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Pelo mundo

terça-feira, 31 de março de 2009

Tristão e Isolda-capítulo 16: Audret segue com o plano-2ª parte


OBA CONSEGUI!


Brangia vinha em sua direção com Huddent; o cãozinho sacudira o traseiro feliz e deitara-se de costas para que Tristão afagasse-lhe a barriga. Ele queria entregar um bilhete à Isolda, mas por ver Basílica ao lado dela, achou mais prudente não fazê-lo.
— Brangia, entregue este bilhete à Isolda, por favor, sem que Basílica veja.
— Claro.
Aproveitando uma distração da prima de Tristão, Brangia passou-lhe o recado dele. Ela sorriu feliz.
— Ele quer me ver novamente, esta noite. Diz que está com saudades...
— Isolda, estou muito preocupada... — diz-lhe Brangia tocando-a. — Oh, pelo grande Deus! Ambos arriscaram-se em demasia, se encontrando no quarto. Sejam discretos! Por favor, busquem um lugar mais seguro para se verem.
— À noite não há perigo, querida Brangia. Tristão sempre vai ter comigo bem tarde, quando todos já estão recolhidos.
— Mesmo assim, senhora... sejam prudentes... Não quero viver o restante da minha miserável vida, com o sentimento de culpa pela morte dos dois! Pensem bem no que eu disse...
Isolda fica muda e pensativa. Basílica já havia saído, discretamente, sem que ambas percebessem; precisava contar a Audret a pista que descobrira.
Enquanto Isolda cuidava do castelo, Tristão treinava os aspirantes a cavaleiros e Audret, sempre assistia aos treinos.
— Primo Tristão! — dizia-lhe. — Treinais estes jovens muito bem! Creio que logo se tornarão bons guerreiros que, futuramente, honrarão a Cornualha! Também acho válido treinares a nossa rainha, caso ocorra algum ataque... ela precisa saber se defender, caso não estiveres por perto! — sugere o primo.
— Não creio que seja necessário, Audret! Não estamos sob nenhuma ameaça de ataque!
— Não há, mas pode acontecer de repente. O inimigo não manda nenhum recado, avisando-nos de possível ataque.
Para Audret, cada instante que eles ficassem juntos era uma excelente oportunidade para se levantarem rumores na Corte, ou pegá-los em algum deslize. Por alto, já havia dito a um dos conselheiros para que atentasse para ambos, sem que Tristão soubesse...

"— Fiquei muito cismado, quando vi os dois descendo do barco — contou certa vez a um dos conselheiros reais. — Achei-os muito íntimos e próximos ao desembarcarem.
— Não seria impressão, Dom Audret? — falou o homem. — De repente, Tristão apenas estava sendo cortês ao conduzi-la no desembarque.
— Pode até ser, mas, por que ficaram tão perturbados quando nos viram esperando-os no cais? Não reparaste, bom Hestas, como eles ficaram tão pálidos?! — envenenou-lhe o primo de Tristão. — Não sei, eles me pareceram um casal muito feliz...
— Hum — murmurou o conselheiro. — Será que isto de fato é possível? Eles podem ter traído ou estarem traindo o nosso rei?
— Longe de mim, por Deus! Quem sou eu para julgá-los ou acusá-los de algo?! Apenas fiz uma pequena observação, porém, de fato posso estar muito enganado! Oh, meu caro amigo! Esqueçais o que vos disse!
Audret sentiu-se realizado, conseguira, neste dia, que uma primeira alma desconfiasse do amor de ambos. Bastava continuar destilando o seu veneno, nos homens influentes da Corte.
Tanto foi assim, que tal conselheiro passou a desconfiar também, e muitas vezes parava para observá-los..."

