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Pelo mundo

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Tristão e Isolda-Capítulo 14: A profecia da rainha da Irlanda (1ª parte)


foto: quarto medieval

*por uns instantes, pensei em dar um tempo nas postagens, por causa da minha amiga que mencionei na postagem anterior. Mas senti em meu coração, que não era isso que Ericka gostaria que fizesse, até por respeito à sua memória e em respeito também aos que leêm sempre. Sendo assim, lá vai mais um capítulo! Esse é para você também, querida Ericka! Esteja onde estiver...

Na festa, Isolda seguia com o plano, oferecendo muita bebida para Marcos. Quando percebe que ele já estava completamente bêbado, ela sobe ao quarto pedindo para que ele não tardasse muito. Foi o tempo suficiente para Isolda e Brangia agirem e armarem todo o engodo.
Na hora que o rei subira, Isolda o aguardava à cabeceira da cama, tal como o combinado. Os aposentos estavam em plena escuridão.
— Por que apagaste as velas? —pergunta o rei tonto.
— Quando um gentil-homem se deita com uma donzela, meu senhor — responde Isolda postada à cabeceira da cama — é costume na Irlanda apagar as velas.
— Bem, que seja como dizes, minha senhora. Permita-me...
O rei aproxima-se e cambaleante pela embriaguez deita-se na cama, só que ao invés de Isolda, ele toma em seus braços Brangia, a fiel criada.
Com cuidado, Isolda sai e vai buscar alento nos braços de seu amado.
Não muito tempo depois, Tristão era surpreendido por batidas na porta de seu alojamento. Ele levantou-se um pouco sonolento e imaginando que Isolda estivesse com seu tio, ele se surpreende ao ver quem era.
— Isolda? O que faz aqui?
Ela estava encharcada e tremia de frio, Tristão puxa-a para si e tenta aquecê-la, abraçando-a e esfregando-lhe as costas. Às pressas ele fecha a porta, sua amada Isolda parecia muito apreensiva e começava a chorar.
— Por Deus, senhora! O que houve?
Ela o abraça e revela o motivo de sua aflição.
— Brangia está se sacrificando por nós — fala amargurada. — Ela se ofereceu para ficar em meu lugar, pelo menos esta noite.
— Deus do Céu! — exclama ele. — Oh, minha amada! A que ponto chegamos?
Tristão ficara muito chocado ao ver a que conseqüências levara-os o tal feitiço. Mas uma coisa acabou por consolá-lo: Isolda estava ali, junto dele e outro não iria possuir a mulher que ele amava, pelo menos não naquela noite. Ao senti-la tão perto, Tristão foi logo acometido pelas mesmas sensações de desejo quando se viam perto um do outro e larga-a imediatamente, num curto ímpeto de lucidez.
Sua cabeça dera mil voltas nesta hora e sentia-se confuso.
— O que foi? Qual o problema querido?
— Não devias ter vindo aqui! — ele suava frio, tentando ao máximo conter-se e apoiando-se numa mesa no quarto.
— Mas para onde irei eu? Não posso ficar em meu quarto, porque Brangia está lá com o rei e muito menos exposta nos corredores do castelo, pois todos pensam que estou com Marcos agora. Pelo menos aqui, sei que estou segura. Tu és o único que jamais iria delatar-me — justifica ela.
— É verdade... — concorda ele. — delatá-la, estaria assinando a minha sentença de morte, pois também sou culpado por tudo que está acontecendo.
— Não somos culpados, meu amor, e sim, o destino. Ele que conspirou contra nós.
— No fundo, eu não me importaria se minha morte pudesse aliviar a parcela de tua culpa. Eu morreria por nós dois desde que tu ficasses bem — confessa ele virando-se para ela. Seus olhos cinzentos brilhavam...
Isolda abraça-o comovida e cobre-lhe a face de beijos e afagos, foi uma convincente declaração de amor, talvez a mais bela de todas que Isolda ouvira dele.
— Por favor, não fale em morte, querido Tristão. Tu não vais morrer e eu também não vou! — diz abraçada a ele.
