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Pelo mundo

domingo, 28 de junho de 2009

Tristão e Isolda-capítulo 17: Buscando Testemunhas-4ª parte


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Perynnis chega animado na cozinha.
— Hildithe! Comida! A rainha Isolda disse que como prestei tantos favores, que hoje eu poderia comer o que quisesse...
— Ora! Admiro-me a cada dia que convivo com Isolda! Ela é tão caridosa... — comenta Basílica.
— Sim, Isolda é muito caridosa, mas isso é verdade, Perynnis?! — pergunta a rechonchuda senhora Hildithe, incrédula.
— Claro que é! — fala ele ofendido.
— Acho melhor perguntar... — fala a cozinheira.
Basílica ofereceu-se para fazer isso.
— Acho melhor não ir lá agora, senhora Basílica. A rainha Isolda está em reunião especial com Sir Tristão e Sir Dinas de Lindan e pediu para não ser incomodada.
— Não diga?! — exclama Basílica, sentindo uma ponta de curiosidade.
— Para mim esse farsante está mentindo...
— Ora, dê a ele o que pede, Hildithe. E acaso ele estiver mentindo, eu mesma me encarregarei de aplicar-lhe umas boas chicotadas — ameaça Basílica.
Perynnis engole em seco. “Reunião com Tristão e Dinas?” — pensou Basílica. — “estranho...”.
Procurando afastar-se da cozinha e ouvir a conversa, Basílica sai discretamente.
— O que quereis do nós, rainha Isolda? — pergunta Dinas à Isolda.
— Não me chame de rainha, caro Dinas, quando estamos sós. Não precisa ter cerimônias comigo, pois vos considero um grande amigo.
Dinas sente-se meio encabulado. Tristão sorri para o amigo.
— Já nos ajudaste tanto... — lembrou ela.
— Mas enfim, Isolda, do que se trata? — indaga Dinas mais uma vez.
— É sobre Brangia, Dinas... estou preocupada com ela.
— Por Deus, o que tem ela? — preocupa-se Dinas aflito.
— Está sofrendo de uma moléstia terrível... sofre de amor não correspondido, acredito...
— Como? Quem ela ama? — a voz de Dinas saiu meio reprimida.
— A ti, bondoso amigo — fala ela.
Ele olha para Tristão atônito.
— É verdade Dinas — confirma Tristão.
Mas pela Virgem! Eu não sou indiferente aos sentimentos dela! Como ela pode dizer que sofre de amor não correspondido? Pelo contrário! Eu sempre me declaro, mas ela sempre se esquiva de mim! Isso, até hoje, ainda não compreendi!
— Ela tem seus motivos Dinas. Sente-se indigna de vosso amor.
— Eu não estou entendendo... Por quê?
— Ela teve que fazer algo horrível para salvar a minha vida e a vida de Tristão. Contudo, acredite querido Dinas, ela só o fez porque não havia outra alternativa.
— Ambos estão me confundindo... Por favor, esclareçam-me...
— Ela nos pediu para nunca contar-vos... — murmura Isolda.
— Mas agora eu quero saber! — insiste ele.
Tristão olha para Isolda em tom inquisidor.
— Tristão, conheces bem teu amigo Dinas?
— Certamente que sim.
— Achas que se ele soubesse, que uma dama que amasse, estivesse desonrada, ele iria desprezá-la.
— Bem, são o que todos os homens costumam fazer... É... Mas como Dinas é dono de um grande coração, talvez perdoasse... Bom, nós homens, de um modo geral, é... quando nos interessamos por alguma dama de boa estirpe, queremos ser sempre o primeiro que... ai, maldição! Tu sabes!
Isolda ri da tentativa, absurdamente tímida, de Tristão tentar justificar os homens.
Hein?! — exclama Dinas ainda confuso.
Basílica estava ouvindo tudo, palavra por palavra, sem se deixar perceber. Estava abrigada à sombra de uma grossa cortina, que separava a sala do trono dos outros ambientes.
— Poderia explicar melhor a ele, querido Tristão? — pede ela. — Sabe... não convém a mim falar sobre esses assuntos...
— Eu não sei, Isolda... Brangia pediu tanto para não contar-lhe... — comenta sem-graça.
— Sei que prometeste querido, mas não consigo ver minha amiga sofrendo...
Tristão hesitou.
— Por favor, Tristão, não se sinta retraído e ademais, com Brangia entendo-me depois.
— Muito bem... se é o que minha rainha deseja...
Tristão virou-se para o amigo, os olhos dele estavam curiosos e ao mesmo tempo, demonstrando um grande desespero. O que Tristão dissesse, talvez fosse o fim para ele e Brangia, ou não.
— Dinas, não é estranho a vós o que passei, por ver Isolda casar-se com meu tio, sabendo que ela estava desonrada...
Ele assentiu.
— Pois bem, querendo livrar-nos de uma possível condenação, Brangia dispôs-se a deitar-se com Marcos em lugar de Isolda.
Dinas ficou pálido.
— Eu não acredito... como isso foi possível? Tudo faz sentido agora... Como ambos tiveram a coragem de...
— Não, querido Dinas... Pensando em salvar a mim e Tristão, ela abriu mão de sua virtude, por vontade própria. Ninguém a obrigou a nada. Nem eu... pelo contrário... Eu fui a primeira a discordar. E Tristão, então, nem sabia o que estava acontecendo.
— Eu só soube, quando Isolda foi, na noite de núpcias, até o meu alojamento para abrigar-se. E pela manhã, vi Brangia chorando no jardim...
Basílica sentiu o ar faltar com essa nova descoberta. “Que ardil!!!!” — ria-se em silêncio. —“E meu primo acreditando, piamente, que quem se entregava a ele era a esposa... Ai! Que Audret volte logo desta maldita caçada, ele tem que saber disso...” — pensa eufórica com a nova descoberta.
— A felicidade de Brangia está em suas mãos, Dinas — encerra Isolda.
Ele estava completamente atordoado, não sabia o que pensar, nem o que falar. Em seu coração os sentimentos estavam mesclados. Uma hora, sentia ciúmes e repulsa; em outra, pena por Brangia.
— Tristão, leve Dinas até a cozinha e converse melhor com ele no caminho.
Ao perceber que a conversa terminara e que ambos vinham em sua direção, Basílica corre de volta à cozinha. Ela entra arfando e ainda não acreditando no que ouvira.
— O que foi, senhora? —assusta-se Hildithe. —Comportai-vos de modo estranho!
Nada! Imagina! É o calor, ufa! — ela abana-se. — Acho que preciso tomar um pouco de ar. Com licença...
Hildithe e Perynnis se entreolharam curiosos.
— Estranho, não? — comenta o pajem, mordiscando um pedaço de carne.
Hildithe deu de ombros.
— Deve ser da idade!
— Ou falta de homem... — ri Perynnis maliciosamente.
PERYNNIS!!! — repreende-lhe a cozinheira.

Um comentário:

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    Chama-se EU, E DAÍ?:
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    Estou publicando o livro HEIDI, que traduzi. O Blog é bem leve, femiinino, infantil. Vc vai gostar.
    Não é como os seus, mas a gente tenta, né...
    Beijos,
    Renata

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