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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Feliz Natal, Merry Christmas!!!!

Que Deus abençoe a todos

Malba Tahan - Um Conto Especial


*Aproveitando o clima do Natal, um presente especial pra vocês, até que eu consiga retomar a história de Tristão e Isolda...

SENHOR, EU NÃO SOU DIGNO.

Há muito tempo, em Roma, para além da Porta Nomentana, erguia-se um amontoado de míseros casebres, onde viviam centenas de escravos foragidos, comediantes arruinados, mendigos, traficantes e gladiadores estropiados, que pareciam mais ameaçadores com seus andrajos do que os arrogantes vigias do Emporium com suas pesadas lanças rebrilhantes. Aquele perigoso refúgio, raramente visitado pelos agentes de César, era apelidado a “Pequena Salária” ou melhor “ A Salária”.

Por entre as vielas sórdidas e sombrias da Salária, um dos tipos mais populares era o velho Flaminius, o Sereno. Pela manhã, muito cedo ainda, arrastando-se lentamente, deixava o seu miserável tugúrio e dirigia-se para o pátio da Semita, em busca de sol, sob as árvores ferrugentas.

Era um homem alto, magro, de faces amortecidas e olhar distraído. A sua cabeleira, inteiramente branca, sempre revolta, dava-lhe uma estranha aparên-cia de profeta gaulês. Usava, habitualmente, uma espécie de túnica palmata, a-vermelhada, suja, esfarrapada, que mal lhe chegava até os joelhos.

De que vivia? Onde ia buscar recursos aquele ancião que não esmolava na Praça do Mercado nem era visto a tirar sortes nas escadarias dos templos?

Repontava aí a sombra de um mistério, que o tempo jamais conseguiria esclarecer. Garantiam alguns que o velho Flaminius era amparado por um antigo senador, íntimo de Augusto, que ele conhecera muitos anos antes, em Nápoles, quando trabalhava no porto, carregando as galeras de Tibério.

E, na verdade, Flaminius, que agora arrastava a sua triste decrepitude na Salária, tivera, em sua vida, um período de prosperidade e alegria. Casara-se com uma camponesa da Sicília e tivera dois filhos. Um deles — Cláudio, o Belo — fizera-se poeta. Tornara-se popular na corte. As suas poesias eram declamadas pelos nobres e elogiadas pelo imperador. Até os cônsules, altivos, com prestígio entre os senadores, invejavam os triunfos do jovem Cláudio.

Flaminius orgulhava-se daquele filho, que os deuses haviam cumulado de talento.

Mas Cláudio era ambicioso. Ligou-se a um certo Marcus Lucius, político sem escrúpulos, que Tibério escolhera, no período mais agitado de seu governo, para pacificar uma província grega. Lucius partiu e levou o poeta. E, de Atenas, Cláudio jamais regressou.

O desaparecimento do filho amado navalhou o coração de Flaminius. Abandonou o trabalho em Nápoles e passou a viver em Roma, entre aventureiros da pior espécie, sem pão, sem conforto, sem esperança. Sua esposa o deixou e foi para a Espanha, com alguns parentes ricos. O filho mais moço fez-se soldado e alistou-se nas legiões de César.

E, no entanto, Flaminius, no meio de tanta desgraça, sentia-se feliz.

As palavras que ele ouvira de um oráculo do Templo de Vesta enchia o seu coração de esperanças.

Passara-se o caso num dos últimos dias de setembro, quando os fiéis traziam suas oferendas aos deuses. Cruzava Flaminius o átrio do templo, quando ouviu que o chamavam. Era um dos oráculos. Trajava uma túnica branca, muito alva, vistosamente recamada de franjas. Na manga direita, que se abria em leque, aparecia, desenhada, uma figura estranha — dragão, esfinge, serpente ou coisa parecida.

— Não te lembras de mim, Flaminius?

O ancião aproximou-se, desconfiado. Surpreendia-o, além do mais, o tom amistoso daquele profeta de olhos mortiços e rosto pálido.

— Quero recordar-te — prosseguiu o oráculo, olhando fitono velho. — Há vários anos passados (reinava o divino Augusto), em Nápoles, certa noite, socorreste um viajante que fora assaltado no porto. Graças a teu auxílio, ele conseguiu livrar-se dos sicários. Esse viajante era precisamente eu. Devo-te, portanto, a vida. Quero agora prestar-te igualmente um benefício. Vou ler o teu futuro.

Flaminius parou diante do oráculo. Cruzou os braços sobre o peito e aguardou impassível a terrível e arrebatada sentença. Curiosos que perambulavam entre as colunas aproximaram-se em silêncio.

— O teu nome será esquecido. A tua memória será apagada por completo e desaparecerá como as cinzas levadas pelo vento. Mas as palavras admiráveis de teu filho jamais serão olvidadas. Milhões e milhões de homens, no desenrolar dos séculos, repetirão por todos os recantos do mundo as palavras de teu filho! Que júbilo, que glória imensa para o teu coração de pai!

Ao retornar ao seu casebre de Salária, o velho Flaminius assim meditava:

— Vivi sempre obscuro; morrerei esquecido e obscuro. Não importa! Mas a glória perpetuará, sobre a terra, o nome de Cláudio, meu filho. Os seus versos adoráveis, que César não se cansava de repetir, serão lembrados pelos homens, no desenrolar dos séculos!

E aquele êxito do filho poeta trazia infinita alegria e tranqüilidade ao coração do velho romano.

— Que importa a pobreza em que vivo! Consola-me a certeza de que meu filho Cláudio terá por prêmio a imortalidade!

E o velho Flaminius, a quem as palavras do oráculo deram alento para resistir a todas as amarguras e vicissitudes de sua negra existência, teve um fim trágico. Ao regressar, um dia, de uma visita ao Templo de Júpiter, avistou, num recanto da praça Salutis, um soldado espancando cruelmente uma pobre menina. Revoltado com aquela covardia, tentou o ancião socorrer a pequena. O agressor, irritado com a intervenção daquele desconhecido, não exitou em atravessá-lo com uma punhalada.

Flaminius pereceu heroicamente. E no dia seguinte, um mendigo sem rumo, no seu andar bamboleante, avistou casualmente a miserável mansarda em completo abandono, na Salária. Apoderou-se dela, atirou para ali seus trapos, sem indagar do destino que levava o primitivo dono.

E assim como previra o oráculo, como a cinza que o vento espalha, apagou-se entre os homens a lembrança daquele que fora em vida Flaminius, o Sereno.

Conduzido à mansão dos justos, viu Flaminius surgir diante dele a figura radiosa de um Anjo.

— Flaminius — disse o enviado de Deus, em tom mavioso de paciência —, a tua morte gloriosa fez remir todos os erros e pecados de tua existência. Cabe-te, pois, uma recompensa no céu. Fala, meu bom amigo, e o Eterno ouvirá a tua voz.

Respondeu Flaminius na sua simplicidade:

— Nada fiz, estou certo, para merecer a menor recompensa da misericórdia de Deus. Confesso, porém, que tenho o coração torturado por uma grande angústia. Gostaria de retornar ao mundo, no fim de alguns séculos, a fim de verificar se os homens ( conforme me garantiu o oráculo) conservam, na memória, os versos de meu filho. Que indizível alegria para mim certificar-me de que meu filho, por seu gênio incomparável, se tornou imortal!

Deus, na sua infinita misericórdia, atendeu ao pedido daquele pai. E decorridos dezenove séculos, Flaminius, conduzido por um Anjo, retornou à Roma.

Por todos os recantos da terra erguiam-se cruzes. A religião que César havia desprezado, a princípio, e perseguido mais tarde, vencera, afinal, e dominava o mundo.

Flaminius, o Sereno, guiado pelo Anjo, entrou num grande Templo cristão. Milhares de fiéis achavam-se em oração; um jovem sacerdote, revestido de riquíssima paramenta, debruada com fios de ouro, junto a um belíssimo altar, adorava o verdadeiro Deus, Jesus, Nosso Senhor!

Flaminius não cabia em si de deslumbramento! Tudo ali era para ele motivo de indescritível assombro! E balbuciou muito humilde (e suas palavras só eram ouvidas pelo Anjo):

— E os versos de meu filho? Poderei ouvi-los, aqui, neste Templo, cheio de cristãos, que erguem para os céus as suas preces lamuriantes?

— Sim — confirmou o Anjo —, dentro de alguns instantes! Rejubila-te! Todos os cristãos, aqui reunidos, repetirão as palavras de teu filho!

Decorridos alguns minutos, cessaram os cânticos. Fez-se profundo silêncio. E o sacerdote, batendo no peito três vezes, suplicou cheio de humildade e confiança:

DOMINI, NON SUM DIGNUS UT INTRES SUB TECTUM MEUM...

( Senhor, eu não sou digno de que entreis na minha casa...)

