisse e o engolisse inteiro e inconscientemente dirigiu-se à esplanada, o terraço mais alto em um castelo. Lá, apoiara-se nas muralhas e olhava para as trevas do abismo que se estendia à frente, impedindo-o de ver o solo.
No horizonte, entre céu e mar, nuvens negras se adensavam prenunciando uma tempestade.
— Sei não! Isto é mau presságio! Uma tempestade num dia de casamento? — comentava o vigia da torre leste, com seu companheiro de guarda.
— Ora! Largas de ser supersticioso!
Uma chuva fina começava a cair. Tristão olha para o alto e deixa que as gotas generosas lavassem sua alma. No céu, relâmpagos começaram a cruzar o espaço e ribombavam com força, instantes depois. A torrente engrossou e Tristão ficou ali, imóvel, enquanto coisas horríveis passavam pela sua mente. Imaginava que logo Isolda estaria nos braços de outro e pior, desvirtuada, impura. O que seu tio faria? O que ele poderia fazer? Arrancá-la do leito conjugal? De forma alguma isto poderia ser feito.
Ele entra outra vez em desespero e debruça-se sobre a muralha.
— Oh, Senhor dos céus! O que farei? Deus!
Pedia ele e, numa atitude desafiadora, olha o céu carregado e grita amargurado.
Oh, Deus do céu!!!! Fulmine-me!!!!! Que um raio me atinja e me parta ao meio!!!!!!
Os guardas ouviram o clamor e se assustaram.
— O que foi isso?!
— Veio da esplanada! — fala o outro.
Um deles olha para baixo e na cortina densa de chuva, percebe um vulto de pé sobre o terraço.
— Aquela pessoa é louca! Ficar exposto, desta maneira, numa tempestade como esta...
Ele gritou de novo e, agora, mais atentos, os guardas reconhecem a voz.
— Reconheço o tom! É Sir Tristão!
— Como? O que deu nele?
— É melhor chamar alguém.
Um dos guardas desce apressado até o salão e encontra-se com Dom Audret.
— Senhor! Graças a Deus!
— O que foi, homem? Que tamanha aflição é esta?
— É Sir Tristão, Dom Audret. Está lá na esplanada e debaixo do temporal. E como sois parente dele, talvez consiga tirá-lo de lá!
— Aquieta-te, homem! Irei vê-lo. Beba um pouco...
— Não ouso, meu senhor. Estou de serviço.
— Ora! Só um copo não fará mal! Tome — diz ele animado, dando-lhe uns tapinhas nas costas e sai.
Audret vai à esplanada e lá, vislumbra a figura patética, encurvada nas muralhas. Por uns instantes, um instinto assassino despertara dentro de si e desejou empurrá-lo, para que fosse engolido pelas trevas. Chegou a avançar uns passos, mas recuou.
“Não. Matá-lo agora, no meio do tormento, seria uma benção para ele...” — pensa hesitante.—“ Quero que sofras, caro Tristão, até não agüentar mais...sofras por teu amor impossível...”
Sorrindo maliciosamente, Audret se afasta.
Sir Dinas procurava por Tristão, em meio àquela fanfarra e nada de encontrá-lo. “Por Deus! Onde estás, meu amigo?”— pensava aflito.
Nesta hora, ele vê Audret.
— Dom Audret! Viste Sir Tristão?
— Tristão?! Não! Não o vi! Ora! Vai ver, ele já se recolheu! — responde ele com a cara mais deslavada e cínica do mundo.
Sir Dinas de Lindan continuou a procurá-lo.
Basílica aproxima-se.
— Está acontecendo alguma coisa, Audret querido?
— Nada, Basílica. Não está acontecendo nada. Vamos dançar...
Por sorte, Dinas encontra o guarda com a taça oferecida por Audret, deliciando-se com pequenos e tímidos goles.
— Ei! Por que estás fora de teu posto? E o que significa isso? Estás bebendo em serviço?!!!— fala ele indignado.
O homem se assusta e joga a taça longe, jurando que não estava bebendo, só a segurava.
— Sir Dinas! Que bom que vos encontrei! Precisa ajudar Sir Tristão!— ele muda o assunto rápido, desviando-lhe a atenção da sua imprudência.
— O que tem ele? — pergunta Dinas aflito.
Ele lhe explica tudo.
— O quê?! Na esplanada, no meio da tormenta?
— Sim, meu senhor.
— Depressa. Leve-me até ele!
Eles saíram juntos.
“Céus! Espero que Tristão não tenha feito nenhum ato impensado...” — indagava preocupado.
Ao chegar no terraço, Dinas pôde respirar aliviado. Tristão estava sentado, enrolado com sua capa e apoiava as costas na muralha. A chuva ainda caía sem trégua... Ele estava completamente encharcado e parecia desacordado.
— Ei, Tristão! Que isso? Levanta homem!
Ao tocá-lo, Tristão desperta.
— Dinas, meu fiel amigo...
— Deus meu! Tristão!!! Vamos entrar, depressa, ou acabarás doente. Venha! Me ajude... — pede ao guarda.
— Não precisa! Estou bem... Deixem-me! — fala ele.
— De modo algum! Precisas trocar estas roupas!
Levaram Tristão para seu alojamento militar e lá, Dinas tratou de arrumarar-lhe logo roupas secas, para que se livrasse das roupas úmidas.
— Ela se casou, Dinas. Está tudo acabado! — desabafava ele, muito perturbado. — O que será dela?
— Não sei o que dizer, Tristão. Mas se isto te serve de consolo, saiba que se precisarem da minha ajuda, eu tudo farei para defendê-los. Lutarei por clemência junto ao rei.
— Dinas... obrigado.
— Agora tente dormir um pouco. Deixe as preocupações para amanhã.
— Não sei se conseguirei. Só de pensar que Isolda estará nos braços de outro daqui a alguns instantes e que só Deus sabe o que lhe poderá acontecer... Eu fui um covarde! — amargurava-se Tristão.
— Vou mandar preparar-te uma bebida quente e reconfortante e procure acalmar teu coração. Nada poderás fazer agora. Descanse.
Apesar dos conselhos de Sir Dinas, Tristão teve a sensação de que teria uma noite insone e longa. O fato de imaginar Isolda nos braços de outro homem feria-lhe fundo na alma, mas ele nada podia fazer a não ser rezar, rezar para que seu tio não percebesse-lhe a desonra.


