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domingo, 7 de junho de 2009

Tristão e Isolda-capítulo 17: Buscando Testemunhas-3ª parte


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Nesse instante, Tristão também já havia chegado e guardava o seu cavalo quando viu Perynnis atrapalhado para selar os outros.
Maldição! Eu não levo jeito pra isso!
— O que foi Perynnis? — pergunta ele.
Ah! Sir Tristão!!!! Bom dia! Imagina o senhor, que vosso primo, cismou de chamar os barões para uma caçada de surpresa! E Sir Dinas não está aqui para ajudar-me com isso. Ele leva mais jeito com cavalos do que eu, Sir Tristão. Eu sou um empregado da cozinha... — lamenta-se o pajem.
— Não se amofine, caro Perynnis! — ri Tristão. — Vou ajudar-vos!
AAAAhhhh, muito grato, bom cavaleiro!
Tristão o ajuda e rapidamente os cavalos ficam prontos.
— Pode comunicar a Audret que já está tudo pronto — fala Tristão, dando uns tapinhas no dorso de um dos cavalos.
— Muito obrigado, Sir Tristão! Irei imediatamente!
Perynnis sai e não muito tempo depois, Dinas aparece.
— Dinas! Onde estavas? — sorri-lhe Tristão
— Alguém esqueceu um cão! Toma!
Dinas entrega-lhe Huddent, como um fardo e Tristão, de forma desajeitada, tenta acomodá-lo no seu colo, mas o cão só queria saber de lambê-lo.
— Vocês beberam o filtro do amor todo? — pergunta o homem de repente.
Tristão não entendeu.
Hein?!
— Esquece! Devo estar ficando louco!
Dinas fez que iria afastar-se, mas volta em seguida, apontando um dedo inquisidor para seu amigo.
— Escuta aqui, mocinho! Precisamos conversar seriamente e urgente. Mas não agora... Não estou com cabeça para falar com ninguém.
Por Cristo! Por um momento, lembrou-me o meu velho mestre Gorvenal, Dinas... — riu-se Tristão.
Dinas responde-lhe com um sorriso atravessado e sai.
Huddent continuava a fazer-lhe festa de forma frenética, foi aí que Tristão lembrou-se do cão.
— Entendeste alguma coisa, Huddent? — pergunta ao animal.
Huddent olhava-o de língua de fora como se sorrisse, mas inocente de tudo.
— Nem eu. Vamos, amiguinho! Deixe-me levá-lo até Isolda... Pára!!!! Tu não te cansas de lamber-me? — reclama ele.
Ainda nos aposentos, Isolda tentava consolar Brangia.
— O que foi, minha amiga? Por que choras?
— Eu não sei o que fazer para esquecer o que sinto por ele...
— Ele quem?
— Sir Dinas de Lindan!
— Brangia?! — ri Isolda animada. — Eu não acredito! Estás apaixonada!!!! E por Dinas?! Ele é um homem tão bom!
— Mas eu não o mereço...
— Como assim, minha querida amiga? Todos temos direito à felicidade!
— Eu sou uma pobre criada, não posso aspirar ser uma grande dama, esposa de um nobre.
— Que absurdo! Tendes esse direito sim! És linda e bem educada... Qualquer homem adoraria ter-vos como esposa!
— Não desonrada como estou!
— Oh, céus! É isso? Brangia... como me feres toda vez que falas assim...
— Perdão, minha rainha, estou nervosa...
— Brangia, por que não contas para Dinas o que se passou convosco? O que tiveste que fazer por mim e Tristão? Ele irá entender...
— Ele nunca entenderá... Dinas pensa que sou pura e casta! Se ele souber, irá desprezar-me...
— Talvez não, amiga! Ele parece amar-vos na mesma medida que o amais! — Isolda tenta animá-la.
— Não. Eu jamais falarei dos meus sentimentos com ele!
Batidas na porta e Isolda ouve um latido.
— Huddent? — assusta-se Isolda
— Ai, não! Eu esqueci o cão na torre! — fala a aia.
— E eu nem dei falta dele...
Isolda corre e abre a porta, deparando-se com Tristão e o assanhado Huddent fazendo-lhe festa e doido para pular pro colo dela.
Meu fofinho!
Isolda agarra-o feliz.
— Esqueceram de ti, meu querido amiguinho?! Obrigada Tristão... — Isolda sorria-lhe amorosa.
— De nada, minha senhora.
Tristão repara no choro de Brangia
— O que foi? — ele não entende.
—É uma longa história, querido... depois nos falaremos... por hora, preciso dar atenção à Brangia.
