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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Tristão e Isolda-Capítulo 18: Amores e Intrigas (1ª parte)

Oi, gente!!! Preciso avisá-los que esta parte de Tristão e Isolda que era "A volta surpresa do Rei Marcos" mudou para "amores e intrigas", porque até o Rei voltar, considerando que as viagens medievais duravam meses, o capítulo levaria umas dez partes até chegar ao seu fim. Assim sendo, observando a estrutura desta parte, vi intrigas e o começo de um romance, em paralelo aos dos nosso heróis, que cativará a todos, tenho certeza. Daí o motivo da mudança, embora o conto permaneça como era antes. Um abraço no coração de todos!!!!

Aos poucos estou retomando a história, embora não possa escrever com tanta frequência, mas tentarei dar o melhor de mim nesse romance que, até hoje, encanta gerações...


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Assim, Audret voltou da caçada muito satisfeito consigo e logo que chegou ao castelo foi falar com Basílica.

— Tudo está correndo maravilhosamente bem. Os barões conselheiros ficaram escandalizados com a carta.
— Não me diga?! Pois meu dia foi bem proveitoso também, caro primo! — comenta ela triunfante.
— Devagar... não me diga que descobriu algo importante enquanto estive ausente?
— Descobri um grande segredo... um segredo que poderá comprometer, não apenas Tristão, mas todos por quem nutres verdadeira antipatia...
Audret ri satisfeito por mais essa novidade.
— Como?! Conte-me...
— Para quê a pressa?! — desdenha ela.
— Ora, faça-me um favor! Deixai de meneios e conte-me logo o que descobriste!
— Mais devagar, meu querido! Tudo tem um preço...
— Que conversa é essa? — espanta-se Audret. — Ora, mulher tola! Não tenho tempo a perder contigo... — diz-lhe rispidamente. — fala logo!
— Não. Ainda estou muito magoada convosco pelo que fizeste-me pela manhã e pela forma grosseira como vem me tratando, durante todo esse tempo! E também estou farta de ser a sombra da irlandesa!
— Por isso?! Ora, minha querida, tudo o que fiz foi por precaução! Tu não vens te comportando devidamente; queres que tudo aconteça de forma rápida e nesse caso, não podemos nos precipitar...
— Justo... por isso também não quero me precipitar para revelar o que sei, sem antes conseguir algumas garantias.
— Onde queres chegar? — Audret pergunta friamente.
— Quero que você faça algumas coisas para mim. Primeiro: case-se comigo o mais rápido possível. Segundo: Cubra-me de ouro, jóias e vestidos coloridos e alegres, pois cansei de ser viúva e preto não combina comigo. E Terceiro: — ela faz uma pausa e ri maliciosamente... — quero que Tristão seja meu por uma noite...
O sangue de Audret ferveu.
O quê?! Ora, sua rameira! Tipo á toa!!! Eu vou... — Audret ameaçou bater-lhe, mas ela encarou-o de forma corajosa.
Vai me bater outra vez, como fez outro dia?! Pois faça! Faça e jamais saberás o que sei e nosso acordo termina aqui e não contes comigo para mais nada!!!
Audret baixou a mão, porém não perdeu sua pose debochada.
Ráh! Não me faça rir... acha que Tristão irá se prestar a este papel?! Ele a despreza, como jamais desprezou mulher alguma! Ele vai preferir mil vezes deitar-se com o diabo do que convosco, sua tola apaixonada!
— Por isso mesmo que preciso de uma ajudazinha...
Dê-se ao respeito! Tenha um pouco de amor próprio!
Amor próprio?! E nós mulheres temos direito a termos amor próprio? Vocês homens, com seu machismo disfarçado de honra, são os primeiros a nos sufocarem! Vocês não nos deixam ter nossa vontade própria! Nos obrigam a casar com qualquer homem, por meros interesses vossos, e se dizemos que amamos alguém, somos vistas como as grandes pecadoras da civilização, piores até do que Eva!!!! Pensa que é fácil para nós? Eu sou um bom exemplo da ditadura que vocês nos impõem; eu nunca fui feliz no casamento arranjado para mim. Meu marido era um homem que preferia outros homens em sua cama; só se deitava comigo quando cobravam um herdeiro, porque fora isso, nem me procurava!
Ora, poupe-me de detalhes! Sua vida amorosa não me interessa!
— É o que todos vocês dizem... isso nunca interessa a vocês e jamais interessará! Não passamos de sombras! Ainda bem que não dei filhos aquele homem desprezível, ele morreu antes disso! Eu cuidei dele... e farei o mesmo com você, pois a mim nada me custa! — revelou ela, com os olhos vibrantes de triunfo.
— Eu entendi bem? Está me ameaçando, Basílica?!
— Entenda como quiser, Audret querido! Mas isso não vem ao caso, agora! Eu nunca me apaixonei por alguém antes, a não ser por Tristão, e quero ser feliz pelo menos por uma miserável noite!
Audret não mais argumentou com aquela mulher tão alucinada e louca.
Ela é perigosa... — pensa Audret desconfiado. — não posso confiar nela tanto quanto pensei... mas se ela pensa que darei essa alegria que ela tanto espera...ah, sua mulher traiçoeira...eu sim acabarei com você antes...”
— E então... fazemos o acordo?
— Espero que o segredo valha mesmo a pena... — fala ele entredentes.
Basílica sorri satisfeita. Havia conseguido uma vitória contra Audret. Pelo menos por enquanto...

Enfim, os barões não conseguiram engolir aquela história de traição e indignados, mandaram que Audret escrevesse ao rei para que se apressasse em sua volta, pois sem ele para colocar ordem, nada estava correndo a contento e, embora não falassem claramente, insinuaram um possível caso entre Tristão e a rainha. O que fez Marcos sentir-se confuso.
Ora, francamente! O que estes insanos estão dizendo aqui? — comentava com Uriens.
— O que foi, amigo?
— Nada, Uriens — desconversou o rei da Cornualha. — Problemas comuns a todos os reinos, creio...
— Parece muito perturbado para simples problemas de Cortes, Rei Marcos — fala Morgana ressabiada.
— Línguas venenosas, Lady Morgana! Línguas venenosas! Só espero que eles possam provar isso, senão, não respondo por mim! Hão de pagar caro por tamanha infâmia!
Uriens e Morgana não compreenderam.
— Bom, por um lado, creio já estar na hora de voltar mesmo. Já me demorei em demasia por aqui. Devo partir logo...
— Mas espere até amanhã. Se saíres agora, a noite irá surpreendê-lo... — sugeriu Uriens.
— Sim, claro! Sem dúvida! À noite, nunca é seguro viajar... bem, se me derem licença, desejo deitar-me mais cedo hoje. Estou com um pouco de dor-de-cabeça...

Marcos despediu-se dos anfitriões e recolheu-se. Ele não estava com sono, apenas mentira para conseguir um pretexto para sair e pensar no que lera, e a frase que mais o perturbara na carta, foi a que insinuara que Tristão se preocupava mais em cuidar e satisfazer a rainha, do que zelar pelo castelo e que ele, sim, deveria voltar e zelar mais pela esposa, em vez de terceiros, que se mostravam tão íntimos.

"Ainda não acredito nisso, meus barões em nada mudaram em relação a Tristão. Primeiro espalharam que meu sobrinho curou-se da ferida de Morholt, por que tinha parte com o diabo e agora, isso..." — pensa o tio negando-se a acreditar — Eles já estão indo longe demais...Tristão jamais faria isso... Ele sempre foi um cavaleiro fiel e dedicado... isto só pode ser uma grande calúnia e vou desvendá-la, assim que voltar..."


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