próximo capítulo :: índice geral

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

mensagem especial: Solidariedade




Santa Catarina tinha uma massa muito grande de leitores deste blog, pesa-me por isso, ao coração, o que vem acontecendo àquele belo Estado. Aos amigos de Santa Catarina e agora, Espírito Santo, que lêem este blog, que liam quando computador ainda tinham e aqueles que talvez não leiam mais, pois podem ter perdido a vida na chuva impiedosa, deixo minha solidariedade e estou rezando por vocês e pelos seus Estados. Muitas das vezes, flagelos como estes nos assolam e indagamos: Onde está Deus numa hora destas? Porém, creio que a pergunta talvez seja outra: O que nós estamos fazendo com o nosso planeta?
Deus é sábio em tudo que faz e sua Natureza criada é perfeita; nós sim que, por ânsia de querer mais do que já temos, mexemos de forma irresponsável com Ela.
A Natureza não se defende, todavia, mais tarde, até para encontrar novamente o seu ponto de equilíbrio, Ela se vinga e é o que estamos vendo, não só em Santa Catarina, mas em todo mundo: terremotos freqüentes e até mesmo em lugares que nunca os tinha tido, Ciclones em larga escala, aquecimento absurdo, em partes do mundo que eram consideradas frias mesmo no Verão, etc...
Acho que é chegada a hora de pararmos para pensar no amanhã e buscar meios de cuidar melhor do nosso Planeta, que é a nossa casa, enquanto ainda temos tempo. Deus dotou o homem de inteligência, para saber diferenciar o que é bom e o que é mau. Conjuro a todos os leitores deste blog a ajudarem Santa Catarina. Participem das campanhas! Vamos mostrar a nossa solidariedade nesta época, que por causa do Natal, só se exalta esta palavra, o Amor e a Fraternidade. São nossos irmãos que estão sofrendo e provavelmente, o Natal deste ano, para eles não será o mesmo.
PAZ E BEM A TODOS

