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domingo, 17 de outubro de 2010

Tristão e Isolda-Capítulo 20: Acerto de Contas - (4ª parte)


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Marcos estremece. O rei abandonou o acesso de fúria e lembrou-se do mal-estar causado na Corte, quando ele mesmo propôs que Tristão sucedesse-o no trono. Lembrou-se de muitos barões que se pronunciaram contra. Poderiam, de fato, estarem armando para que ele se indispusesse com Tristão? Mas a carta comprometedora de Anguish da Irlanda existia, e as testemunhas também, para provar aquele suposto romance. Marcos não sabia o que fazer...

— Pois bem, meu tio. Fiz minha defesa e compete a vós julgar-me. Se achais que tenho alguma razão, perdoe-me pelo meu mau passo no passado; agora, se acreditas que sou culpado, mesmo sabendo o quanto de fidelidade vos devotei todos estes anos de minha vida, mate-me e devolva a paz ao vosso coração.

— Não vou matá-lo, não agora, preciso pensar e julgar da melhor forma possível. Mas, infelizmente, vou precisar fazer algo convosco até segunda ordem.

Marcos não conseguiu mais manter aquela raiva. Vendo o amado sobrinho ali, oferecendo-lhe a vida dele pela sua paz de espírito, acabou comovendo-o.

— Eu convoquei o Conselho, mas vou adiar porque estou ainda muito confuso e abalado e não quero tomar nenhuma decisão precipitada. Há ainda muitas coisas a serem esclarecidas. Mas alguma decisão deverá ser tomada, pois os barões exigem que eu a faça e tome uma atitude. Por hora, para protegê-lo, aconselho-o a afastar-se do castelo, para que não dê razões às más línguas, pelo menos até essa poeira baixar.

— Quer que eu vá embora?! — assusta-se Tristão.

Tristão empalidecera. Ser exilado logo agora no pé em que estava a relação dele e Isolda? Com uma criança por vir?

— Não querias ir até Lioness, antes que eu partisse com Uriens? Pois bem, estou concedendo-lhe o que me pediste.

Isso era tudo o que Tristão menos queria. Deixar Isolda, exatamente na hora em que ela mais precisava dele.

— Por favor, meu senhor, eu regressei de lá há pouco tempo, não me afastais da vossa companhia agora que voltastes. Acredite, não há necessidade...

— É uma ordem Tristão. Faço isso para o teu próprio bem... — encerra o rei firmemente. — Partas logo que o dia amanhecer, vos darei proventos para a viagem e só tornes à Cornualha, quando receber minha ordem. Ou preferes que eu o mantenha cativo, até o julgamento?! Só Deus sabe qual será a tua sorte, uma vez que mesmo dissestes que possuis inimigos declarados no castelo...

Marcos saiu da sala e Tristão ficou a sós com suas terríveis aflições. Suas pernas tremiam e não queriam obedecer-lhe. Ele ofegava e suava, era um milagre ele ainda estar vivo.

Viu-se num torvelinho de emoções. Ele vira seu tio esquecer sua realeza e chorar pela primeira vez e isso, o impressionou. Percebeu , também, o quanto era amado por ele, de uma forma que não merecia, porque ainda que os inimigos tenham destilado tamanho veneno, o tio continuava empenhado em protegê-lo.

Com isso, Tristão também chorou. Chorou pela sua situação como amante enfeitiçado e o quanto era difícil afastar-se de Isolda. Chorou pela vinda da inesperada criança, que Isolda carregava no ventre. “O que será de nós?” Foi a única pergunta que veio-lhe à mente.

— Oh, Deus dos Céus Eternos! Por que tive que beber aquele maldito filtro?



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