Tristão, mesmo alheio, despede-se de Isolda.
Enquanto isso, no pátio do castelo, os barões aguardavam Dom Audret. Ele disse que iria ao quarto rapidamente, pegar uma coisa que havia esquecido.
Audret entrou no quarto e de dentro de um livro, tirou a carta do rei Anguish Gormond.
— Ai! Ai! Hoje melhorarei o meu círculo de amizades e com certeza, muitos aliados contra meu amado primo... — fala cinicamente, dobrando com cuidado a carta e colocando-a dentro da túnica de caça.
Os barões o aguardavam no pátio, já montados em seus corcéis e com os cães de caça a postos. Quando Audret descia as escadas, cruzou com Tristão que estava se dirigindo à esplanada, para conversar com Dinas. Ele, muito cinicamente, convidou-o para a caça, contudo, sabendo o grau da simpatia que os barões lhe devotavam, Tristão preferiu recusar.
— Que pena, meu primo! Sei o quanto gostas de caçar... Enfim, se não quer ir, deixemos para uma próxima vez.
— Sim. Uma próxima vez Audret — fala ele sorrindo e afastando-se.
“Perfeito!” — pensa Audret, dando um sorriso torto. — “Ele não desconfia de nada...”
Audret montou animado.
— Vamos meus caros! Está um excelente dia para caçar!
Eles saíram em direção à floresta, os cães latindo alvoroçados.
Tristão e Dinas viram eles se afastando do castelo.
— Bem, meu amigo, o que tens a falar comigo? — pergunta-lhe Tristão.
— Brangia contou-me que ambos estão se arriscando demais, se encontrando no quarto real todas as noites. Isso não é aconselhável...
— Sim. Isolda contou-me... Mas não se preocupe amigo, já não estamos nos encontrando nos aposentos reais e sim, na praia.
— Mesmo assim, ainda é um lugar de risco; de passagem... Eu ainda acho que ambos deveriam fugir, aproveitando que o rei não está no castelo.
— Eu gostaria, só que não consigo... Quando estou longe de Isolda, a lealdade por Marcos me oprime. Eu não consigo me ver fugindo e causando-lhe tamanha decepção.
— Hestas, o conselheiro real, já anda desconfiado... — comenta Dinas.
— Eu sei — suspira o cavaleiro da Cornualha.
— Tome cuidado Tristão. Explore a floresta de Morois, veja se há alguma gruta onde possam se encontrar de forma mais segura, se não conseguem evitar a paixão que os envenena — aconselhou-o seu amigo.
Tristão ficou pensativo. Nessa hora, apareceu Perynnis.
— Com licença, milordes, e perdoem-me a intromissão. A rainha deseja ver-vos — anuncia ele, fazendo uma reverência meio desajeitada.
Ambos se entreolharam. Entender que Isolda desejava ver Tristão era compreensível, agora, quanto a exigir a presença de Dinas também... Dinas ficou confuso.
— O que será? — pergunta ele a Tristão.
— Não sei, Dinas.
Eles obedeceram. Isolda queria conversar com eles a sós e para evitar a presença de Brangia, deu-lhe um calmante para que dormisse um pouco e quanto às donzelas de companhia, mandou-as brincar no jardim com Huddent.
Ela estava sentada na sala do trono e demonstrando uma certa impaciência.
“Espero ter tomado a decisão mais certa, e que Brangia não sinta raiva de mim...” — pensava preocupada e mordendo os lábios, quando os dois entraram, acompanhados de Perynnis.
— Aqui estamos, senhora — fala Dinas reverente.
— Perynnis, vá à cozinha para ajudar Hildithe e Basílica.
— Meu lugar preferido! He! He! He! — Perynnis nota a asneira que dissera.
Dinas olha para ele em tom reprovador, mas Tristão abafa uma risada, com a sinceridade do homem e a cara de Dinas.
— Perdão senhora, pela minha franqueza!
Isolda ri.
— Pode dizer a Hildithe para deixar que comas o que desejar na cozinha, caro Perynnis! Afinal, presta-me grandes favores, desde que cheguei ao castelo — fala ela bem-humorada.
— Obrigado, minha rainha!!!! Obrigado!
Ele sai correndo.
— Meu Deus! Nunca vi homem mais esfomeado! — reclama Dinas.
— Coitado Dinas! Deixe-o! — fala ela.

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