Tristão e Isolda-Capítulo 13: Bodas de Desespero (5ª parte)

foto: Trângulo Amoroso by Paula Dunguel

índice geral :: Parte anterior(4ª parte)

No almoço, Isolda, alegando uma indisposição qualquer, pedira licença ao noivo, aos convidados, ao arcebispo e retirou-se. Quando ela entrou no quarto, Huddent fez verdadeira festa para saudá-la; mas ela nem percebera a alegria do cãozinho, porque as palavras de Lancelote martelavam em sua mente: “ele me disse, por meias palavras, que precisava sair, mas não entrou em detalhes. A mim, pareceu-me que estava um pouco alterado...”
Isolda deitara-se na cama, e embora quisesse parecer à Tristão uma imagem de fortaleza, ela também temia o que poderia acontecer na noite de núpcias. Seria muito difícil enganar a Marcos.
— Estamos perdidos, meu amor... Eu não sei o que fazer! — desespera-se Isolda.
Isolda torna a chorar, não via a menor esperança. Huddent pulou na cama quando ouviu-lhe os soluços e, sentado junto dela, cheirava seus cabelos. Ele não entendia o que era aquilo e virava a cabecinha a cada soluçar de sua dona.
Nesta hora, Brangia entra no quarto com lençóis limpos.
— Isolda... — chama-a com pesar.
— Deixe-me, Brangia. Quero ficar só...
Ela fez que ia sair, mas volta-se e senta-se na cama.
— Saia, por favor... Me deixe só — pede-lhe mais uma vez.
Brangia começa, então, a acariciar-lhe as madeixas.
— Por favor, senhora. Não me expulseis de vossa companhia. Eu só quero ajudar-vos — fala-lhe a criada de forma suplicante.
— Ninguém poderá me ajudar, Brangia. Estou perdida e Tristão também.
Brangia também estava muito preocupada por saber que Isolda não tinha a virgindade intacta e então, ela pensou um pouco e soltando um suspiro prolongado, decidiu sacrificar-se pelos desafortunados amantes e assim, reparar o seu erro. Era a única coisa que ela poderia fazer.
— Eu ainda sou virgem, senhora e poderia deitar-me com Marcos em teu lugar, se assim o quiseres.
Isolda estancara o choro com aquelas palavras e olhava-a assustada.
— Como?! Tu terias coragem de fazer isso? Ficarias em meu lugar na primeira noite? — escandaliza-se a princesa.
— Senhora, perdoe-me a ousadia, mas não há outro jeito. Entregaste tua virgindade a Tristão. Se te deitares com rei Marcos, desonrada como estás, será um escândalo e condenação, na certa, para os dois! Sendo um marido ultrajado, ele não haverá de ter clemência!
Isolda estremece. Só a idéia de ver Tristão pendente em uma forca, a assustava. Brangia tinha razão; não havia outro remédio.
— Minha amiga... é um sacrifício extremo e cruel... Oh não, é arriscado em demasia! Não posso concordar com isto; não é justo! Ele poderá perceber o truque...
— Se fizermos tudo perfeito, ele jamais desconfiará.
— Mas como faríamos isto, sem que ele perceba que não sou eu?
— Deverás embriagá-lo, para que ele perca a noção das coisas e quanto ao resto, um quarto em completa escuridão, uma roupa vossa e o vosso perfume costumeiro, irá ajudar-nos a levar a bom termo o plano — arquiteta a aia. — Procureis subir ao quarto antes dele e espere-o, sentada à cabeceira. Coloque o vosso perfume, uma camisola semelhante à minha e prendamos os cabelos da mesma forma. Quando ele chegar, peça-o para apagar todas as luzes e se ele contestar, diga-lhe que é costume e recato na Irlanda, a mulher se entregar ao esposo na completa escuridão. Depois que o rei fizer isto, chamai-o à alcova com uma voz doce e ardente. É nesta hora que eu assumirei o vosso lugar e vós saiais imediatamente; procure esconder-vos num lugar que fiqueis bem resguardada e antes que o dia amanheça, voltai para substituir-me.
Isolda sorri, o plano era perfeito e desta forma, com certeza daria certo.
— Brangia... Não sei como poderei retribuir-vos tamanho sacrifício? Estou sem palavras...