Enquanto Audret continuava a assistir o treino, Basílica aproximou-se.
— Pois não, querida prima?
— Soube de algo que muito poderá interessar-vos...
— Não diga?! — diz-lhe Audret puxando-a discretamente.
Caminharam por um bom tempo pelo pátio e sumiram depois das cavalariças, atentando para que Tristão não os percebesse.
— E, então? O que descobriste de novo?
— O “pulguento real” feriu-se na praia; um caranguejo atacou-o.
— Isto que descobriste?! — Audret cai na garagalhada. — Ora! O que isso interessa a mim?
— Como não? Não é Tristão que tem este costume todas as manhãs?
— Ei! Ei! Alto lá! Estás me dizendo que eles podem estar se encontrando na praia?
— E o que mais seria? Isolda e aquele bicho fedorento são inseparáveis... Aliás, a própria confessou-me, inocentemente, o seu passeio pela praia.
— Isto é muito interessante, Basílica... mas preciso constatar isto, pessoalmente. Amanhã seguirei Tristão e ficarei à espreita. Veremos se a rainha Isolda irá aparecer.

Enquanto isso, nas terras de Uriens, Marcos apreciava os lavradores arando a terra, despreocupado. Uma mulher fazia uma espécie de estranho ritual, pedindo que a terra fosse fecunda; rei Uriens fazia-lhe companhia.
— Agora estamos em paz e podemos voltar a trabalhar na terra. Os saxões não são uma ameaça agora — comentava Uriens.
— Sim, mas outros povos bárbaros podem nos atacar, vindo dos países nórdicos e Gália. Acho que deveríamos aumentar a vigilância nas fronteiras — constata Marcos.
— Eu já tenho feito isso. O Próprio Grande Rei aconselhou-me — explica-lhe seu amigo.
— Pretendo estreitar os laços de amizade entre o reino da Cornualha e a Irlanda, aproveitando que desposei a herdeira irlandesa. Os irlandeses são ótimos combatentes e podem ser ótimos aliados no caso de novas invasões.
— Isso é fato. Fizeste uma boa escolha. E acho que todas as ilhas que formam a Bretanha devem realmente se unir. Sabe, caro Marcos, ouvi rumores que um certo Lúcio, intitulou-se novo imperador romano e deseja estender seus domínios, reunindo novamente para si as terras do Antigo Império.
— Isso é muito sério, senhor. O Rei Arthur já sabe disso?
— Creio que não. Por enquanto, são apenas rumores, nada foi provado ainda.
— Mesmo assim, rumor ou não, o Grande Rei precisa saber disso, para que caso isto ocorra, termos como nos defender.
— Já enviei-lhe um mensageiro falando sobre isso, mas o rapaz ainda não retornou e nem poderia. Faz pouco tempo que o enviei.
— Bem, que Deus o leve e traga-o em segurança.
— Bom, voltemos ao castelo. Creio que já nos demoramos demais por aqui. E então, aceitou o meu convite de ontem?
— Sobre a caçada? Mas claro, Rei Uriens! Qual homem não apreciaria tal convite? É pena meu sobrinho Tristão não ter vindo conosco, ele adora caçar também. Sabe cortar um cervo, como nenhum outro homem que conheço.
— Aprecias por demais tal sobrinho — observa o amigo sorridente.
— Como um filho muito estimado. Um filho que ainda não tive.
— Mas terás. Vossa esposa é saudável e jovem e poderá dar-vos muitos filhos.
— Vossa esposa também é jovem, não pensas em ter filhos também?
Uriens calou-se por um momento, Marcos não entendeu o silêncio dele.
— Não. Morgana não pode mais ter filhos — falou enfim.
— Oh, Deus, perdoe-me pela minha indiscrição, amigo! — desculpa-se Marcos sem graça.
Por fim, Uriens ri.
— Também, creio não ter mais idade para isso! E ademais já tenho filhos que me bastam, frutos do meu primeiro casamento.

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quinta-feira, 19 de março de 2009

Tristão e Isolda-capítulo 16: Audret segue com o plano-1ª parte

Pra não deixá-los na mão.Desculpem os atrasos nas postagens mas estou em preparativos para o meu casamento e tanto pra resolver, que a gente esquece por cansaço e stress.

