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Pelo mundo

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Tristão e Isolda-capítulo 15: Amor sem limites-3ª parte



No quarto, o rei cobriu-a de perguntas.
— Não gostei de vossa atitude para comigo, senhora. Foi muito indelicado perante os convidados. E ninguém deve levantar-se da mesa, antes do rei. Não vos ensinaram boas maneiras na Irlanda?
— Assim como foi indelicado vossos comentários a nosso respeito!
— Como disse? Como ousas falar com teu rei neste tom?
— Apenas expressei um desagrado — responde ela de forma ousada.
— Vós, mulheres, não deveis expressar absolutamente nada. Vossa obrigação é servir ao marido com respeito e devoção.
— Que mal há em uma esposa expressar o que sente? Minha mãe sempre...
— Se vossa mãe diz o que pensa, não me interessa! Este pode ser costume na Irlanda, mas não na Bretanha — replica o rei sério. — Deite-se e cumpra com vosso papel de esposa.
— Eu me recuso... — fala ela cheia de coragem.
Como ousas?!
O rei Marcos, agarra-a pelos punhos, forçando-a a deitar-se.
Me larga! — berra ela lutando, mas inutilmente. Marcos era muito mais forte que ela.
— Não estou pedindo, senhora, estou dando-vos uma ordem — fala Marcos sério.
A princesa reluta, mas Marcos foi violento, machucando-a e forçando-a a abrir as pernas.
Pára!!! Me deixes!!!! Não...
O que há Isolda?! Por que me evitas hoje?
— Eu não estou disposta... — diz ela entre os dentes.
— Ouça aqui! Se não for minha por bem, será por mal! Não me obrigue a estuprá-la...— ameaça o rei entre - dentes.
Seria desonroso demais, então Isolda, muito contrariada, teve que deitar-se com Marcos e deixar-se possuir por ele; não podia fugir daquela responsabilidade, mesmo o coração dela pertencendo a Tristão.
Foi a pior experiência de toda a sua vida. Para tentar amenizar a dor do coito, pensava no amado; imaginava-o possuindo-a, mas a diferença era gritante. Tristão, quando a amou pela primeira vez foi bem mais cortês, carinhoso e delicado; Marcos possuía-a com mais brutalidade, como se fosse apenas por obrigação que o fazia. Naquele momento, Isolda sentira-se na pele de Brangia, que para salvar ela e Tristão da desonra, submeteu-se, na noite anterior, a deitar-se com aquele homem. “Pobre Brangia...” — pensava Isolda, deixando uma lágrima correr-lhe pela face. Seu coração parecia querer gritar, mandar Marcos parar, porém, só lhe restava chorar em silêncio.
Enquanto isso, mesmo sem Isolda saber, Tristão velava abaixo da janela dos aposentos reais. Recostara-se no velho carvalho que nascera no jardim, colado à janela. Com perícia, alguém poderia subir aquela árvore e chegar ao quarto pelos galhos que se insinuavam ao interior escuro e silencioso, e com muita facilidade.
Quando sentiu-se saciado, o rei desprendeu-se dela e virando-se de lado, cai no sono, deixando a esposa insone e dolorida ao seu lado. Isolda jamais se sentira tão só como naquele momento e para não acordá-lo, foi até a janela chorar. Qual não foi sua alegria quando olhou para baixo e vira Tristão ali, junto de sua janela?
— Meu amor... — murmura ela, sentindo o coração saltar-lhe no peito.
Oh, como ela gostaria de estar nos braços dele agora, para buscar consolo, receber dele seus beijos e carícias!
Tristão aproxima-se mais do feixe de luar, que se filtrava pela copa da árvore, para que Isolda conseguisse vê-lo melhor. Seu semblante estava um pouco carregado e seus olhos denunciavam um brilho, como se sufocasse um choro de dentro d’alma, mas mesmo assim, procurou sorrir-lhe como se dissesse: “Estou aqui, junto de vós, não temas...”
Vozes o obrigaram a sair de sua apaixonada vigília e Tristão teve que se afastar; eram os guardas que haveriam de passar, para fazerem a ronda habitual pelo jardim.
Isolda não o vira mais naquela noite, apenas acompanhou, com os olhos, os dois homens que passavam preguiçosos e conversando baixo antes de se deitar para tentar dormir um pouco.
Na manhã seguinte, a lembrança de Tristão sob sua janela, reacendera mais ainda o ardor da saudade. Queria vê-lo; precisava estar com ele; receber-lhe os beijos ardentes e sentir-se, talvez com isso, remida do que foi obrigada a submeter-se ontem. Tristão era a sua redenção.
Chama Brangia para acompanhá-la e não levantar suspeitas de sua súbita saída e, antes disso, foi pedir permissão ao marido para sair e tomar a fresca da manhã, no que Marcos nem desconfiou.
— Podeis ir minha senhora. É bom que saiais um pouco para não ficares enfadada. Mas não te demores muito, partirei hoje para as terras do rei Uriens.
— Partirás hoje?
— Sim; esta tarde.
— Estarei aqui, meu rei. Não vos preocupeis. Vamos Brangia querida.
— Sim senhora.
— Vem Huddent! Aqui! Vamos passear.
Huddent late satisfeito e abana a cauda, saindo a correr na frente da dona.
Isolda sabia que Tristão tinha o costume de cavalgar pela praia da Cornualha todas as manhãs, quando o clima era propício e de fato, encontrou-o por lá; mas ele não estava só, viu que um homem estava junto dele e hesitou aproximar-se até ver de quem se tratava. Para sorte de ambos, era Sir Dinas de Lindan. Sendo assim, não havia o menor perigo.
Isolda abraça Tristão.
Brangia ficou sem graça quando vira Dinas e abaixou a cabeça quando o homem lhe sorrira e tentara beijar-lhe a mão, no que a jovem esquiva-se.
— O que foi Brangia?
— Por favor Sir Dinas, não me trateis com tanta cortesia, sou apenas uma serva...
— Para mim és mais que uma serva... — deixa escapar o homem. Brangia surpreende-se.
Enquanto eles conversavam distraídos, Tristão puxara Isolda para o meio da mata que circundava a praia. Huddent latia para um caranguejo que surgira de um buraco da areia e desavisado, tentou morder-lhe a carapaça. Brangia e Dinas ouviram um ganido alto e quando se viraram, perceberam um cãozinho desesperado e rolando no chão para livrar-se do crustáceo que havia pinçado sua língua.
Huddent!!! — exclama Brangia correndo para socorrer-lhe.
Dinas não consegue evitar o riso, mas aproxima-se para ajudar Brangia a livrar o desesperado Huddent, que por pouco não ficara sem um pedaço da língua.
Ô, Huddent! Por que fazes isso sempre comigo? Aprontas quando Isolda não está por perto? Por que não te emendas? — brigava a aia.
O cãozinho choramingava baixinho, como que pedindo clemência, com o animal pendurado na boca; por fim, Dinas consegue abrir-lhe as garras e com cuidado, para não ser atacado pelo instinto natural de defesa do crustáceo, lançou-o ao mar. A língua de Huddent inchara na mesma hora.
— Te pegaram de jeito, hein amiguinho?! — ria-se o homem.
— Quando Isolda vir o estado dessa língua, ela vai ficar apavorada...
Foi aí que eles perceberam a ausência de Tristão e Isolda.
— Ai não! Onde está minha senhora?
— Melhor não imaginar... — disse-lhe Dinas.