— Eis aí — acudiu o Anjo. — Acabaste de ouvir! Foram estas palavras proferidas, há muitos séculos, por teu filho, e até hoje os homens as repetem diante de Deus! Sinto dizer-te, porém, que não são versos de Cláudio, o poeta; são simples palavras proferidas por Marcelo, teu filho mais moço...

Flaminius quedou um momento perplexo e replicou, esboçando um sorriso pálido:

— Aquele que se fez soldado?

— Sim — confirmou o Anjo, num tom de absoluta confiança —, aquele que se alistou nas legiões de César! Marcelo era um homem bom e caridoso: apiedava-se dos sofrimentos alheios; socorria os pobres; consolava os aflitos. Quando servia às ordens de Herodes, tetrarca da Galiléia, um dos seus servos adoeceu com uma grave paralisia. Marcelo, que nesse tempo, fora promovido; já era centurião. E todos os homens de sua centúria o estimavam.

Inspirado pela delicadeza de sua sensibilidade, cuidou Marcelo de acudir, com desvelo, ao servo enfermo. Todos os remédios, aconselhados por amigos e vizinhos, ele experimentara, sem resultado. Alguém sugeriu:

— “ Chefe! Por que não apelas para Jesus de Nazaré? Dizem que o Rabi faz milagres!”.

Marcelo era puro de coração e, muito embora fosse romano, acreditava naquele Rabi, cheio de simplicidade e candura, que sorria para as criancinhas e curava os enfermos com o simples estender suave de suas divinas mãos.

Não se atreveu, porém, a ir procurar Jesus e pediu a alguns israelitas que fossem em busca do Mestre, de cujo amparo o infeliz servo tanto necessitava.

Jesus, Nosso Senhor, com seus discípulos, dirigia-se para Cafarnaum, quando recebeu o pedido de dois anciãos, amigos de Marcelo. E disse aos que o acompanhavam.

— Irei até lá!

Quando o centurião romano foi informado de que Jesus de Nazaré, em pessoa, se dirigia para a sua morada, levantou-se imediatamente a passos rápidos seguido de alguns ajudantes e servos e foi ter, muito respeitoso, ao encontro do Mestre. E disse-lhe, com extrema humildade:

— Senhor! Eu não sou digno de que entreis em minha morada ( Domine, non sum dignus...) Basta que digais uma só palavra e, estou certo, meu servo estará para sempre curado!

E, como Cristo o fitasse surpreendido, ajuntou:

— Porque eu, Senhor, sou militar e sei muito bem o que é obedecer e o que é mandar! Estou sujeito à autoridade de meus chefes, e tenho soldados às minhas ordens! Digo a um : — “ Vai!” E ele segue o rumo que indiquei. Digo a outro: — “ Vem cá!” E ele se aproxima de mim! Basta, pois, Senhor, uma só palavra Vossa, e meu servo será salvo.

Ouvindo isto, Jesus se admirou; e, voltando-se para o povo que o seguia, disse:

— Em verdade, em verdade vos digo que nem em Israel achei tão grande fé.

E disse ao bom centurião:

— Vai, e faça-se como tu crês!

E, naquela mesma hora, ficou curado o servo!

Que restam dos versos famosos de Cláudio, o festejado poeta? Não! Os homens não se lembram mais das odes admiráveis que César elogiava e que os comediantes mais ilustres declamavam nos festins romanos.

Mas as palavras do bom soldado são repetidas todos os dias, com profunda veneração, por milhares de lábios humildes e orgulhosos!

— E por quê?

— Porque as palavras do poeta eram despidas de sinceridade, ao passo que as palavras do soldado foram proferidas com fé!

Escuta, meu filho, as palavras ditas com fé, para a salvação de uma alma, ficarão na lembrança dos homens per omnia soecula soeculorum!

Glória a Deus! Glória a Deus no mais alto dos céus e paz, na terra, aos homens de boa vontade!

Amém!

Mensagem de fim de ano

Minha vida deu um giro de 180 graus. Emprego novo, casa nova... Estou novamente em fase de mudança e ficarei um tempo sem internet, até instalá-la de novo. Mas espero que a ausência seja breve e logo possa voltar a postar para vocês e que no próximo ano, eu consiga trazer muitas novidades.
Obrigada pelo ano que passei em companhia de todos. Fiz boas amizades, entre elas: Renata Maria Parreira Cordeiro (blog Eu e Daí?), Leonara Dias, Reflexo d'alma, Iolass e Simões Lopes, amigos que seguem este blog . E para todos os amigos, seguidores ou não, desejo:
Boas Festas


Envie imagens para amigos você também!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Mensagem Especial: aos amigos que prestigiam este blog


Cometas e Estrelas

Há pessoas estrelas e pessoas cometas.

Cometas passam, são lembrados apenas pelas datas

em que surgem e retornam.

Muitas pessoas são como os cometas;

passam pela vida da gente sem iluminar, sem aquecer

e sem marcar presença.

O indivíduo cometa não sabe ser amigo, quando

muito, é companheiro por instantes.

Ele costuma explorar os sentimentos e aproveitar-se

das pessoas e situações.

Faz acreditar e desacreditar ao mesmo tempo.

Importante é ser estrela. Amigos, são estrelas

na vida da gente. Pode-se contar com eles.

Os anos passam, surgem as distâncias, mas a marca

fica no coração. É preciso criar um mundo

de estrelas. E todos os dias poder ver sua luz

e contar com elas.

Ser estrela neste mundo passageiro, cheio de

pessoas cometas, é um desafio, mas acima de

tudo, uma recompensa.

É nascer e viver, e não apenas existir.


Autor desconhecido

*Vocês são minhas estrelas!!!!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Tristão e Isolda-Capítulo 18: Amores e Intrigas (3ª parte)


índice geral :: parte anterior

Tristão calou-se. Dinas olhava-o e percebera que a sua decepção não se comparava ao fardo que o amigo carregava: amor e gratidão ao tio, misturado ao sentimento de culpa por ser amante da esposa dele. Talvez, no lugar de Tristão, ele já teria enlouquecido com essa situação. Dinas desviou o assunto.

— No dia que me contaste, eu fiquei perplexo. Ainda tentei falar com ela, mas quando entrei no quarto e a vi dormindo, perdi a coragem.

— Por um lado, deve ter sido melhor assim... aquele dia estavas nervoso e talvez, instigado pelo ciúme, pudesse ter posto tudo a perder.

—É pode ser... mas mesmo assim, ainda me sinto traído. Só que, posso relevar, já que me garantiste que foi só aquela noite.

—Foi aquela vez apenas, posso afiançar-vos, tem a minha palavra.

Brangia apareceu de repente e perguntando por Isolda.

— Sir Tristão? Sir Dinas?! Onde está Isolda?

— Acabou de sair com as donzelas, Brangia. Estão na praia —responde Tristão.

— Nossa! Por que ela não me esperou?

— Porque eu preciso falar-te e não ouses fugir de mim, como sempre fazes! — adianta-se Dinas de Lindan.

Brangia olhou desesperada para Tristão em busca de socorro, mas ele ignorou e afastou-se para que ambos pudessem conversar.

— Bom... eu não sei como começar, mas... — Dinas faz uma pausa para observá-la. Brangia estava imóvel, exceto por uma das mãos, que apertava nervosamente o vestido.

— Brangia... talvez aqui não seja um bom lugar para esta conversa, porque alguém pode passar e nos oubir. Vamos até o jardim.

Enquanto saíam, havia um alvoroço no pátio do castelo, o que favoreceu-os para que ninguém os visse.

Basílica e Audret tinham acabado de chegar.

— Bem, chegamos! Oh, quero só ver a reação de todos ao me virem assim! “Principalmente Tristão” — pensa ela delirante. —“Talvez o luto não me favorecesse e por isso, Tristão nunca notou como sou bela...”

Como se lesse os pensamentos dela, Audret insinuou...

— Todos, ou uma “certa” pessoa?! — comenta enciumado.

Basílica fez-se de surda ao comentário maldoso e desceu da carruagem. Até Isolda, que acabara de sair e suas damas, se espantaram.

— Basílica?! — comenta a rainha. — Estás tão... diferente...

Ai! E linda também!!! — assanhou-se Lívian.

Todas as donzelas a cercaram para admirá-la. Basílica sentiu que seu ego ia explodir.

— Meu marido Audret é muito generoso!

Marido?!! — espanta-se Isolda.

— Sim, nos casamos durante a viagem.

— O-Ora! Meus parabéns! — gagueja Isolda, ainda surpresa com a nova. — Aos dois!

Audret não parecia muito satisfeito.

— Vou dar ordens aos criados, para que descarreguem e levem nossas bagagens, com licença minha rainha.

Sai ele.

— Nossa! Ele não parece muito feliz, estando recém casado! — observou uma das garotas.

— É apenas cansaço da viagem. Coitado! Pouco descansou, desde que nos casamos... Onde vão? — Basílica mudou de assunto rapidamente, para não dar chances a mais especulações.