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Quando Tristão saiu do quarto de Isolda, foi ao estábulo pegar seu cavalo e sair como de costume, pela praia da Cornualha. Cavalgava feliz, sentindo a brisa acariciar-lhe a face e sentindo-se revigorado. Isolda, enquanto isso, levanta-se animada e com novas cores, chama as suas damas de companhia para, com elas, limparem o jardim e arrumarem o castelo; queria cortar as flores para enfeitá-lo, trocar as tapeçarias surradas da parede, enfim, dar ao castelo mais cor e vida. Ela estava muito feliz, o que aguçou a curiosidade de Audret quando Basílica foi contar-lhe.
— E não é só isso, Isolda enfeitou-se toda! Está com uma aparência mui formosa! — fala a prima.
— Algo aconteceu entre eles. Devem estar se encontrando às escondidas.
— E então?
— Então o quê?
—Não vamos fazer nada?
— Ainda é cedo, minha querida. Daremos bastante corda primeiro, para que ambos se enforquem. A vingança é um prato que devemos degustar bem frio. Bem... Irei até lá.
Audret quis constatar pessoalmente e foi até o jardim. Isolda, ora cantarolava a colher flores frescas, ora brincava com as donzelas. A felicidade dela era de fazer inveja, no que Dom Audret volta ao quarto e ordena que Basílica se junte a elas nas tarefas e tentasse descobrir algo.
— O motivo de tanta alegria só pode ser Tristão, mas preciso de provas; sem elas não há como denunciá-los.
— Ora bolas! — contesta a prima detestando a idéia de se fazer novamente de amiga da rainha. — E a carta do rei da Irlanda? Não seria prova suficiente?
— A carta, eu quero usá-la numa ocasião mais propícia. Convoquei uma reunião, aproveitando a ausência de Marcos, com todos os barões inimigos de Tristão para mostrar-lhes esta carta.
— É mesmo?! E quando será?
— Bem, enviei mensagens a estes homens marcando o lugar do encontro e até obter deles alguma resposta, demorará um pouco — explica ele. — Enquanto isso, deixe-os se divertirem, mas tente descobrir algo ainda mais comprometedor. Isolda precisa confiar em ti para se abrir.
— Oh, está bem!
Ela obedece e segue para o jardim.
— Bom dia, milady? — cumprimenta-lhe Basílica com uma simpatia forçada.
— Ah, sim! Bons dias Basílica!
— Vejo que estás com belas cores, minha senhora!
— Imagina... é só por causa do calor, nada mais.
— Quer ajuda? — oferece-se a mulher.
— Toda ajuda é bem vinda.
— Isolda! — chega Brangia com Huddent. — Huddent não quis ficar preso no quarto. Logo assim que saíste, ele começou a choramingar, latir e roçar a porta!
— Oh, meu fofinho!!! Saudades da dona? Vem cá, vem!
Huddent pula no colo dela e começa a lamber-lhe a face, fazendo Isolda dar boas gargalhadas com as cócegas provocadas por sua língua áspera e úmida. — Pronto! Pronto! Chega! Deixa eu ver essa língüa. Ora! Ora! Já está bem melhor! — diz-lhe Isolda afagando-lhe a cabeça e solta-o no jardim para brincar.
— Imaginas Basílica, que este travesso ontem achou de morder um caranguejo e acabou ferido? — fala ela inocente.
— Caranguejo?! Estiveste na praia?
— Sim, queria refrescar-me um pouco e Marcos concedeu-me permissão para sair. A praia estava ótima!
“Que eu saiba, Tristão tem este costume todas as manhãs... será que...” — pensa a prima Basílica.
Não muito tempo depois, Tristão chega e repara Isolda naquela arrumação desenfreada, o castelo estava florido. As moças quando o viram, correram para o lado de Isolda e enrubesceram. Muitas delas o achavam atraente e timidamente o cumprimentaram fazendo ligeira reverência.
— Ai! — suspira Helena delirante. — Ele sorriu pra mim!
— Ora, qual nada! Ele sorriu foi pra mim! — pulou outra.
— Mentirosa! — retruca Helena ofendida.
Isolda ouvira-lhes o comentário e sentindo uma pontada de ciúmes, chama-lhes à atenção. Tristão finge não ouvir, embora meio embaraçado, jogasse a mecha teimosa de seu cabelo que cismava de cair em seus olhos, tentando disfarçar o constrangimento.
— Ora! Deêm-se ao respeito! E respeitem Sir Tristão também!
— Perdão, senhora — pedem elas sem graça. — Perdoe-nos Sir Tristão!
Tristão meneia a cabeça, como se concedesse às damas o seu perdão.
— Anda, meninas! Se aviem! Tragam a lã para desfiarmos! — ordena a rainha.
— Sim, milady! Agora mesmo — sorriem elas ao se afastarem às pressas.
— Pelo sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo! Que revolução é esta aqui? — fala ele reparando nas mudanças feitas no castelo.
— Queria mudar um pouco, Sir Tristão. Não está mais alegre? Um castelo não precisa ser um túmulo!
— Sem dúvida, minha senhora — concorda ele.
Basílica observava-os, atentamente, mas nada de comprometedor reparara no comportamento deles.
— Será que o rei irá gostar quando regressar?
— Creio que sim. Acho que faltava um toque feminino neste castelo — brinca ele.
— Oh, Dinas!
Dinas e os pajens chegaram com os novos teares. Isolda e as moças iriam tecer novas tapeçarias para as paredes.
— Aqui estão, majestade.
— Obrigada.
— Com licença, minha senhora — pede-lhe Tristão.
Enquanto ele saía, voltavam as moças. Tristão cumprimentou-as e afastou-se.
— Ai! Como é formoso o primeiro cavaleiro da Cornualha! — suspira Helena outra vez. — Por que ele nunca se casou?
A outra deu de ombros, como se dissesse: Sei lá?!

