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Pelo mundo

domingo, 11 de janeiro de 2009

Tristão e Isolda-capítulo 15: Amor sem limites-1ª parte





A profecia da rainha da Irlanda perturbara infinitamente Tristão. Desesperado, pensou em ir para Lionês, pois há muito não ia às suas terras.
Basílica e uma cortesã, rindo e cada uma com uma taça de vinho na mão, aproximavam-se do pátio. Ela estava fugindo de Sir Gawain, que ainda teimava em fazer-lhe a côrte.
— Oh, Basílica! Tu és cruel! Pobre homem... — comentava a amiga.
—Muito velho para mim. Gosto dos mais mancebos e viris, ainda com muita vitalidade! — fala ela bebericando um gole de vinho, quando vê Tristão a conversar com Dinas.
Basílica olha para Tristão com ardente desejo, que dificilmente passaria despercebido, no que sua companheira logo percebeu.
— Hum! Como Sir Tristão, suponho? — brinca a outra. — Ou seria Sir Dinas?!
— Não. Dinas não é o tipo que cativaria meu coração... prefiro os guerreiros.
— És uma pândega, Milady! Faz-me rir! Vamos! Voltemos à festa!
— Vá na frente, eu vos seguirei depois.
— Vou tomar mais um pouco daquela bebida fermentada de cevada — ri a outra se afastando.
Basílica repara que Tristão estava aflito e conversava sério com Dinas. Sem que eles notassem, ela se aproxima para ouvir-lhes a conversa.
— Sir Dinas, vou partir.
—Ora! Tristão, meu amigo! O que foi?
— Eu não posso ficar aqui, Dinas! Não vou suportar! — desbafava ao amigo.
— Mas assim?
— Não posso ficar. Isolda ficará melhor sem mim. Por um milagre divino, meu tio não descobriu-lhe a desonra e ela não precisa mais de mim.
— Acho que não é o momento para abandoná-la... Por Deus! Estás sendo um covarde! Decepcionaste-me, Tristão!
— É só até o efeito do feitiço dissipar-se e voltarei... — desconversa ele. — E três anos passam logo...
— Tristão, não faça isso! Todos irão desconfiar! Talvez eu possa ajudar...
— Não, meu amigo. Ninguém pode me ajudar...
— Por que essa decisão sem sentido?
Tristão ficou calado; preferiu omitir-se e não entrar em detalhes, no que Dinas respeitou.
— Tudo bem, Tristão. Respeito tua decisão, afinal, tua vida te pertence... — o amigo suspira profundamente. — Só espero que não te arrependas depois...
“Ele quer fugir! Audret precisa saber disso!" — pensa Basílica e corre para falar com o seu cúmplice das tramas.
— Mas justo agora que estava ficando divertido?! — fala o primo cínico. — Não posso permitir isso.
— O que farás, então? Querer ir às terras dele, é uma desculpa justa.
— Vou falar com o rei Marcos de alguma forma e ele impedirá que Tristão se afaste daqui. Meu tio tem muita estima por ele e não irá concordar que o sobrinho preferido parta, sem uma explicação convincente e no meio de tamanha festividade.
O rei estava reunido com os convidados, enquanto banqueteavam e se divertiam com os bobos-da-corte. Alguns deles já estavam de partida, entre eles, os reis da Irlanda.
— É uma pena que não possam ficar mais — dizia-lhes Marcos.
— Pois é, temos uma longa viagem de mar pela frente e precisamos aproveitar os bons ventos — falava o pai de Isolda.
— Vou sentir tanta falta dos dois! — desabafa Isolda com pesar.
A mãe a abraça. À parte, faz-lhe recomendações para que fosse uma boa esposa.
— Vosso marido é um bom homem, minha filha. Respeite-o pelo menos, se não puderes amá-lo — aconselhou-a.
— Por que dizes tal coisa,minha mãe? — Isolda ficou surpresa.
— Eu sei o que digo, Isolda. Isso é para o teu bem. Cuide-se, minha jóia preciosa e assim que puder, vá com Marcos visitar-nos na Irlanda. Afastai-vos de Tristão... — sussurra ela, de modo inaudível.
A princesa não entendera... O que sua mãe sabia?
Isolda também se despediu do pai e com Marcos, conduziu-os à liteira, uma espécie de carruagem para longas viagens. Quando o cortejo de seus pais sumira no horizonte, Isolda derramava lágrimas, já antecipando a saudade que sentiria dos dois.
— Vamos, senhora. Não ficais triste assim, prometo-vos que iremos à Irlanda o mais cedo possível e logo podereis vê-los.
— Agradeço, meu senhor —diz-lhe Isolda tímida e arriscando um sorriso.
Audret vinha atrás do rei e cumprimenta o tio.
— E então, meu caro tio? Vejo que estás muito feliz; vislumbro um sorriso de satisfação em vossos lábios!