— À praia. Se não estiver muito cansada, gostaria de ir conosco, Basílica? — convida Isolda.

— Adoraria, minha rainha!

Basílica fez uma reverência e seguiu com elas.

Dinas conduziu Brangia até o lugar determinado e fez com que se sentasse. Ela se sentou imóvel e sem falas, como uma estátua de mármore, que fizesse parte do jardim.

— Brangia, por favor... não torne cada vez mais difícil para nós esta conversa. Sabe o quanto está me custando falar sobre esse assunto?

Ele se sentou perto dela e Brangia afasta-se mais uma vez. Dinas puxou-a para que o olhasse nos olhos e embora relutasse um pouco, acabou encarando-o a contra-gosto.

— Assim está melhor...

— Sir Dinas, por favor...

— Eu já soube de tudo.

— Soube do quê? — Brangia estremece com a nova.

— Do que fizeste para salvar Tristão e Isolda. És muito corajosa...

Quê?! Como soube?

— Tristão me contou.

— Ah, não! Ele não podia ter feito isso comigo! Ele me prometeu que guardaria segredo! Maldito...

— Ei! Antes de condená-lo, saiba que ele só o fez, para cumprir uma ordem da rainha.

Isolda também?! Raios!!! Por que eles fizeram isso comigo?

— Fizeram por se sentirem culpados e pensando em seu bem, por isso, não os culpe assim — defende ele.

— Eles não tinham este direito! Era um segredo meu. Assim como guardo o deles, eles deveriam fazer o mesmo!

— Eles não suportavam mais ver o quanto você se martirizava por isso.

Brangia não conteve mais as lágrimas e Dinas abraça-lhe. Com isso, ela chorou ainda mais... como uma criança que buscasse consolo nos braços de um adulto, depois de levar um tombo ou um susto.

— Não deveis criticá-los assim. Isso foi prova de imensa gratidão e grande amizade por ti. Eles querem ver-te feliz. Brangia, olhe para mim... eu te amo, apesar de tudo e gostaria que soubesses disso.

Hã?! Mas eu estou maculada pro resto da vida! Como pode teimar em sentir algo assim por mim? Eu não te mereço...

— Pára de dizer que não mereces nada! Tu o fizeste visando praticar um bem! E realmente, que saída eles tinham? O rei ia descobrir tudo e nem eu conseguiria pensar em algo melhor. Você foi...

— Rameira.

— Não. Incrível! E ouso dizer que esta tua coragem, prova o quanto sois fiel à tua senhora, e isso cativou-me ainda mais! Foi um ato digno... meio torto, é claro! — ele riu. — Mas ainda assim, digno, visando os reais motivos...

— Você... —gagueja ela ainda não acreditando. — Está me dizendo que não está nem um pouco magoado e que, ainda assim, me perdoa por tudo?!

— Bom... se dissesse que não estou magoado, estaria sendo hipócrita, mas... digamos que eu entendo suas razões e que posso relevar e esquecer isso — fala ele meio sem-graça.

A tristeza de Brangia cedeu lugar a uma alegria inenarrável. Ela o abraçou e disparou nas palavras.

Dinaseujuroquefoisónaquelanoiteeoreinuncamaistocouemmim!!!

Ei! Calma! Eu sei disso!!!! Esper...


4ª parte :: índice geral

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Demora nas postagens


Mais uma vez venho pedir a todos desculpas, mas infelizmente, ainda estou escrevendo a história e por isso as postagens estão sendo publicadas de forma mais lenta, além de quê, evito ter pressa, pois a pressa é inimiga da perfeição e pode ocasionar de transformar uma boa história em um desastre total, por isso, em respeito aos leitores, estou escrevendo de forma a manter a mesma qualidade de sempre e isso implica em um pouco mais de tempo, pesquisas e dedicação. Um beijo no coração de todos e aguardem as novidades.

domingo, 27 de setembro de 2009

Tristão e Isolda-Capítulo 18: Amores e Intrigas (2ª parte)


Tristão e Isolda em novo formato, em comemoração aos quase 3 anos de Blog em companhia de todos vocês.

índice geral :: parte anterior

Os dias que antecederam a chegada de Marcos foram cheios de novidades:

Audret foi obrigado a viajar, meio a contra-gosto. Basílica o estava atormentando com a idéia fixa de jóias, roupas novas e o casamento. Tanto, que obrigou-o a ir às suas terras, no leste, para que Basílica escolhesse vestidos e jóias que pertenceram à mãe dele. Vestidos coloridos e finos para uma dama. Queria deixar o luto para trás, definitivamente e receber o rei já com outros ares. Lá também se casaram.

Na volta, ela estava satisfeita e na carruagem, Basílica não parava de contemplar as jóias conquistadas. Audret já estava enfadado.

— Veja! Ficarei linda com este colar quando usar aquele vestido carmin! —falava empolgada segurando uma magnífica peça em ouro, encrustrada de rubis.

— Não vais mesmo me contar o que sabes, não é? Depois de tudo que fiz...

— Ainda falta partes do nosso trato.

— Espero que esteja satisfeita! — desdenha ele.

— Sim, por enquanto, mas ainda quero roupas novas e não de segunda mão.

— Eu não tenho tempo para comprar tecidos finos no porto e mandar confeccionar roupas, só para atender aos teus caprichos! — irrita-se ele.

— Poderia ser um pouco mais cortês, meu marido e senhor!

— Podíamos ter esperado o rei voltar e só então, nos casaríamos.

— Eu tinha pressa.

— Um casamento de aparências, nada mais!

— Eu já disse, posso ser tua quando quiseres, mas depois de Tristão.

— Vadia! — fala Audret entre-dentes e Basílica fez ouvido surdo.

Brangia também teve uma surpresa; Dinas, depois de muito refletir, após Tristão contar-lhe sobre a aia e Marcos, decidira conversar com Brangia e certa manhã, surpreende Isolda.

— Senhora, onde está Brangia? — fala à Isolda.

— Descendo daqui há pouco, suponho.

— Preciso falar com ela...

O travesso Huddent, ao colo da rainha, fazia-lhe festa, mas Dinas estava tão ansioso que nem percebera o pequeno cão.

— Bom dia, majestade! — cumprimenta-lhe Helena, que vinha acompanhada de Lívian. Ela toda faceira e sorridente, também cumprimentou-a. O castelo aos poucos acordava.

— Oh, bom dia meninas!

—O que faremos hoje, rainha Isolda?! — pergunta-lhe Lívian assanhada.

— Bom, pensei de algo diferente. O dia está tão lindo! Que tal um passeio pela praia?

Oba! — gritaram elas.

— Chamem as outras.

— E Brangia? Não vai esperá-la?! — observa Helena.

— Creio que hoje, Brangia estará um pouco ocupada — disse Isolda, olhando sugestivamente para Dinas e ele corou.

As meninas riram e saíram a comentar sobre o fato. Talvez já entendessem a rainha, na linguagem de seus olhares mudos, pelo tempo que estavam em sua companhia e muitas delas já desconfiavam que algo muito forte unia o Senescal à jovem aia de Isolda.

— Acho que vamos ter outro casamento em breve... —sussurra Lívian à amiga, dando um risinho travesso.

— Ai, Lívian! Larga de ser mexeriqueira! — critica-lhe Helena, mas rindo também.

Isolda arregalou os belos olhos azuis e olhou Dinas, que após a observação das garotas, estava engasgado e vermelho como um tomate. Ela acabou rindo também, chamando a atenção de Tristão, que acabava de chegar.

— Qual é a graça?—pergunta ele.

— Seu amigo Dinas, como sempre! — fala ela. — Vou à praia com as meninas — avisa-lhe.

—Não se afaste muito, senhora. Preciso zelar por ti...

— Ora! Que preocupação tola, meu querido! Sei me cuidar muito bem...

—Sabe?! Sei... Ontem, quando lhe ensinava a manejar a espada, quase decepara o dedo do seu pé — comenta ele rindo.

Tristão?! Não precisa espalhar isso!

Isolda sai fingindo-se irritada, mas antes de cruzar a saída, sorri para Tristão ternamente.

— Oi, Dinas! Como estás, amigo?

— Menos confuso agora.

— Que bom!

— Vou falar com Brangia hoje.

— Não diga?!

— É... pois é... ãh... criei coragem... — pigarreia ele.

— Sim, esclareças tudo com Brangia e se ela é importante para ti, perdoe-a. Dê a si mesmo a chance de ser feliz, Dinas. Não é justo Brangia pagar pelo erro dos outros...

3ª parte :: índice geral

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Tristão e Isolda-Capítulo 18: Amores e Intrigas (1ª parte)

Oi, gente!!! Preciso avisá-los que esta parte de Tristão e Isolda que era "A volta surpresa do Rei Marcos" mudou para "amores e intrigas", porque até o Rei voltar, considerando que as viagens medievais duravam meses, o capítulo levaria umas dez partes até chegar ao seu fim. Assim sendo, observando a estrutura desta parte, vi intrigas e o começo de um romance, em paralelo aos dos nosso heróis, que cativará a todos, tenho certeza. Daí o motivo da mudança, embora o conto permaneça como era antes. Um abraço no coração de todos!!!!