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domingo, 1 de março de 2009

Tristão e Isolda-capítulo 15: Amor sem limites-4ª parte

"Lema dos amantes": Nem eu sem vós, nem vós sem mim... por Paula Dunguel

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Na mata, Tristão e Isolda mataram a saudade que sentiam um do outro. Beijaram-se, afagaram-se e ela desabafou o que estava sentindo...
— Foi horrível passar pelo que passei ontem, mas foi compensador olhar pela janela e ver-te ali, próximo a mim. Oh, meu amado Tristão... como eu gostaria de poder descer naquela hora e abandonar-me em teus braços, como o fiz agora...
— Eu precisava estar lá — diz ele. — queria que me visses e soubesses que estava ao teu lado. Sei o quanto está sendo difícil para ti.
— Marcos viaja hoje, não posso demorar-me por aqui... Oh, mas não quero deixar-te agora! — abraça-o.
— Mas precisas, minha querida. Senão, meu tio poderá desconfiar de algo.
— Não. Tomei todos os cuidados; pedi-lhe até permissão para vir, não saí sem avisá-lo.
— Fizeste bem.
Tristão a abraça mais uma vez e beija-lhe os lábios, a fronte e as sedosas madeixas ao alto da cabeça. Ficaram unidos assim por um intervalo de tempo, até Tristão levá-la para um lugar especial na mata. Queria que ela visse uma coisa que ele acabara de descobrir.
— Hoje, no passeio matinal, reparei nestas duas árvores unidas. Sabe o que são?
—Ao que me parece são uma madressilva e uma aveleira.
— Reparais como ambas enroscam-se uma na outra?
— Sim, uma não vive sem a outra.
— Como nós —fala ele virando-se para ela.
Isolda ri com a comparação.
— Doce amada — diz ele com os olhos a brilhar de emoção. — Somos como a madressilva e a aveleira que, entrelaçadas, duram muito tempo, mas que não resistem separadas...
— Querido amor — Isolda, entre beijos e lágrimas responde-lhe emocionada. — eu sou a madressilva e vós a aveleira. Morreremos se vivermos apartados.
Tristão a abraça com carinho.
— Conosco será sempre assim: Nem eu sem vós, nem vós sem mim; juro-te!
— Vá ao meu quarto esta noite, por favor... — pede ela ardendo de paixão.
— Isolda, é muito arriscado...
—Não se subires pelo carvalho até o quarto, basta tomares cuidado para não seres visto pelos guardas e sair antes do amanhecer. Tristão, meu corpo precisa de ti, preciso disto para suportar com resignação, o peso de Marcos sobre mim, senão, vou enlouquecer! Tu sabes me tocar e me fazer sentir mulher. Marcos é tão frio... tão... Oh, não deveria falar assim do vosso tio, perdoe-me! Mas não sei fingir... É a ti que eu amo.
—Shhh...
Tristão silencia-lhe, tocando com os dedos os lábios tensos e ressecados. Isolda, de fato, estava muito desesperada e não conseguia medir as palavras.
— Calma, minha Isolda. Por favor, poupe-me de detalhes. Não quero saber sobre ambos. Eu irei ter contigo esta noite, pois também não suporto mais a falta do calor de teu corpo... Eu te amo tanto, que sou capaz de cometer loucuras! Espere-me esta noite.
— Oh, Tristão!
Ela o abraça forte. O coração parecia que ia sair pela boca. Não via a hora de acontecer tal encontro naquela noite e com Marcos viajando e todos os cuidados, seria perfeito.

