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Pelo mundo

domingo, 4 de janeiro de 2009

Tristão e Isolda-capítulo 14: a profecia da rainha da Irlanda (2ª parte)

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Brangia voltara ao quarto onde dormia com a princesa e lá, pegou a vasilha de água e lavou-se toda. Esfregava uma bucha vegetal com tanta força sobre a pele, que parecia querer arrancá-la e eliminar assim, o cheiro do homem que não amava e que parecia impregnado em seu corpo. Depois que fez isso, sentou-se na cama e chorou amargamente, enquanto Huddent dormia a sono solto e esticado junto à cama.
No dia seguinte, quando via Dinas de Lindan, ela o evitava. O pobre homem não estava entendendo nada, por fim, Brangia encontra um refúgio no jardim da rainha e lá permanece até Tristão encontrá-la. Ela estava sentada sobre a fonte do jardim, próxima ao velho carvalho que com sua frondosa e vasta copa, oferecia uma sombra generosa sobre o lugar. Um retiro bem aconchegante. A Tristão parecia que ela chorava e de fato estava chorando...
— Brangia. Isolda contou-me tudo. Estou pasmo... Oh, Deus! Tiveste que vos sacrificar por nós...

— Não se culpem, Sir Tristão. Fiz o que deveria ser feito para salvar a honra de minha senhora.

— Mesmo assim, não era justo...

— Se ambos estão nesta situação foi por imprudência minha, porque deixei aquele maldito frasco ao alcance dos dois.

— Ela esteve comigo a noite toda...

— Não poderia ser diferente. Era o único lugar onde a princesa Isolda estaria segura. Só não sei como serão as próximas noites, eu não suportaria ter que...

— Nós nem temos o direito de exigir isto de ti! Já fizeste muito por nós!

— Só vos peço, Sir Tristão, que não conteis sobre isto a Sir Dinas — interrompe ela.

— Claro! Tem a minha palavra, cara Brangia.

Nesta hora, Tristão percebeu que a jovem criada nutria um grande afeto por Sir Dinas e ele, sentiu-se ainda mais culpado. Que turbilhão é este que se chama amor? Que faz homens e mulheres perderem a razão e arrasta-os para uma tempestade inclemente ou um profundo abismo? Indagava-se o cavaleiro, pois era exatamente como se sentia: numa tempestade de paixões e num profundo abismo.

Enquanto eles conversavam, a rainha Isolda “a velha”, aproximava-se do jardim e ouvira toda a conversa e quando Tristão despediu-se da criada de Isolda...

— Deixou o frasco ao alcance dos dois? Eu ouvi bem? — surge a rainha da Irlanda, de súbito.

— Senhora?!!!

“Oh não, a rainha irá me matar...” — pensa Brangia desesperada.

— Brangia, eu lhe fiz uma pergunta!

Brangia atira-se aos pés dela.

— Mil perdões! Tenha piedade!!!

Responda! Isolda e Tristão beberam da poção? — grita a rainha.

— Sim! Eu não consegui evitar...

A rainha, num acesso de ira, esbofeteia-lhe a face.

Pela Deusa! Amaldiçoada sejas, mulher!!! Oh, Brangia! Tanto que vos
recomendei!!!

— Eu já paguei a minha pena! Deitei-me com Marcos e salvei a honra de Isolda!

— E não fizeste mais do que vossa obrigação! Afinal, se eles...
Isolda “a velha” cala-se. Seu corpo havia sofrido um tremor e seus olhos, pareciam ter saído das órbitas.

— Senhora? — assusta-se Brangia ao ver aquele êxtase, que ela conhecia muito bem quando a rainha Isolda era envolvida pela “Visão”, de forma inesperada.

— Tristão deve afastar-se da Cornualha... Uma sombra negra o envolve... Um homem... Não! Está tão escuro! Não consigo ver!!!

Ela desperta do transe e vê-se assistida pela criada de Isolda, completamente pálida. Brangia a segurava pelo braço.

— O que houve? — pergunta ela voltando a si.

— Acho que tiveste uma “Visão”, senhora.

— Onde está Tristão? Preciso falar-lhe!

— Eu não sei para onde ele foi!

— Largue-me! Preciso vê-lo...

Isolda “a velha” afasta-se apressada. Tristão havia saído, não fazia muito; se corresse, o alcançaria adiante. Ela foi encontrá-lo nas cavalariças, supervisionando o trabalho do ferreiro, que trocava as ferraduras de seu cavalo.

— Sir Tristão!

— Rainha Isolda... — diz-lhe ele, curvando-se em respeito.

— Preciso falar-vos, meu caro. É urgente! E... particular.

— Venha comigo, senhora.

Tristão leva-a à capela. Não havia ninguém lá a esta hora.

— Percebo em vossa voz que, de fato, é algo importante. Pois fale, Majestade...

— Eu já soube de tudo. Sei que tu e Isolda beberam do filtro.

— Que filtro, por Deus?!Não compreendo... — ele tenta disfarçar.

— Não mintas Tristão! Se mentes para proteger Brangia, esqueças! Ela própria confirmou.

— Foi um acidente, senhora...

— Também sei que ambos não tiveram culpa, mas as conseqüências podem ser terríveis se não fizeres o que vim propor-te.

— Uma proposta?

— Não há um contra feitiço para a droga, a não ser o prazo que o filtro levará para enfraquecer. Por isso, afasta-te daqui durante três anos!

— Eu não posso afastar-me assim! Tenho obrigações com o reino da Cornualha!

— Uma sombra negra o envolve, senhor — diz-lhe a rainha de modo sério. — A morte o espreita neste castelo e poderá vir pelas mãos de um homem.

— Um homem?! Será meu tio?

— Tu bem sabes que sou uma ex-sacerdotisa da antiga religião e que tenho a “Visão”.

— Como poderia esquecer? Descobriste minha verdadeira identidade na Irlanda...

— Fui acometida pelo dom e vi este homem, mas, infelizmente, não defini o rosto dele. Deves proteger-te e proteger minha filha, também. O melhor é afastar-te da Cornualha por um tempo. Por favor, vá para Camelot ou voltes para Lionês. Afasta-te de Isolda!

Tristão a encara sério. A rainha afasta-se e olha-o uma última vez, antes de deixar a capela. Tristão senta-se em um dos bancos e fica pensativo. “...a morte o espreita neste castelo e poderá vir pelas mãos de um homem...” — ecoaram as palavras da rainha irlandesa em sua mente. — “ Quem pode ser este homem?” — indagara-se preocupado.

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