Aos poucos estou retomando a história, embora não possa escrever com tanta frequência, mas tentarei dar o melhor de mim nesse romance que, até hoje, encanta gerações...


índice geral :: capítulo anterior

Assim, Audret voltou da caçada muito satisfeito consigo e logo que chegou ao castelo foi falar com Basílica.

— Tudo está correndo maravilhosamente bem. Os barões conselheiros ficaram escandalizados com a carta.
— Não me diga?! Pois meu dia foi bem proveitoso também, caro primo! — comenta ela triunfante.
— Devagar... não me diga que descobriu algo importante enquanto estive ausente?
— Descobri um grande segredo... um segredo que poderá comprometer, não apenas Tristão, mas todos por quem nutres verdadeira antipatia...
Audret ri satisfeito por mais essa novidade.
— Como?! Conte-me...
— Para quê a pressa?! — desdenha ela.
— Ora, faça-me um favor! Deixai de meneios e conte-me logo o que descobriste!
— Mais devagar, meu querido! Tudo tem um preço...
— Que conversa é essa? — espanta-se Audret. — Ora, mulher tola! Não tenho tempo a perder contigo... — diz-lhe rispidamente. — fala logo!
— Não. Ainda estou muito magoada convosco pelo que fizeste-me pela manhã e pela forma grosseira como vem me tratando, durante todo esse tempo! E também estou farta de ser a sombra da irlandesa!
— Por isso?! Ora, minha querida, tudo o que fiz foi por precaução! Tu não vens te comportando devidamente; queres que tudo aconteça de forma rápida e nesse caso, não podemos nos precipitar...
— Justo... por isso também não quero me precipitar para revelar o que sei, sem antes conseguir algumas garantias.
— Onde queres chegar? — Audret pergunta friamente.
— Quero que você faça algumas coisas para mim. Primeiro: case-se comigo o mais rápido possível. Segundo: Cubra-me de ouro, jóias e vestidos coloridos e alegres, pois cansei de ser viúva e preto não combina comigo. E Terceiro: — ela faz uma pausa e ri maliciosamente... — quero que Tristão seja meu por uma noite...
O sangue de Audret ferveu.
O quê?! Ora, sua rameira! Tipo á toa!!! Eu vou... — Audret ameaçou bater-lhe, mas ela encarou-o de forma corajosa.
Vai me bater outra vez, como fez outro dia?! Pois faça! Faça e jamais saberás o que sei e nosso acordo termina aqui e não contes comigo para mais nada!!!
Audret baixou a mão, porém não perdeu sua pose debochada.
Ráh! Não me faça rir... acha que Tristão irá se prestar a este papel?! Ele a despreza, como jamais desprezou mulher alguma! Ele vai preferir mil vezes deitar-se com o diabo do que convosco, sua tola apaixonada!
— Por isso mesmo que preciso de uma ajudazinha...
Dê-se ao respeito! Tenha um pouco de amor próprio!
Amor próprio?! E nós mulheres temos direito a termos amor próprio? Vocês homens, com seu machismo disfarçado de honra, são os primeiros a nos sufocarem! Vocês não nos deixam ter nossa vontade própria! Nos obrigam a casar com qualquer homem, por meros interesses vossos, e se dizemos que amamos alguém, somos vistas como as grandes pecadoras da civilização, piores até do que Eva!!!! Pensa que é fácil para nós? Eu sou um bom exemplo da ditadura que vocês nos impõem; eu nunca fui feliz no casamento arranjado para mim. Meu marido era um homem que preferia outros homens em sua cama; só se deitava comigo quando cobravam um herdeiro, porque fora isso, nem me procurava!
Ora, poupe-me de detalhes! Sua vida amorosa não me interessa!
— É o que todos vocês dizem... isso nunca interessa a vocês e jamais interessará! Não passamos de sombras! Ainda bem que não dei filhos aquele homem desprezível, ele morreu antes disso! Eu cuidei dele... e farei o mesmo com você, pois a mim nada me custa! — revelou ela, com os olhos vibrantes de triunfo.
— Eu entendi bem? Está me ameaçando, Basílica?!
— Entenda como quiser, Audret querido! Mas isso não vem ao caso, agora! Eu nunca me apaixonei por alguém antes, a não ser por Tristão, e quero ser feliz pelo menos por uma miserável noite!
Audret não mais argumentou com aquela mulher tão alucinada e louca.
Ela é perigosa... — pensa Audret desconfiado. — não posso confiar nela tanto quanto pensei... mas se ela pensa que darei essa alegria que ela tanto espera...ah, sua mulher traiçoeira...eu sim acabarei com você antes...”
— E então... fazemos o acordo?
— Espero que o segredo valha mesmo a pena... — fala ele entredentes.
Basílica sorri satisfeita. Havia conseguido uma vitória contra Audret. Pelo menos por enquanto...

Enfim, os barões não conseguiram engolir aquela história de traição e indignados, mandaram que Audret escrevesse ao rei para que se apressasse em sua volta, pois sem ele para colocar ordem, nada estava correndo a contento e, embora não falassem claramente, insinuaram um possível caso entre Tristão e a rainha. O que fez Marcos sentir-se confuso.
Ora, francamente! O que estes insanos estão dizendo aqui? — comentava com Uriens.
— O que foi, amigo?
— Nada, Uriens — desconversou o rei da Cornualha. — Problemas comuns a todos os reinos, creio...
— Parece muito perturbado para simples problemas de Cortes, Rei Marcos — fala Morgana ressabiada.
— Línguas venenosas, Lady Morgana! Línguas venenosas! Só espero que eles possam provar isso, senão, não respondo por mim! Hão de pagar caro por tamanha infâmia!
Uriens e Morgana não compreenderam.
— Bom, por um lado, creio já estar na hora de voltar mesmo. Já me demorei em demasia por aqui. Devo partir logo...
— Mas espere até amanhã. Se saíres agora, a noite irá surpreendê-lo... — sugeriu Uriens.
— Sim, claro! Sem dúvida! À noite, nunca é seguro viajar... bem, se me derem licença, desejo deitar-me mais cedo hoje. Estou com um pouco de dor-de-cabeça...

Marcos despediu-se dos anfitriões e recolheu-se. Ele não estava com sono, apenas mentira para conseguir um pretexto para sair e pensar no que lera, e a frase que mais o perturbara na carta, foi a que insinuara que Tristão se preocupava mais em cuidar e satisfazer a rainha, do que zelar pelo castelo e que ele, sim, deveria voltar e zelar mais pela esposa, em vez de terceiros, que se mostravam tão íntimos.

"Ainda não acredito nisso, meus barões em nada mudaram em relação a Tristão. Primeiro espalharam que meu sobrinho curou-se da ferida de Morholt, por que tinha parte com o diabo e agora, isso..." — pensa o tio negando-se a acreditar — Eles já estão indo longe demais...Tristão jamais faria isso... Ele sempre foi um cavaleiro fiel e dedicado... isto só pode ser uma grande calúnia e vou desvendá-la, assim que voltar..."


2ª parte :: índice geral

domingo, 19 de julho de 2009

Alcançado o último trecho escrito




Agora precisarei de um tempo para atualizar o texto e tornar a postar, e quero dar uma grande virada nessa história. Tenho que deixar a preguiça de lado...
Sentirei saudades de todos! Até breve amigos!