Tristão a estreitara forte em seus braços, Isolda chegou a sumir devido a intensidade do abraço. Ele acariciava-lhe os cabelos e beijava o alto de sua fronte. Ficaram juntos aquela noite toda.
Enquanto isso, Brangia deixava-se possuir por Marcos e no momento do defloramento, ela precisou sufocar o grito de dor, para que Marcos não estranhasse a voz dela e descobrisse a farsa. O cheiro da bebida dele a enjoava, foi a sua pior experiência e talvez a mais humilhante. Brangia sentia-se uma verdadeira meretriz, a criatura mais imunda da face da terra. Mas ela dispôs-se a isso e era tarde para arrependimentos.
“Fizeste por lealdade à tua senhora e era a única maneira de penitenciar-vos...” — pensava às lágrimas.
Depois de saciado e exausto, rei Marcos adormecera ao seu lado. E ela ali, sentindo-se totalmente abandonada. “Perdão, querido Dinas. Não tive escolha...” — pensou por fim, tornando a chorar outra vez. Ela havia se apaixonado por Dinas, desde que o vira no enterro de Sir Morholt, embora não alimentasse nenhuma esperança quanto a isso, pois sabia o seu lugar; nunca que um nobre, como ele, repararia numa reles criada.
No quarto de Tristão, Isolda não podia dormir, precisava apenas dar um tempo até a consumação do matrimônio, para que pudesse voltar e assumir o lugar de Brangia. Também, em respeito à fiel criada, os dois amantes permitiram-se apenas desfrutar da companhia um do outro e uma troca de carícias inocentes, mas nada além disso. Não seria justo com a pobre criada que, naquela hora, sacrificava-se por eles.
“ Eu não posso me deleitar nos braços de meu amado, enquanto Brangia está lá, sacrificando-se contra a vontade e suportando o peso de um homem que ela não ama; cedendo aos seus caprichos...”— pensava Isolda prudentemente. E Tristão, embora o desejo sufocasse o seu coração, compreendia a gravidade da situação.
Ele recostara-se na cabeceira da cama e Isolda, aninhada em seus braços, deitara a cabeça sobre um de seus ombros. Ela derramava lágrimas silenciosas, refletindo sobre tudo que havia se passado com eles até aquele momento, enquanto Tristão afagava-lhe os cabelos sedosos e dourados, a fim de confortá-la. Naquela atmosfera silenciosa, era possível ouvir as batidas dos dois corações ansiosos, rezando para que tudo desse certo, e para que o Deus de Tristão e a deusa de Isolda protegessem Brangia.
— Eu preciso ir agora. Pelo tempo, o rei consumou o casamento e Brangia deve estar a minha espera para que eu assuma o meu lugar como esposa.
— Espere só um momento! Deixe-me ver se os arredores estão desertos, para que ninguém a veja saindo daqui.
Tristão confere e constata que não havia o menor risco.
— Não há ninguém lá fora. Todos dormem. Podeis ir se quiseres — fala ele.
Isolda dá-lhe um último beijo.
— Adeus querido — despede-se ela, abraçando-o antes de sair.
— Vá Isolda e depressa! Partas porque Brangia deve estar precisando muito de ti.
Ela sai.
Nos aposentos reais, Brangia esperava por Isolda e indagava-se onde sua senhora estaria.
“Que pergunta mais tola... Só um único lugar seria seguro para ela neste castelo: os aposentos de Tristão, porque nós três compartilhamos o mesmo segredo. Com certeza, Isolda está lá... Agora só espero que ela não esqueça de mim e venha render-me...”
Não muito depois, Isolda chega ao quarto do casal.
— Senhora! Graças a Deus!
— E o rei?
— Está dormindo profundamente.
— Rápido! Dê-me a camisola que estás vestindo e fique com a minha!
Ambas trocam de lugar e Isolda assume o seu lugar na alcova. Amanhã era só fazer cara de mulher mais feliz e realizada do mundo, que o rei não desconfiaria de nada e tudo acabaria bem. Pelo menos para Isolda, agora, para Brangia, a vida seria bem diferente daquela noite em diante...


Dedicatória especial do capítulo: Em memória de Ericka Deriquehem

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