— Só lamento não poder fazer isto todas as noites, para livrar-te desta sina, minha senhora... Esta sina, que eu mesma causei...
— E nem eu poderia exigir isto de ti, minha amiga, mas, ficando em meu lugar, pelo menos nesta noite, já presta-nos um grande auxílio — fala-lhe Isolda, abraçando-a comovida.
Tristão voltara um pouco mais tarde e ficara sabendo da chegada dos reis irlandeses e da hora que seria o enlace.
Domingo, Dia do Senhor, realizou-se o casamento pela manhã.
Tristão não queria ir, mas todos os cavaleiros, conselheiros e barões, que serviam a Marcos, compareceriam à cerimônia e ele, não poderia deixar de ir, era obrigado a representar o patético papel de fingir que estava tudo bem e sorria forçado. Rei Arthur e Gwenevere, Anguish e Isolda “a velha” estavam próximos ao altar da capelinha, por trás da sala do trono. Arthur, ao ver Tristão, acena-lhe e ele responde-lhe cortesmente.
Lancelote, chama-lhe então.
— Vem cá, homem! Senta-te perto de nós!
Marcos e Isolda estavam de frente para Dom Patrício, mas não viram quando ele chegou. Isolda parecia angustiada, doida para se ver livre daquilo tudo e no íntimo do coração queria ver Tristão, tanto era assim que, vez em quando, ela se virava para os convidados na capela e procurava definir o tal rosto querido, no meio daquelas pessoas; então, ela enfim vê Tristão sentado ao lado de Sir Lancelote e Sir Percival, o rosto dele estava carregado e denunciava uma grande amargura; mas ele estava lá, junto dela, numa hora tão difícil para ambos. Isolda queria aproveitar a festa para contar-lhe sobre o plano de Brangia e acalmar-lhe a alma aflita.
A cerimônia prossegue e chega, enfim, a hora dos votos de fidelidade. O “SIM” definitivo. Dom Patrício pergunta a Marcos se aceitava Isolda como sua legítima esposa e se prometia-lhe ser fiel até a morte; o rei responde sem vacilar, mas... na hora de Isolda, ela hesitou e custou a responder, gerando uma grande expectativa em todos os presentes: Rei Arthur, Gwenevere e os reis irlandeses se entreolharam; Audret e Basílica arregalaram os olhos... “Será que Isolda seria capaz de dizer um”NÃO” bem audível, recusando a aceitar o rei como esposo? E se o fizer, que desculpas dará para justificar-se ?” — pensavam os dois. Marcos e o Bispo também a olharam, em busca de repostas para o silêncio dela, o rei, começou a angustiar-se temendo a resposta, pois já havia se afeiçoado à beleza da jovem.
Tristão, ao lado de Lancelote, fica pálido e, suando frio, senta-se mais na ponta do banco, assumindo uma postura de “alerta e defesa”; Lancelote olha-o assustado, ele quase havia se levantado, como se quisesse evitar alguma desgraça.
— Princesa Isolda. Vou perguntar-vos mais uma vez. Aceitais Marcos, regente da Cornualha, como vosso esposo, jurando-lhe fidelidade e respeito até o fim de vossos dias?
Ela ainda não respondera e mecanicamente, olhara para Tristão. Ela percebeu-lhe a angústia nos olhos.
— Princesa Isolda, responda! — insiste o Bispo.
Ela disfarça o olhar que lançara a ele e olha para Marcos, lívido e pasmo, diante de si.
“Se eu disser “não” terei que justificar-me e colocarei a vida de Tristão em risco...” — pensara rápido.
— Sim. Eu aceito — responde ela, enfim.

Tristão quase desfalece, numa sensação de alívio, mas ao mesmo tempo de desespero.
— Ei, homem! O que tens, por Deus? — pergunta Lancelote, vendo a palidez mortal que recaíra sobre o amigo.
Ele se levanta e, não lhe dando a mínima resposta, sai da capela.
— Tristão, aonde vais?
— O que deu nele, Lance? — assusta-se também Sir Percival.
Sir Gawain, recostado na parede, também ficara surpreso com a saída súbita dele.

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