Tristão e Isolda-capítulo 17: Buscando Testemunhas-5ª parte



Tristão e Dinas entram.
— Minha boa Hildithe! — brinca Tristão.
— Bom dia Sir Tristão!
— Hildithe, sirva um pouco de água para o nosso amigo — pede ele, batendo no ombro de Dinas.
— Acho que eu deveria era tomar um vinho, isso sim! — diz ele cabisbaixo.
— O vinho não irá ajudar a clarear vossos pensamentos, meu amigo — aconselhou-lhe o cavaleiro.
— Aqui Sir Tristão! — fala a cozinheira de modo maternal e sorridente.
— Beba, Dinas. Irá se sentir melhor.
— Sir Dinas está doente? Sente-se mal, meu filho?
— Não é nada, boa Hildithe. Apenas estou confuso com uma notícia que acabei de receber — fala ele, engolindo um pouco de água. — O que faço, Tristão?
— Bom, esta decisão compete apenas a vós e para tomar a melhor decisão, creio que encontrarás as respostas em vosso coração — responde-lhe. — Se de fato amais a jovem de forma incondicional, como afirmas e ainda mais sabendo como se deu o fato...
Dinas olha para a superfície da água serena e observa o seu reflexo. Tristão fizera uma pausa...
— Eu não sei, realmente não sei...
— Pense bem, amigo... A pobre moça está sofrendo muito... Tu não fazes nem idéia!
— Onde ela está?
— Dormindo ainda, presumo.
— Onde?
— No quarto das damas, onde mais? É lá que ela fica agora, com as outras moças.
— Ela está sozinha?
— Sim. As meninas estão brincando no jardim com Huddent.
— Preciso vê-la! — Dinas empurra a cadeira e afasta-se apressadamente, deixando a água pela metade.
Tristão sorri satisfeito. De alguma forma, imaginou que tinha sido útil à Brangia. Perynnis e Hildithe o olhavam.
— Quer comer algo, Sir Tristão? — pergunta a velha Hildithe, prestimosa.
— Ah sim! Uma fruta por favor...
Ela pega uma maçã e passa a fruta a Tristão. Ele pega a suculenta esfera e brinca um pouco, absorto em seus pensamentos, antes de dar a primeira dentada.
Basílica dirigiu-se ao jardim e viu de longe, as meninas brincando com o pequeno Huddent. Fitou-as longamente e agora, tinha conseguido passar da surpresa inicial e organizava os pensamentos.
“—Nunca imaginaria tal coisa... a rainha Isolda é de fato, muito ardilosa...” — pensava ela. “— Acabei de descobrir um grande trunfo... e Audret chegou a dizer-me, certa vez, que eu não estava servindo para nada, por não fazer-me amiga da lacraia irlandesa...”
Lembrou-se, então, amargurada, da forma como ele a tratara pela manhã e arquitetou um plano diabólico:
“—Estou sendo uma tola por deixar-me dominar por ele...” — reflete ela. “—Embora tenha me prometido tornar-me rainha da Cornualha, não confio nele. Ele não me deu nenhuma garantia...”
Seus olhos faiscaram e seu rosto perfeito, deformou-se num sorriso torto e cínico.
“— Tenho em minhas mãos o destino de Tristão e Isolda...” — riu-se. —“Um segredo que, com certeza, levará todos os traidores à morte: Isolda, Tristão, Brangia e Dinas...”
A ganância era gritante no olhar de Basílica.
“— Se Audret pensa que vou correndo contar-lhe esta nova, está enganado. Esse segredo é muito valioso e hei de vendê-lo caro... Ele terá que comer aqui, em minha mão, se quiser que eu conte o que sei...” — ela faz uma pausa. “— Terá que atender a certas exigências minhas...”
Ela ri novamente, triunfante, já imaginado o que exigiria pela verdade.
“— Primeiro: que Audret se case comigo, imediatamente; segundo: que ele me cubra de vestidos novos e jóias, estou cansada de usar estes vestidos negros e terceiro... — Basílica delira com a idéia. — que ele faça com que Tristão se deite comigo, nem que seja por uma única vez...”
O coração de Basílica disparou. Ela ainda desejava Tristão, na verdade, Basílica nunca o esquecera. Estava com Audret, apenas por mero interesse, o tolo do Audret é que imaginava que ela o amasse.
“— Esse será o meu grande dia...” — ri maliciosamente. — “... Tristão terá que deitar-se comigo, sem reclamar e pensando bem, se a sorte sorrir-me, posso fazer com que a irlandesa insossa nos flagre juntos e assim, irei separá-los de vez. Feito isso, mato Audret, assim como matei o meu ex-marido afeminado e posso até conquistar Tristão e casar-me com ele...”
Dinas dirigiu-se apressado ao quarto das damas, porém, chegando diante da porta, sentiu-se acovardar e hesitou. O coração acelerado... Por fim, entrou.
As cortinas estavam fechadas, para que o brilho do dia não a incomodasse e Brangia dormia serenamente. Dinas se aproximou devagar, mas algo lhe disse para não acordá-la, que esperasse a melhor hora para conversarem. Por um tempo, ficou velando o seu sono e observando-a em sua beleza, tão simples e ao mesmo tempo tão perfeita. Limitou-se a fazer-lhe um pequeno carinho em seu rosto e saiu em silêncio.
Enquanto isso, na floresta de Morois, Audret e os barões já apreciavam o resultado da caçada. Degustavam um suculento javali e um filhote de cervo. Os cães saciavam-se com os ossos e os restos de carne, que os homens lhes lançavam.
A temperatura estava muito agradável e a conversa também. até que uma hora interrompeu-os e tomou a palavra.
— Amigos, chamei-os aqui para que possamos discutir sobre um assunto que considero de extrema importância.
— É mesmo?! E qual assunto seria este? — riu-se o homem.
— Talvez não necessariamente um assunto, mas um fato do qual eu, infelizmente, tomei conhecimento — disse-lhes Audret.
— Por Deus, ficamos bem curiosos agora! — comenta Sir Gondoine.
— Eu desconfio de algo muito sério e, asseguro-vos, muito comprometedor, sobre Sir Tristão e a Rainha. Creio que, há muito tempo são amantes.
— O quê?! — surpreende-se Sir Denoallen. —Tem provas disto? Isto é muito sério, Dom Audret...
— Isto é verdade Dom Audret?! — pergunta Sir Gondoine, ainda incrédulo.
— Infelizmente sim, caros senhores. E tenho aqui comigo uma carta do Rei da Irlanda confirmando o amor de ambos.
Audret retira a carta de seus guardados e estende-lhe a mensagem para que todos os barões lessem.
— Não posso crer... É- É simplesmente absurdo! — gagueja Sir Gondoine ao ler. — Vede, vede Sir Denoallen.
— Deixe-me ver isso... Oh, céus caiam sobre minha cabeça! Nosso bom rei não merece tamanha traição!
— Para mim, creio não ser novidade, nunca apreciei o Cavaleiro da Cornualha, quando chegou aqui — fala Sir Guenelon.
— E pior! Justamente pelas duas pessoas que ele mais admira... — fala Audret fingindo falso pesar. — Oh, meu pobre tio... Nem eu imaginava uma coisa dessas!
— Assim que nosso rei regressar, devemos tomar uma atitude e abrir-lhe os olhos! — comenta Denoallen. — Eles não podem trair o rei e ficarem impunes!
— Por isso chamei-os para esta caçada, para que possamos planejar qual a melhor atitude a ser tomada, sem que corrêssemos o risco de sermos flagrados neste intento.
— Ora, não há o que discutir, devemos contar ao rei e mostrar esta carta! Quer maior prova que esta? — irrita-se Sir Gondoine.
— Mas será que o rei acreditará, se ele não viu nada? — indaga-se Sir Guenelon. — Todos sabem que para o nosso rei é Deus no Céu e Sir Tristão na Terra...
— De braços cruzados, que não poderemos ficar — afirma Sir Gondoine.
— Bem, a carta já foi escrita há muito tempo, não sei se será prova suficiente. Acho que além de contar-lhe o fato, imagino que deveríamos armar um flagra dos dois, para que o rei os veja juntos — sugere Audret.
— Excelente idéia, Sir Audret. Creio que será perfeito... — vibra Gondoine
Audret ficou satisfeitíssimo com o plano traçado correndo maravilhosamente bem.
“ — Logo o verei pendente em uma forca, querido primo...” — pensou ele.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Prece por uma alma


Onipotente Deus, que a tua misericórdia se derrame sobre a alma de Michael Joseph Jakson, a quem chamaste da Terra. Possam ser-lhe contadas as provas que aqui sofreu, bem como ter suavizadas e encurtadas as penas que ainda haja de suportar na Espiritualidade!
Bons Espíritos que o viestes receber e Tu, particularmente, seu anjo-guardião, ajudai-o a despojar-se da matéria; dai-lhe a luz e a consciência de si mesmo, a fim de que saia presto da perturbação inerente à passagem da vida corpórea para a vida espiritual. Inspirai-lhe o arrependimento das faltas que haja cometido e o desejo de obter permissão para as reparar, a fim de acelerar o seu avanço rumo à Vida Eterna bem-aventurada.
Michael Joseph Jaskson acabas de entrar no mundo dos Espíritos e, no entanto, tu nos vês e ouves, por isso que de menos do que havia, entre ti e nós, só há o corpo perecível que vieste a abandonar e que em breve estará reduzido ao pó.
Despiste o envoltório grosseiro, sujeito as vicissitudes a à morte, e conservaste apenas o envoltório etéreo, imperecível e inacessível aos sofrimentos. Já não vives pelo corpo; vives da vida dos Espíritos, vida essa isenta das misérias que afligem a humanidade.
Já não tens diante de ti o véu que às nossas vistas oculta os explendores da vida no Além. Podes, doravante, contemplar novas maravilhas, ao passo que nós ainda continuamos mergulhados em trevas.
Vais, em plena liberdade, percorrer o espaço e visitar os mundos, enquanto nós rastejaremos penosamente na Terra, à qual se conserva preso o nosso corpo material, semelhante para nós a pesado fardo.
Diante de ti, vai desenrolar-se o panorama do infinito e, em face de tanta grandeza, compreenderás o vazio dos nossos desejos terrestres, das nossas ambições mundanas e dos gozos fúteis com que os homens tanto se deleitam.
A morte, para os homens, mais não é do que uma separação material de alguns instantes. Do exílio onde ainda nos retém a vontade de Deus, bem assim como os deveres que nos correm neste mundo, acompanhar-te-emos pelo pensamento, até que nos seja permitido juntar-nos a ti, como tu te reuniste aos que te precederam.
Não podemos ir onde te achas, mas tu podes vir ter conosco. Vem, pois, aos que te amam e que tu amaste; ampara-os nas provas da vida; vela pelos que te são caros; protege-os, como puderes; suaviza-lhes os pesares, fazendo-os perceber, pelo pensamento, que és mais ditoso agora e dando-lhes a consoladora certeza de que um dia estareis todos reunidos num mundo melhor.
Nesse, onde te encontras, devem extinguir-se todos os ressentimentos. Que a eles, daqui em diante, sejas inacessível, a bem da tua felicidade futura! Perdoa, portanto, aos que hajam incorrido em falta para contigo, como eles te perdoam as que tenhas cometido para com eles.
Michael Joseph Jakson vá em paz... Amém.

