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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Tristão e Isolda-Capítulo 19: O regresso de Marcos (4ª parte)


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Isolda não conseguia pensar em nada melhor, do que usar de sortilégios para fazê-lo arder em desejo e tomá-la nos braços sem reparar a mudança em seu corpo, e o mais rápido possível, colocar Tristão ciente do que se passava com ela.

Só que Brangia antecipou-se. Muito preocupada com a sorte de sua senhora, tomou a liberdade de revelar tudo a Tristão, antes que fosse tarde demais.

— O que está me dizendo, Brangia? — desespera-se o cavaleiro. — Isolda, grávida?! Isso não podia ter acontecido!

— Mas aconteceu, Tristão. E agora, vocês dois precisam tomar providências, antes que seja tarde.

Perynnis chegava nesse momento, com um recado do rei. Marcos reclamava a presença de Tristão na sala de armas. Tristão não pôde evitar pensar o pior: “ele descobriu tudo”, mas obedeceu corajosamente. Fosse o que fosse, ele teria que enfrentar, por ele e por Isolda. Sem perda de tempo, dirigiu-se à presença do tio. Antes de abrir a porta e entrar, suspirou e suplicou em seu íntimo que não fosse nada grave.

— Meu senhor. Aqui estou como me ordenaste... — disse-lhe um pouco apreensivo.

O rei estava sentado à cabeceira da mesa larga, onde homens de sua família, anteriormente, reuniam-se para combinar estratégias militares. Um arsenal de armas poderosas pendiam e reluziam na parede de trás; eram lanças, escudos, alabardas e espadas; se Marcos descobrira sobre ele e Isolda, matá-lo seria a coisa mais fácil a ser feita, bastava apenas tomar de alguma daquelas armas e golpeá-lo sem piedade, pois ele, Tristão, não ofereceria a menor resistência, entregaria sua vida de bom grado.

Só que para alívio de Tristão, o rei não estava com uma cara severa, mas apenas, um semblante de indagações e preocupações. Marcos se levantou e dirigiu-se a ele cordialmente.

— Ah, sim. Preciso fazer-vos algumas perguntas e peço-vos, meu sobrinho, que sejas sincero comigo. O que foi? Pareces perturbado?

Era inevitável. Desde que soube da possível gravidez de Isolda, por Brangia, Tristão não conseguia manter-se calmo; ambos foram longe demais e Marcos reparou que ele estava estranho.

— Impressão vossa, meu rei. Não tenho nada...

— Pois a mim, parece-me que não demonstras muita satisfação com minha volta.

— O quê?! Por Deus, senhor, como podes dizer isso? — assusta-se ele.

— Não sei, meu sobrinho... Porém, há muito venho reparando que você parece estar se afastando de mim. O sentimento não é mais como antes... nem de tio me chamas mais...

— C-como assim? — gagueja assustado.

— Como se não me considerasse mais como tio. Sinto-o cada vez mais fechado em si mesmo, como se estivesse dentro de um casulo.

A verdade era que desde as bodas, era impossível a Tristão não sentir ciúme daquele homem, que agora era dono de sua amada. Não conseguia mais vê-lo como um parente estimado e sim um rival. Isso, involuntariamente, causou certa distância entre eles. Tristão não conseguia mais enxergá-lo como seu tio e Marcos chamou-lhe à atenção, para algo que nem mesmo ele havia reparado. E era verdade; já não mais o chamava de tio.

Audret viu os dois conversando e sorrateiramente, escondeu-se para ouvir-lhes. O veneno que havia contaminado o coração do rei, mediante a carta que ele mesmo escrevera, já começava a fazer o efeito esperado.

Tristão desconversou, pois aquela conversa só acabaria comprometendo-o ainda mais.

— O senhor me disse, que queria fazer-me perguntas, pois bem, meu “tio” — disfarça ele, soletrando a palavra de forma quase engasgada. — prometo que se puder responder-vos, serei sincero.

— Será uma conversa um tanto constrangedora, meu caro filho, mas preciso que me respondas de fato com sinceridade, para que devolvas a paz novamente ao meu coração. Sabe o quanto o admiro e estimo, não?

— Sim, eu sei — falou ele constrangido.

Marcos fez uma curta pausa e continuou.

— Perguntei a minha esposa e ela recusou-se a responder de forma clara, porém, confio em ti e em tua fidelidade incontestável. Tristão, tu bem sabes que o tenho como um filho muito estimado...

— Eu sei, meu senhor...

— Enquanto estava em casa de Uriens, para minha infelicidade, recebi uma carta muito comprometedora me informando que você e Isolda estavam muito íntimos.

— Eu não compreendo... apenas fiz o que vós mesmo me ordenastes: cuidar da rainha. Agora, se exagerei nos cuidados... não o fiz por mal.

— Tu me asseguras que tudo não passou de cuidado apenas extremo?

— Sim senhor.

— Muito bem, meu sobrinho, podeis ir agora.

Audret escondeu-se até Tristão sair de vista.

— Vou ao quarto pegar a carta do rei da Irlanda, pois chegou a hora de mostrá-la, porque com certeza, Marcos irá chamar-me.


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