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Pelo mundo

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Tristão e Isolda-Capítulo 13: Bodas de Desespero (5ª parte)

foto: Trângulo Amoroso by Paula Dunguel

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No almoço, Isolda, alegando uma indisposição qualquer, pedira licença ao noivo, aos convidados, ao arcebispo e retirou-se. Quando ela entrou no quarto, Huddent fez verdadeira festa para saudá-la; mas ela nem percebera a alegria do cãozinho, porque as palavras de Lancelote martelavam em sua mente: “ele me disse, por meias palavras, que precisava sair, mas não entrou em detalhes. A mim, pareceu-me que estava um pouco alterado...”
Isolda deitara-se na cama, e embora quisesse parecer à Tristão uma imagem de fortaleza, ela também temia o que poderia acontecer na noite de núpcias. Seria muito difícil enganar a Marcos.
— Estamos perdidos, meu amor... Eu não sei o que fazer! — desespera-se Isolda.
Isolda torna a chorar, não via a menor esperança. Huddent pulou na cama quando ouviu-lhe os soluços e, sentado junto dela, cheirava seus cabelos. Ele não entendia o que era aquilo e virava a cabecinha a cada soluçar de sua dona.
Nesta hora, Brangia entra no quarto com lençóis limpos.
— Isolda... — chama-a com pesar.
— Deixe-me, Brangia. Quero ficar só...
Ela fez que ia sair, mas volta-se e senta-se na cama.
— Saia, por favor... Me deixe só — pede-lhe mais uma vez.
Brangia começa, então, a acariciar-lhe as madeixas.
— Por favor, senhora. Não me expulseis de vossa companhia. Eu só quero ajudar-vos — fala-lhe a criada de forma suplicante.
— Ninguém poderá me ajudar, Brangia. Estou perdida e Tristão também.
Brangia também estava muito preocupada por saber que Isolda não tinha a virgindade intacta e então, ela pensou um pouco e soltando um suspiro prolongado, decidiu sacrificar-se pelos desafortunados amantes e assim, reparar o seu erro. Era a única coisa que ela poderia fazer.
— Eu ainda sou virgem, senhora e poderia deitar-me com Marcos em teu lugar, se assim o quiseres.
Isolda estancara o choro com aquelas palavras e olhava-a assustada.
— Como?! Tu terias coragem de fazer isso? Ficarias em meu lugar na primeira noite? — escandaliza-se a princesa.
— Senhora, perdoe-me a ousadia, mas não há outro jeito. Entregaste tua virgindade a Tristão. Se te deitares com rei Marcos, desonrada como estás, será um escândalo e condenação, na certa, para os dois! Sendo um marido ultrajado, ele não haverá de ter clemência!
Isolda estremece. Só a idéia de ver Tristão pendente em uma forca, a assustava. Brangia tinha razão; não havia outro remédio.
— Minha amiga... é um sacrifício extremo e cruel... Oh não, é arriscado em demasia! Não posso concordar com isto; não é justo! Ele poderá perceber o truque...
— Se fizermos tudo perfeito, ele jamais desconfiará.
— Mas como faríamos isto, sem que ele perceba que não sou eu?
— Deverás embriagá-lo, para que ele perca a noção das coisas e quanto ao resto, um quarto em completa escuridão, uma roupa vossa e o vosso perfume costumeiro, irá ajudar-nos a levar a bom termo o plano — arquiteta a aia. — Procureis subir ao quarto antes dele e espere-o, sentada à cabeceira. Coloque o vosso perfume, uma camisola semelhante à minha e prendamos os cabelos da mesma forma. Quando ele chegar, peça-o para apagar todas as luzes e se ele contestar, diga-lhe que é costume e recato na Irlanda, a mulher se entregar ao esposo na completa escuridão. Depois que o rei fizer isto, chamai-o à alcova com uma voz doce e ardente. É nesta hora que eu assumirei o vosso lugar e vós saiais imediatamente; procure esconder-vos num lugar que fiqueis bem resguardada e antes que o dia amanheça, voltai para substituir-me.
Isolda sorri, o plano era perfeito e desta forma, com certeza daria certo.