domingo, 28 de junho de 2009

Tristão e Isolda-capítulo 17: Buscando Testemunhas-4ª parte


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Perynnis chega animado na cozinha.
— Hildithe! Comida! A rainha Isolda disse que como prestei tantos favores, que hoje eu poderia comer o que quisesse...
— Ora! Admiro-me a cada dia que convivo com Isolda! Ela é tão caridosa... — comenta Basílica.
— Sim, Isolda é muito caridosa, mas isso é verdade, Perynnis?! — pergunta a rechonchuda senhora Hildithe, incrédula.
— Claro que é! — fala ele ofendido.
— Acho melhor perguntar... — fala a cozinheira.
Basílica ofereceu-se para fazer isso.
— Acho melhor não ir lá agora, senhora Basílica. A rainha Isolda está em reunião especial com Sir Tristão e Sir Dinas de Lindan e pediu para não ser incomodada.
— Não diga?! — exclama Basílica, sentindo uma ponta de curiosidade.
— Para mim esse farsante está mentindo...
— Ora, dê a ele o que pede, Hildithe. E acaso ele estiver mentindo, eu mesma me encarregarei de aplicar-lhe umas boas chicotadas — ameaça Basílica.
Perynnis engole em seco. “Reunião com Tristão e Dinas?” — pensou Basílica. — “estranho...”.
Procurando afastar-se da cozinha e ouvir a conversa, Basílica sai discretamente.
— O que quereis do nós, rainha Isolda? — pergunta Dinas à Isolda.
— Não me chame de rainha, caro Dinas, quando estamos sós. Não precisa ter cerimônias comigo, pois vos considero um grande amigo.
Dinas sente-se meio encabulado. Tristão sorri para o amigo.
— Já nos ajudaste tanto... — lembrou ela.
— Mas enfim, Isolda, do que se trata? — indaga Dinas mais uma vez.
— É sobre Brangia, Dinas... estou preocupada com ela.
— Por Deus, o que tem ela? — preocupa-se Dinas aflito.
— Está sofrendo de uma moléstia terrível... sofre de amor não correspondido, acredito...
— Como? Quem ela ama? — a voz de Dinas saiu meio reprimida.
— A ti, bondoso amigo — fala ela.
Ele olha para Tristão atônito.
— É verdade Dinas — confirma Tristão.
Mas pela Virgem! Eu não sou indiferente aos sentimentos dela! Como ela pode dizer que sofre de amor não correspondido? Pelo contrário! Eu sempre me declaro, mas ela sempre se esquiva de mim! Isso, até hoje, ainda não compreendi!
— Ela tem seus motivos Dinas. Sente-se indigna de vosso amor.
— Eu não estou entendendo... Por quê?
— Ela teve que fazer algo horrível para salvar a minha vida e a vida de Tristão. Contudo, acredite querido Dinas, ela só o fez porque não havia outra alternativa.
— Ambos estão me confundindo... Por favor, esclareçam-me...
— Ela nos pediu para nunca contar-vos... — murmura Isolda.
— Mas agora eu quero saber! — insiste ele.
Tristão olha para Isolda em tom inquisidor.
— Tristão, conheces bem teu amigo Dinas?
— Certamente que sim.
— Achas que se ele soubesse, que uma dama que amasse, estivesse desonrada, ele iria desprezá-la.
— Bem, são o que todos os homens costumam fazer... É... Mas como Dinas é dono de um grande coração, talvez perdoasse... Bom, nós homens, de um modo geral, é... quando nos interessamos por alguma dama de boa estirpe, queremos ser sempre o primeiro que... ai, maldição! Tu sabes!
Isolda ri da tentativa, absurdamente tímida, de Tristão tentar justificar os homens.
Hein?! — exclama Dinas ainda confuso.
Basílica estava ouvindo tudo, palavra por palavra, sem se deixar perceber. Estava abrigada à sombra de uma grossa cortina, que separava a sala do trono dos outros ambientes.
— Poderia explicar melhor a ele, querido Tristão? — pede ela. — Sabe... não convém a mim falar sobre esses assuntos...
— Eu não sei, Isolda... Brangia pediu tanto para não contar-lhe... — comenta sem-graça.
— Sei que prometeste querido, mas não consigo ver minha amiga sofrendo...
Tristão hesitou.
— Por favor, Tristão, não se sinta retraído e ademais, com Brangia entendo-me depois.
— Muito bem... se é o que minha rainha deseja...
Tristão virou-se para o amigo, os olhos dele estavam curiosos e ao mesmo tempo, demonstrando um grande desespero. O que Tristão dissesse, talvez fosse o fim para ele e Brangia, ou não.
— Dinas, não é estranho a vós o que passei, por ver Isolda casar-se com meu tio, sabendo que ela estava desonrada...
Ele assentiu.
— Pois bem, querendo livrar-nos de uma possível condenação, Brangia dispôs-se a deitar-se com Marcos em lugar de Isolda.
Dinas ficou pálido.
— Eu não acredito... como isso foi possível? Tudo faz sentido agora... Como ambos tiveram a coragem de...
— Não, querido Dinas... Pensando em salvar a mim e Tristão, ela abriu mão de sua virtude, por vontade própria. Ninguém a obrigou a nada. Nem eu... pelo contrário... Eu fui a primeira a discordar. E Tristão, então, nem sabia o que estava acontecendo.
— Eu só soube, quando Isolda foi, na noite de núpcias, até o meu alojamento para abrigar-se. E pela manhã, vi Brangia chorando no jardim...
Basílica sentiu o ar faltar com essa nova descoberta. “Que ardil!!!!” — ria-se em silêncio. —“E meu primo acreditando, piamente, que quem se entregava a ele era a esposa... Ai! Que Audret volte logo desta maldita caçada, ele tem que saber disso...” — pensa eufórica com a nova descoberta.
— A felicidade de Brangia está em suas mãos, Dinas — encerra Isolda.
Ele estava completamente atordoado, não sabia o que pensar, nem o que falar. Em seu coração os sentimentos estavam mesclados. Uma hora, sentia ciúmes e repulsa; em outra, pena por Brangia.
— Tristão, leve Dinas até a cozinha e converse melhor com ele no caminho.
Ao perceber que a conversa terminara e que ambos vinham em sua direção, Basílica corre de volta à cozinha. Ela entra arfando e ainda não acreditando no que ouvira.
— O que foi, senhora? —assusta-se Hildithe. —Comportai-vos de modo estranho!
Nada! Imagina! É o calor, ufa! — ela abana-se. — Acho que preciso tomar um pouco de ar. Com licença...
Hildithe e Perynnis se entreolharam curiosos.
— Estranho, não? — comenta o pajem, mordiscando um pedaço de carne.
Hildithe deu de ombros.
— Deve ser da idade!
— Ou falta de homem... — ri Perynnis maliciosamente.
PERYNNIS!!! — repreende-lhe a cozinheira.

