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Pelo mundo

terça-feira, 23 de março de 2010

Tristão e Isolda-Capítulo 19: O regresso de Marcos (1ª parte)



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Marcos decidira voltar à Cornualha, o mais rápido possível, as linhas comprometedoras daquela carta o perturbaram em demasia.

Enquanto o rei Marcos empenhava-se na viagem de volta, Isolda reparou que seu mal-estar piorava a cada dia; sentia-se nauseada e poucas coisas conseguia comer. O que parecia uma simples indisposição por jejuns forçados, tomou ares mais sérios. Reunida com as moças, bordando o enxoval de Brangia, que finalmente aceitara o pedido de Dinas, Isolda parava várias vezes.

Tristão, que há muito não ia até Lioness, pediu que Dinas cuidasse de Isolda durante sua rápida ida até suas terras para ver como estavam todas as coisas. Prometera não demorar, pois a obrigação de cuidar da rainha era dele, ficaria apenas um dia, no máximo dois, e logo tornaria à Cornualha.

Lioness ficava distante da Cornualha há uns 15 dias de viagem e Tristão Já havia partido há um mês e pelos cálculos de Isolda, se tudo corresse bem na viagem, daqui há poucos dias ele chegaria.

— Senhora, sente-se mal outra vez? Tenho reparado que continuas sem alimentar-se... — diz-lhe Brangia preocupada.

— Eu tento, mas não estou conseguindo, deve ser saudade... — brinca ela.

— Não brinque , senhora! Isso é sério! O que sentes afinal?

Isolda acabara de acordar e arrumava-se para o desjejum.

— Acho que o tempero anda muito forte ultimamente. Será que Hildithe está usando ervas novas? Eu sinto um enjôo...

— Enjôos?! Isolda, já procuraste conversar com uma mulher mais experiente do que nós, como Hildithe?

— Eu penso que não seja nada de mais. Uma indisposição passageira.

— Passageira?! Há dias vens assim! Isso não é normal...

Isolda sente-se gelar, estaria gravemente enferma?

— E se fosse pelo tempero como tu dizes, por que os outros comem e nada sentem? — insiste a aia. — Na minha opinião, a senhora deveria...

— Brangia, já atrasaste alguma vez?

— Como assim?! — gagueja a criada.

— Tu sabes do que estou falando!

— Senhora, isso é pergunta que se faça?!

— Apenas me responda.

— Não.

— Eu estou.

A aia deixa-se cair sobre a cama. Agora, ela também sentira fraqueza nas pernas.

— Ai, não Isolda! Não diga isso!

— Está explicado então...

Para bom entendedor, meia-palavra é o que basta. Brangia ficou pálida...

— Isolda, como vai explicar isso ao rei, estando o mesmo de viagem?

— Eu não sei.

— Tens certeza disto?

— Não tenho nenhuma dúvida.

— Meu Deus! Vais contar a Tristão quando ele voltar?

— Não sei, nem estava imaginando que poderia ser isso!

— Ainda bem que ele viajou, melhor assim! Dá tempo de tirar isso antes que seja tarde...

— O quê?! Chamai de “isso”, o filho de Tristão que posso estar esperando?

— Isolda, tu não estás pensando em...

— É meu filho, não posso matá-lo.

— Ah, ótimo! Afirmas que não podes fazê-lo, mas quando o rei descobrir, não sei se ele será tão piedoso! Não poderás esconder dele por muito tempo!

Isolda mordera os lábios e instintivamente, levou às mãos ao ventre. Querendo ou não admitir, Brangia estava com a razão.

— Eu não terei esse sangue frio! Não posso, Brangia!

Isolda começou a chorar. Não sabia o que fazer diante deste novo fato.

— Se não tem coragem de fazê-lo, então, não deve omitir esse fato do pai.

— E-Eu não sei! Acho que a nova irá causar-lhe um grande desgosto! — gagueja Isolda confusa. — O nosso amor já causa tamanha dor nele, imagine ele sabendo disso?

— Mas se não pensas em tirar, na minha opinião, Tristão tem o direito de saber e ambos procurarem o melhor meio para solucionar isso.

— Ainda não! Eu não me sinto preparada para contar-lhe... Eu... Oh, Brangia, estou muito confusa! Preciso pensar...


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quarta-feira, 10 de março de 2010

Tristão e Isolda-Capítulo 18: Amores e Intrigas (5ª parte)




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Brangia chegou à praia e lá estava Isolda com as meninas de sua companhia, acompanhadas de Basílica, que evitava entrar na água para não estragar seu vestido novo. A rainha estava sentada na areia; o olhar perdido no horizonte. O cãozinho cavava impaciente, com as patas peludas e rechonchudas, a areia branca e brilhante. O focinho, vez ou outra, entrava e saía do buraco, farejando Deus sabe o quê. As meninas estavam a brincar à margem e fugiam risonhas, quando a água fria e espumante, quebrava logo abaixo de seus pés. Brangia tirou os sapatos e correu para perto de Isolda.

— Brangia, querida! Estava tão distraída que nem a vi chegar!

Brangia não cabia em si de felicidade.

— O que foi? — pergunta a rainha. — Estás muito feliz hoje, como há muito não a via!

— Dá pra perceber é?

— Mas claro!

— Ai, minha senhora... nem sei o que pensar, nem o que dizer...

— Conte-me! Quero compartilhar desta tua felicidade!

— Dinas me perdoou pelo que fiz... estou tão aliviada!

— Dinas é um bom homem; possuidor de um imenso coração! Sempre soube deste o princípio que ele entenderia —comenta a rainha, afagando as cabeça de Huddent, que continuava entretido em sua arte.

— Ele me pediu em casamento...

— Jura?!! E o que disseste?

— Nada. Não consegui dizer nada.

— Ah, Brangia... que maldade!

— Ele me pegou de surpresa... mas não sei se devo aceitar...

— Ora! — riu-se Isolda. — Faça-me um favor, Brangia! Tu o amas, bem sei! Por que a dúvida?

— Não sei... medo? Sensatez? Somos de classes tão diferentes. Eu sou uma mera criada e ele, um homem de berço e nobre...

— Amiga, pára de tolices! Antes de tudo sois uma mulher e com direito de amar e ser amada. Não deves jamais temer ou duvidar... tu mereces ser feliz, Brangia. És preciosa demais, para todos nós que te amamos.

— Senhora... — Brangia chora emocionada.

— Aceite logo o pedido de Dinas e assim que o rei Marcos voltar, case-se! É certo que ambos se amam...

— Isolda... obrigada por tudo. Por tudo que vós e Tristão fizeram por mim...

Isolda sorri e a abraça, mas ficando em seguida, meio amuada. Brangia preocupa-se.

— Que foi?

— Nada. Por um momento, pensar que Marcos pode estar voltando a qualquer momento, apreendeu-me o espírito.

— Por causa de Tristão, não é? Ambos não poderem mais se ver com tanta facilidade...

— Sim. Complicará um pouco as coisas. Estava tão em paz e Tristão também...

— Bem... um dia ele teria que voltar mesmo... — fala Brangia em tom conformado.

Isolda sorriu. Um sorriso meio torto e ao mesmo tempo cansado, quando percebeu que estava tarde.

NOSSA! Já tudo isso?! Precisamos voltar ao castelo. Basílica! Chame as donzelas! Precisamos ir!

Basílica chamou uma por uma e, cercadas de lamúrias e reclamações das donzelas, Isolda e ela regressaram ao castelo.

— Voltaremos amanhã se quiserem e o tempo ajudar — promete a rainha.

Mesmo?! Viva! — disseram todas.



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