— Brangia... Não sei como poderei retribuir-vos tamanho sacrifício? Estou sem palavras...
— Só lamento não poder fazer isto todas as noites, para livrar-te desta sina, minha senhora... Esta sina, que eu mesma causei...
— E nem eu poderia exigir isto de ti, minha amiga, mas, ficando em meu lugar, pelo menos nesta noite, já presta-nos um grande auxílio — fala-lhe Isolda, abraçando-a comovida.
Tristão voltara um pouco mais tarde e ficara sabendo da chegada dos reis irlandeses e da hora que seria o enlace.
Domingo, Dia do Senhor, realizou-se o casamento pela manhã.
Tristão não queria ir, mas todos os cavaleiros, conselheiros e barões, que serviam a Marcos, compareceriam à cerimônia e ele, não poderia deixar de ir, era obrigado a representar o patético papel de fingir que estava tudo bem e sorria forçado. Rei Arthur e Gwenevere, Anguish e Isolda “a velha” estavam próximos ao altar da capelinha, por trás da sala do trono. Arthur, ao ver Tristão, acena-lhe e ele responde-lhe cortesmente.
Lancelote, chama-lhe então.
— Vem cá, homem! Senta-te perto de nós!
Marcos e Isolda estavam de frente para Dom Patrício, mas não viram quando ele chegou. Isolda parecia angustiada, doida para se ver livre daquilo tudo e no íntimo do coração queria ver Tristão, tanto era assim que, vez em quando, ela se virava para os convidados na capela e procurava definir o tal rosto querido, no meio daquelas pessoas; então, ela enfim vê Tristão sentado ao lado de Sir Lancelote e Sir Percival, o rosto dele estava carregado e denunciava uma grande amargura; mas ele estava lá, junto dela, numa hora tão difícil para ambos. Isolda queria aproveitar a festa para contar-lhe sobre o plano de Brangia e acalmar-lhe a alma aflita.
A cerimônia prossegue e chega, enfim, a hora dos votos de fidelidade. O “SIM” definitivo. Dom Patrício pergunta a Marcos se aceitava Isolda como sua legítima esposa e se prometia-lhe ser fiel até a morte; o rei responde sem vacilar, mas... na hora de Isolda, ela hesitou e custou a responder, gerando uma grande expectativa em todos os presentes: Rei Arthur, Gwenevere e os reis irlandeses se entreolharam; Audret e Basílica arregalaram os olhos... “Será que Isolda seria capaz de dizer um”NÃO” bem audível, recusando a aceitar o rei como esposo? E se o fizer, que desculpas dará para justificar-se ?” — pensavam os dois. Marcos e o Bispo também a olharam, em busca de repostas para o silêncio dela, o rei, começou a angustiar-se temendo a resposta, pois já havia se afeiçoado à beleza da jovem.
Tristão, ao lado de Lancelote, fica pálido e, suando frio, senta-se mais na ponta do banco, assumindo uma postura de “alerta e defesa”; Lancelote olha-o assustado, ele quase havia se levantado, como se quisesse evitar alguma desgraça.
— Princesa Isolda. Vou perguntar-vos mais uma vez. Aceitais Marcos, regente da Cornualha, como vosso esposo, jurando-lhe fidelidade e respeito até o fim de vossos dias?
Ela ainda não respondera e mecanicamente, olhara para Tristão. Ela percebeu-lhe a angústia nos olhos.
— Princesa Isolda, responda! — insiste o Bispo.
Ela disfarça o olhar que lançara a ele e olha para Marcos, lívido e pasmo, diante de si.
“Se eu disser “não” terei que justificar-me e colocarei a vida de Tristão em risco...” — pensara rápido.
— Sim. Eu aceito — responde ela, enfim.

Tristão quase desfalece, numa sensação de alívio, mas ao mesmo tempo de desespero.
— Ei, homem! O que tens, por Deus? — pergunta Lancelote, vendo a palidez mortal que recaíra sobre o amigo.
Ele se levanta e, não lhe dando a mínima resposta, sai da capela.
— Tristão, aonde vais?
— O que deu nele, Lance? — assusta-se também Sir Percival.
Sir Gawain, recostado na parede, também ficara surpreso com a saída súbita dele.

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