domingo, 7 de junho de 2009

Tristão e Isolda-capítulo 17: Buscando Testemunhas-3ª parte


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Nesse instante, Tristão também já havia chegado e guardava o seu cavalo quando viu Perynnis atrapalhado para selar os outros.
Maldição! Eu não levo jeito pra isso!
— O que foi Perynnis? — pergunta ele.
Ah! Sir Tristão!!!! Bom dia! Imagina o senhor, que vosso primo, cismou de chamar os barões para uma caçada de surpresa! E Sir Dinas não está aqui para ajudar-me com isso. Ele leva mais jeito com cavalos do que eu, Sir Tristão. Eu sou um empregado da cozinha... — lamenta-se o pajem.
— Não se amofine, caro Perynnis! — ri Tristão. — Vou ajudar-vos!
AAAAhhhh, muito grato, bom cavaleiro!
Tristão o ajuda e rapidamente os cavalos ficam prontos.
— Pode comunicar a Audret que já está tudo pronto — fala Tristão, dando uns tapinhas no dorso de um dos cavalos.
— Muito obrigado, Sir Tristão! Irei imediatamente!
Perynnis sai e não muito tempo depois, Dinas aparece.
— Dinas! Onde estavas? — sorri-lhe Tristão
— Alguém esqueceu um cão! Toma!
Dinas entrega-lhe Huddent, como um fardo e Tristão, de forma desajeitada, tenta acomodá-lo no seu colo, mas o cão só queria saber de lambê-lo.
— Vocês beberam o filtro do amor todo? — pergunta o homem de repente.
Tristão não entendeu.
Hein?!
— Esquece! Devo estar ficando louco!
Dinas fez que iria afastar-se, mas volta em seguida, apontando um dedo inquisidor para seu amigo.
— Escuta aqui, mocinho! Precisamos conversar seriamente e urgente. Mas não agora... Não estou com cabeça para falar com ninguém.
Por Cristo! Por um momento, lembrou-me o meu velho mestre Gorvenal, Dinas... — riu-se Tristão.
Dinas responde-lhe com um sorriso atravessado e sai.
Huddent continuava a fazer-lhe festa de forma frenética, foi aí que Tristão lembrou-se do cão.
— Entendeste alguma coisa, Huddent? — pergunta ao animal.
Huddent olhava-o de língua de fora como se sorrisse, mas inocente de tudo.
— Nem eu. Vamos, amiguinho! Deixe-me levá-lo até Isolda... Pára!!!! Tu não te cansas de lamber-me? — reclama ele.
Ainda nos aposentos, Isolda tentava consolar Brangia.
— O que foi, minha amiga? Por que choras?
— Eu não sei o que fazer para esquecer o que sinto por ele...
— Ele quem?
— Sir Dinas de Lindan!
— Brangia?! — ri Isolda animada. — Eu não acredito! Estás apaixonada!!!! E por Dinas?! Ele é um homem tão bom!
— Mas eu não o mereço...
— Como assim, minha querida amiga? Todos temos direito à felicidade!
— Eu sou uma pobre criada, não posso aspirar ser uma grande dama, esposa de um nobre.
— Que absurdo! Tendes esse direito sim! És linda e bem educada... Qualquer homem adoraria ter-vos como esposa!
— Não desonrada como estou!
— Oh, céus! É isso? Brangia... como me feres toda vez que falas assim...
— Perdão, minha rainha, estou nervosa...
— Brangia, por que não contas para Dinas o que se passou convosco? O que tiveste que fazer por mim e Tristão? Ele irá entender...
— Ele nunca entenderá... Dinas pensa que sou pura e casta! Se ele souber, irá desprezar-me...
— Talvez não, amiga! Ele parece amar-vos na mesma medida que o amais! — Isolda tenta animá-la.
— Não. Eu jamais falarei dos meus sentimentos com ele!
Batidas na porta e Isolda ouve um latido.
— Huddent? — assusta-se Isolda
— Ai, não! Eu esqueci o cão na torre! — fala a aia.
— E eu nem dei falta dele...
Isolda corre e abre a porta, deparando-se com Tristão e o assanhado Huddent fazendo-lhe festa e doido para pular pro colo dela.
Meu fofinho!
Isolda agarra-o feliz.
— Esqueceram de ti, meu querido amiguinho?! Obrigada Tristão... — Isolda sorria-lhe amorosa.
— De nada, minha senhora.
Tristão repara no choro de Brangia
— O que foi? — ele não entende.
—É uma longa história, querido... depois nos falaremos... por hora, preciso dar atenção à Brangia.
Tristão, mesmo alheio, despede-se de Isolda.
Enquanto isso, no pátio do castelo, os barões aguardavam Dom Audret. Ele disse que iria ao quarto rapidamente, pegar uma coisa que havia esquecido.
Audret entrou no quarto e de dentro de um livro, tirou a carta do rei Anguish Gormond.
— Ai! Ai! Hoje melhorarei o meu círculo de amizades e com certeza, muitos aliados contra meu amado primo... — fala cinicamente, dobrando com cuidado a carta e colocando-a dentro da túnica de caça.
Os barões o aguardavam no pátio, já montados em seus corcéis e com os cães de caça a postos. Quando Audret descia as escadas, cruzou com Tristão que estava se dirigindo à esplanada, para conversar com Dinas. Ele, muito cinicamente, convidou-o para a caça, contudo, sabendo o grau da simpatia que os barões lhe devotavam, Tristão preferiu recusar.
— Que pena, meu primo! Sei o quanto gostas de caçar... Enfim, se não quer ir, deixemos para uma próxima vez.
— Sim. Uma próxima vez Audret — fala ele sorrindo e afastando-se.
“Perfeito!” — pensa Audret, dando um sorriso torto. — “Ele não desconfia de nada...”
Audret montou animado.
— Vamos meus caros! Está um excelente dia para caçar!
Eles saíram em direção à floresta, os cães latindo alvoroçados.
Tristão e Dinas viram eles se afastando do castelo.
— Bem, meu amigo, o que tens a falar comigo? — pergunta-lhe Tristão.
— Brangia contou-me que ambos estão se arriscando demais, se encontrando no quarto real todas as noites. Isso não é aconselhável...
— Sim. Isolda contou-me... Mas não se preocupe amigo, já não estamos nos encontrando nos aposentos reais e sim, na praia.
— Mesmo assim, ainda é um lugar de risco; de passagem... Eu ainda acho que ambos deveriam fugir, aproveitando que o rei não está no castelo.
— Eu gostaria, só que não consigo... Quando estou longe de Isolda, a lealdade por Marcos me oprime. Eu não consigo me ver fugindo e causando-lhe tamanha decepção.
— Hestas, o conselheiro real, já anda desconfiado... — comenta Dinas.
— Eu sei — suspira o cavaleiro da Cornualha.
— Tome cuidado Tristão. Explore a floresta de Morois, veja se há alguma gruta onde possam se encontrar de forma mais segura, se não conseguem evitar a paixão que os envenena — aconselhou-o seu amigo.
Tristão ficou pensativo. Nessa hora, apareceu Perynnis.
— Com licença, milordes, e perdoem-me a intromissão. A rainha deseja ver-vos — anuncia ele, fazendo uma reverência meio desajeitada.
Ambos se entreolharam. Entender que Isolda desejava ver Tristão era compreensível, agora, quanto a exigir a presença de Dinas também... Dinas ficou confuso.
— O que será? — pergunta ele a Tristão.
— Não sei, Dinas.
Eles obedeceram. Isolda queria conversar com eles a sós e para evitar a presença de Brangia, deu-lhe um calmante para que dormisse um pouco e quanto às donzelas de companhia, mandou-as brincar no jardim com Huddent.
Ela estava sentada na sala do trono e demonstrando uma certa impaciência.
“Espero ter tomado a decisão mais certa, e que Brangia não sinta raiva de mim...” — pensava preocupada e mordendo os lábios, quando os dois entraram, acompanhados de Perynnis.
— Aqui estamos, senhora — fala Dinas reverente.
— Perynnis, vá à cozinha para ajudar Hildithe e Basílica.
— Meu lugar preferido! He! He! He! — Perynnis nota a asneira que dissera.
Dinas olha para ele em tom reprovador, mas Tristão abafa uma risada, com a sinceridade do homem e a cara de Dinas.
— Perdão senhora, pela minha franqueza!
Isolda ri.
— Pode dizer a Hildithe para deixar que comas o que desejar na cozinha, caro Perynnis! Afinal, presta-me grandes favores, desde que cheguei ao castelo — fala ela bem-humorada.
— Obrigado, minha rainha!!!! Obrigado!
Ele sai correndo.
— Meu Deus! Nunca vi homem mais esfomeado! — reclama Dinas.
— Coitado Dinas! Deixe-o! — fala ela.

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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Brincando no Photoshop: Os concorrentes-uma divertida brincadeira


Oi? Olá?! Há alguém aí? Pois é, voltei pra dar um breve recadinho: Fiz uma enquete pra entretê-los, enquanto eu viajo, no meu blog principal http://fapdunguel.blogspot.com/ . Um dos concorrentes está acima...

Vejam os concorrentes do mês (maio/junho) e divirtam-se durante a minha ausência ^^'!!!! Participem da nova enquete, será divertido!!!! Beijo meus amigos e até a próxima. Agora voltarei ao meu retiro espiritual preparatório pra nova vida de casada...




PS: Lembrando que o eleito será depois postado no tamanho padrão, para quem quiser adquirir.