— E não era para estar, meu sobrinho? Tenho a esposa mais linda do mundo! — galanteou ele. Isolda corou. — Viste Tristão?
— Oh, sim! Conversava com Sir Dinas de Lindan. São tão amigos, não?! Veja o senhor, que ele lhe dizia que queria voltar para Lionês?!!
— Como? Ora essa! Viajar em meio à tão grande festa?
— Vai ver, Sir Gorvenal mandou mensagem — busca justificar-lhe o Duque Audret.
Isolda fica pálida com a nova.
— Ora qual! Não chegou nenhum mensageiro de Lionês! E que eu saiba, Sir Gorvenal está administrando as terras muito bem! Não há necessidade, dele ausentar-se agora.
— Foi o que sem querer ouvi. Oh, meu Deus, não devia ter falado nada! — Audret finge-se arrependido de ter falado.
— Não. Fizeste bem.
— Vais deixar Tristão partir, meu senhor? — pergunta Isolda.
— De modo algum! Ele é meu cavaleiro e deve-me obediência. Além do mais, preciso dele aqui, pois vou partir em viagem após as bodas.
— Para onde, querido Marcos? — surpreende-se a esposa.
— Para as terras do rei Uriens, esposo de Lady Morgana. Temos assuntos a tratar.
— Mas mal te casaste comigo e já queres partir? — mente estar penalizada a jovem esposa. — Não fui do teu agrado?
— Não querida! Não é isso! Claro que me agradastes! — riu-se Marcos. — É que esta viagem já estava marcada há muito tempo, senão, jamais iria deixar-vos! Sabe, com o tempo entenderás as viagens que um rei necessita fazer para cuidar de seus negócios e terras e como precisamos aproveitar este bom tempo de verão para nos deslocarmos, pois no inverno é mais difícil — explica-lhe. — Eu poderia levar-vos comigo, mas como chegastes de uma viagem tão longa da Irlanda para casar-se, quero poupar-vos.
Audret ficara pasmo com a falsidade dela. Vira, assustado, que Isolda não seria presa fácil de uma armadilha forjada por ele.
“Como és hipócrita, mulher!” — admira-se ele.
— Então, vais deixar-me aos cuidados de Sir Tristão? — torna a perguntar.
— Por certo que sim, Isolda. Qual homem poderia velar por ti na minha ausência? Tristão é de minha total confiança.
Audret teve que segurar o riso. “até quando viverás iludido com isso, meu tio?” — pensara ele de forma cruel. — “quando souberes...”
— Bom... Quando Tristão vier falar comigo, não serei pego de surpresa e negarei autorização para que parta.
Não demora muito pra acontecer. Tristão, ao ver o tio, comunica-lhe que deseja partir. O tio e Isolda estavam sentados na mesa de banquete, com os convidados restantes.
— Que bom meu querido sobrinho! Venha comer conosco! Sentai-vos perto de mim e Isolda...
— Eu não estou com fome, senhor.
— Outra vez com esta história! Rei Arthur ficará muito ofendido se não tomares parte na mesa conosco — fala-lhe o rei Marcos.
Rei Arthur estava distraído e degustando um belo pedaço de carne e Gwenevere o cutuca.
— Hein? Que foi, mulher? Ah sim! Claro! Ficarei ofendido sim! — diz caindo em si.
Muitos riram com isso; menos Tristão.
— Eu sinto muito, Grande Rei, mas de fato estou um pouco indisposto. Acho que exagerei nas iguarias, na noite de ontem — inventa ele. — Quero aproveitar o momento e comunicar-vos, meu tio e senhor, que desejo partir para Lionês.
— De jeito nenhum — protesta Marcos. — Preciso de vós aqui.
— Mas tio, eu preciso ver minhas terras, não sei como...
— Ora! Está tudo bem! Notícias de desgraças chegam rápido e como irei viajar, preciso que alguém cuide de minha esposa, no meu lugar.
— Eu? Cuidar da senhora? — Tristão se assusta.
— E quem mais de minha total confiança, poderia ficar com ela? Se na minha ausência algum inimigo desejar invadir o castelo, quem irá defendê-lo e protegê-la em sua virtude? Isto sem falar, que é uma falta de respeito partir, enquanto estamos na presença do Grande Rei e os demais convidados!
Tristão ficara sem palavras para contestar. Audret, sentado em silêncio, disfarçava um sorriso triunfante: “Pensas que fugirá da ratoeira tão fácil, seu roedor imundo?” — indagava-se.
E assim, caíra por terra o intento de Tristão. O que faria agora? A rainha da Irlanda o advertira.
“Estou condenado...” — pensa o jovem. —“não tenho como fugir desta responsabilidade...”

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