Se despediram depois do combinado e voltaram ao castelo separados. Almoçaram com o rei e após o almoço, Marcos se despediu de todos.
— Tristão, deixo-te Isolda e a defesa do castelo aos teus cuidados.
— Sim, meu tio —responde Tristão procurando ser o mais natural possível.
— Qualquer coisa, mande-me avisar. E tu, Audret; ajude Tristão no que ele precisar.
— Pois não, caro tio — concorda ele.
— Basílica, ajude Isolda nas tarefas do castelo.
— Sim primo.
— Minha senhora...
— Quando voltarás meu senhor? Por favor, não se demore muito...
— Tentarei regressar o mais breve possível, querida Isolda... Talvez, bem antes do fim do Verão.
— Que Deus vos acompanhe, senhor meu marido.
Isolda também se despediu de Morgana e Uriens.
— Foi um prazer conhecer-vos, senhora Morgana e a vós também rei Uriens. Não deixem de vir visitar-nos...
— O prazer foi meu, Isolda — fala Morgana.
— Faço minhas as palavras de minha mulher — diz-lhe o rei também.
Eles partiram. Após a partida do rei, todos voltaram aos seus afazeres no castelo.
O dia corria preguiçoso; à Isolda, pareceu-lhe que o tempo havia parado, que conspirava contra ela e Tristão. Por fim, anoitece...
Isolda aguardava ansiosamente no quarto, já cuidara da lingua de Huddent e ele, agora, dormitava sereno aos pés da cama. Isolda para conseguir cuidar dele, uma vez que ele não ficava quieto, precisou dopá-lo com uma mistura de ervas que o havia feito cheirar; o que foi até propício, porque talvez, quando Tristão chegasse, Huddent lhe fizesse festa latindo, o que acabaria por denunciar-lhe a presença.
E quanto a Tristão? A ansiedade dela era tanta, que as horas não passavam. Será que ele realmente viria? Eles haviam combinado dois sinais: quando ele chegasse, imitaria o canto do rouxinol, habilidade que Tristão havia desenvolvido desde criança graças ao seu ouvido musical. Tristão conseguia imitar com perfeição, o canto de vários pássaros; quantas vezes ele próprio não havia divertido a Corte de Marcos com suas imitações? Imitações estas, que agora cairiam bem e o segundo sinal, seria um ramo de aveleira lançado sobre o córrego que provinha de uma fonte no jardim da rainha e serpenteava pelas paredes do castelo, indo desagüar diretamente no mar. Tal ramo confirmaria que o rouxinol a cantar era ele.
Num dado momento, ela ouviu o rouxinol e correu ansiosa até a janela e... nada. Nenhum sinal de Tristão; era o próprio animal que, traiçoeiramente, entoava seu canto. Isso ocorreu umas três a quatro vezes, na última, já debilitada com a espera e imaginando que seu amado não viria mais, olha para o córrego...
O ramo de aveleira estava lá. Ela, então, olha para a árvore e vê Tristão subindo por ela. O coração de Isolda já batia descompassado e não conseguiram dizer nada um ao outro, naquele momento. Isolda não cabia em si de felicidade. Finalmente, depois daquela noite no barco que a trouxe à Cornualha, Tristão a faria novamente sua mulher.
Os olhos de Tristão fixaram os de Isolda e ele pulou a janela. Isolda vestia uma espécie de camisola bem fina e amarrada às costas. À claridade da lua, sua pele alva brilhava e parecia um marfim, seus cabelos dourados, banhados pelos raios brincalhões do luar, pareciam uma prata fina e reluzente, com detalhes fundidos em tom de ouro. Ela parecia uma verdadeira aparição angélica e, por uns instantes, Tristão julgara que seria um pecado profanar tão bela visão. Mas aquela contemplação reverente durou um curto espaço de tempo, logo ele estava junto dela, os lábios de ambos, se tocando há poucos centímetros.