Leia o regulamento no meu blog principal, postagem:

terça-feira, 12 de maio de 2009

A última arte como solteira

foto: GEMINI-os Filhos do Olimpo
Por uma semana, não poderei atualizar nada nos blogs. Estarei vivendo o meu momento mágico de despedida de solteira, finalmente. Da próxima vez que escrever algo e postar, já serei a senhora Dunguel Simões Lopes ^^.
Para encerrar esta fase com chave de ouro, aí vai uma ilustração minha pra quem curte quadrinhos e mangá. Um papel de parede que acabei de fazer de uns personagens que criei com uma amiga, os quais já os tenho registrados, e achei que merecia partilhar com vcs. Um bjo a todos e até depois da minha Lua-de-Mel. Domingo estarei em Petrópolis curtindo o friozinho da serra com o meu maridão.
PS:Sentirei saudades amigos, mas até semana que vem.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Tristão e Isolda-em versão animada. Vcs sabiam dessa?!



Capa do DVD de Tristão e Isolda.

Será que é legal?
Uma palhinha do desenho... ^^'
Eu curto demais desenhos animados, embora burra velha, porém, creio que conservar um pouco o nosso lado puro e infantil de vez em quando, acho que não faz mal pra ninguém, pelo contrário, rejuvenesce!

Gostaria de um dia desses ter a oportunidade de assistir, até pra ver como conseguiram transformar uma história trágica como a dos amantes da Cornualha em desenho infantil.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Tristão e Isolda-capítulo 17: Buscando Testemunhas-2ª parte

foto: Brangia e Dinas de Lindan
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Audret, ao voltar, viu que os barões já haviam chegado, Basílica e as moças faziam-lhe as honras, alguns eram até pais das jovens.
— Achamos que havias esquecido o nosso compromisso, Sir Audret? — fala Denoallen.
—Imagina senhores, se eu iria esquecer tão agradável compromisso!
— Tome cuidado papai — recomenda Helena ao seu pai.
— Não se preocupe, minha princesinha. Papai é o senhor das grandes caçadas! — diz-lhe Gondoine para tranqüilizar a filha.
— Onde está Dinas, Basílica? Ele já mandou os escudeiros selarem nossos cavalos e preparar os cães de caça?
— Eu ainda não vi Dinas hoje, primo Audret — responde-lhe ela.
— Ora essa... Perdoem-me, caros senhores, mas creio que nossa caçada demorará um pouco. Preciso que outra pessoa providencie tudo. Perynnis!!!!!
Perynnis era um dos pajens; estava na cozinha, empanturrando-se de comida.
— Ai! Essa não! Logo agora!
— Acho bom ir logo, seu glutão! Sir Audret, quando chama, quer ser logo atendido! — fala-lhe a cozinheira, gorda e simpática, a Senhora Hildithe.
Perynnis engoliu as gulodices e apresentou-se no grande salão.
— Chamou, meu senhor.
— Sim. Vá às cavalariças e com os outros pajens prepare seis bons cavalos.
— Sim senhor.
Ele sai.
Enquanto isso, na praia, Isolda assusta-se com o adiantado da hora.
— Tanto tempo assim? Eu perdi a hora!!! Ai! As meninas devem estar me esperando! Adeus, meu querido!
Isolda beija Tristão rapidamente e afasta-se às pressas, na direção do castelo.
Em uma das torres do castelo, Brangia encontrara-se com Dinas e expôs-lhe suas preocupações.
— Ouviste mesmo o conselheiro Hestas, comentando tal fato com Dom Audret? — pergunta o amigo de Tristão preocupado.
— Claro que sim, Sir Dinas de Lindan! Não sou louca! E muito menos surda!
Ele ri do comentário da aia. Brangia vislumbra no rosto do formoso homem ruivo de barba bem feita, um largo e iluminado sorriso. O coração da jovem palpita.
— Por que achais graça? — fala ela contrariada e envergonhada dos sentimentos que nutria por aquele Senescal viúvo e maduro, não tão moço quanto Tristão, mas também, nem tão velho quanto Marcos. Dinas haveria de ter, segundo pensava Brangia, pelo menos uns 38 a 45 anos. — Acaso sou algum palhaço da Corte?
— Perdoe-me, cara Brangia — desculpa-se o moço. — Apenas achei o tom de vosso falar um pouco cômico. Por Deus, não leve-me a mal. Jamais foi intenção minha ofender-vos! Pelo contrário... Tenho-te em grande estima...
Brangia fica pálida e o sangue sobe-lhe à face.
— Eu acho que... não deveria ter vindo aqui!
Ela tenta afastar-se de Dinas o mais depressa possível, contudo, ele a retém.
— Vossa preocupação é a mesma que sinto... Fez bem em contar-me, pois tentarei ajudar de algum modo. De fato, jovem senhora, concordo que ambos estão se arriscando demais. Alertarei Tristão sobre o fato... — Dinas cala-se de súbito. — Estás tremendo... Por quê?
Ele nota que ao tocar o ombro da aia, a jovem estremecera de leve.
— Na-Nada! — gagueja a moça, ainda evitando olhá-lo. — Eu agradeço por vosso empenho em ajudar minha senhora...
— Eu é que admiro o quanto sois fiel à tua rainha... — fala ele, forçando-a a virar-se e olhá-lo nos olhos. Há muito Dinas já notara que Brangia afastava-se dele aos poucos, só que ele não sabia o motivo.
—Brangia... Responda-me uma coisa... Por que tens me evitado desde as bodas de Isolda e Marcos?
— É impressão, meu senhor!!!! — dispara ela, trazendo novamente à sua mente, as lembranças que amargurava, após deitar-se com o rei.
— Não é, Brangia... Sei que algo a atormentas.
— O que sinto ou deixo de sentir, não é o que importa agora, mas salvar aqueles dois loucos apaixonados...
Sem Brangia esperar, Dinas rouba-lhe um beijo. Ela começa a chorar...
Dinas assusta-se.
— Oh, Deus! Perdão, Brangia! Eu não resisti! Faltei-te com respeito!
— Não me senti ofendida, senhor...
— Não?! Pelos céus então... por favor! Não me desprezais mais deste jeito! Fiz-te algum mal? Se fiz, perdoe-me, mas preciso saber...
— Não, senhor... Por favor... Não me fizeste mal algum!!! Eu é que não sou digna de vossos nobres sentimentos!
— Mas, por quê? Oh, minha bela menina... Há muitos anos vivo solitário, depois que tornei-me viúvo... e sentia-me tão só até conhecer-te... Trouxeste a minha vida, nova luz... Senti-me jovem outra vez e disposto a amar novamente. Não me importa se sois uma serva ou não! Não se acheis indigna de ser amada por tal motivo...
— Nunca compreenderás! Oh, sina... Por favor, me esqueça... Eu não mereço a ti!
Brangia afasta-se desesperada, deixando Dinas de Lindan com diversas dúvidas em seu coração.
Triste, o homem vê a dama afastar-se até ser despertado por um típico som de farejar atrás dele. Era o cãozinho de Isolda. Brangia afastou-se tão depressa que esquecera dele. Dinas chama-o e ele obedece de pronto, fazendo-lhe festa.
— Esqueceram de ti, amiguinho. Venha! Vou levar-te a tua dona!
Enquanto os barões aguardavam os cavalos serem arrumados e selados, Isolda chega esbaforida e depara-se com os homens. Estava toda molhada e tentou disfarçar os cabelos desalinhados.
— Céus, querida rainha!!!! — comenta Basílica de forma proposital. — Onde estivestes? E por que estás deste jeito? Um animal feroz a perseguiu?
Audret fulmina a amante com o olhar, esta fizera um comentário muito impróprio para a ocasião, não era bem isso que ele tinha em mente.
— Senhores?! — diz ela surpresa.
— Senhora, minha rainha! — fala um deles curvando-se.
Não havia quem não reparasse no estado dela, mas os homens não perderam a pose e a reverenciaram conforme o protocolo.
— Estou surpresa por vê-los aqui, senhores...
— Eu tomei a liberdade, querida tia, de convidar os nobres senhores para uma caçada e aproveitando o ensejo, a oportunidade de reverem as filhas. Fiz mal?
—Não, Dom Audret. Absolutamente! É muito justo! Só gostaria de saber se ficarão para cear ao meio dia ou quanto tempo...
— Os bons barões desejam ficar até o retorno do nosso rei Marcos — fala ele.
— Bom, então, preciso providenciar-lhes leitos e um banquete...
— Por hoje, não vos preocupeis com banquete, majestade. Chegamos de surpresa sem avisar-vos. Iremos contentar-nos em comer o fruto de nossa caça, em alguma clareira da floresta — falou um dos barões.
Isolda sentia-se envergonhada pelos vassalos de seu esposo a virem naquele estado e a presença daqueles homens, embora ela não sabendo como explicar, a incomodavam e queria ter um pretexto para não precisar continuar a fazer-lhes sala, por cortesia. Nesse instante, por uma bem-aventurada sorte, Brangia entra pelo salão aos prantos, desviando a atenção de todos. Foi a deixa para Isolda livrar-se da obrigação de senhora do castelo...
— Brangia!!!! Er... fiquem à vontade, senhores! Preciso ver o que houve!
Ela sai.