Isolda sente-lhe a respiração ofegante e estende as mãos para tocar o rosto de seu amado, aproximando-o mais. Tristão puxa a sua bela Isolda para junto de si e fecha os olhos; a ponta de seu nariz traçou uma carícia, de sua orelha a ponta do queixo, como se aspirasse o perfume dela, perfume que não sentia desde a viagem à Cornualha. Isolda agarra-lhe e afunda seus dedos macios nas madeixas negras da nuca de Tristão.
A respiração do cavaleiro estanca por um momento e depois, suspira profundamente, afastando um pouco o rosto de Isolda e desenhando delicadamente, com a ponta dos dedos, os lábios carnudos dela que imploravam por seu beijo. Isolda fecha os olhos para sentir-lhe cada toque e para seduzi-lo ainda mais, beija-lhe a ponta dos dedos acariciadores. Ele gemeu de prazer e sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo e, logo a seguir, um ligeiro entorpecimento.
— Isolda, minha linda Isolda... amo-te tanto... oh, Senhor dos Céus perdoai-me... — murmura ele e beijando-lhe a seguir, um beijo longo e apaixonado.
Isolda afasta-se um pouco e leva as mãos às costas, para soltar as amarras da leve túnica de dormir. A roupa sedosa escorrega pelo seu corpo perfeito e o coração de Tristão dispara. Com um movimento gracioso, Isolda aproxima-se de Tristão e começa e despi-lo.
Ele a toma nos braços e a conduz ao leito. Os olhos de ambos, cintilantes de desejo, pareciam iluminar a escuridão do quarto. Huddent sente um leve movimento na cama, levanta a cabecinha, mas ainda sentindo-se dopado, não queria saber de nada, tornou a dormir despreocupado. Os amantes, então, entre beijos e afagos, deixaram-se possuir um pelo outro. Saciaram-se o quanto puderam e Tristão esquecera outra vez os votos e lealdade; só o que ele queria era amá-la e fazê-la feliz. Imaginava em sua mente, o quanto aquela dama estava sofrendo se submetendo ao homem que não amava e o quanto ele sofria também, por querer tê-la sempre e sem poder. Enfim, naquele momento de intimidade, só o que contava era o “agora” e nada mais que isso. Isolda, tomada de desejo, agarrava-o cada vez mais forte e conduzia-o para dentro dela, como se quisesse fundir-se ao corpo dele.
— Oh, vem... — sussurra ela ao ouvido dele. — Sou tua... Somente tua...
Isolda solta um prolongado gemido de prazer, acompanhada de Tristão. Saciados e fatigados, eles se desligam e ainda sentindo a sensação relaxante do prazer, agarram-se um ao outro, ofegantes.
Palavras eram desnecessárias no momento, só queriam ficar ali, abraçados ternamente e adormeceram a seguir; só acordaram, com as lambidas insistentes de Huddent, que livre do efeito da droga, só queria brincar e fazia tremenda festa em Tristão; o rabicho dele balançava freneticamente. Tristão acariciou-lhe as orelhas e o cãozinho derreteu-se todo. Nessa hora, ele olha para a janela e percebe que o dia já começava a raiar.
— Ô, amiguinho... Que bom que nos acordaste! Nosso anjo da guarda... — comenta ele com Isolda. — Preciso ir agora.
— Mas já? —chia ela. — Que pena...
Tristão dá-lhe um último beijo, veste-se e reparando que não havia ninguém por perto, desce pelo carvalho.

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