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Isolda sentiu-se magoar com as palavras dele. Tristão falava do filho, como se fosse um pesado fardo e não pôde evitar que lágrimas sentidas, escorressem por seu rosto.
— É seu filho, Tristão... Eu sinto muito... mas é seu filho...
Ele percebera-lhe as lágrimas e sentiu-se pior do que antes por magoá-la.
— Eu sei, Isolda.
Tristão segurou o delicado rosto entrre suas mãos trêmulas, beijou-lhe a face e tentou desculpar-se.
— Ele veio em má-hora, mas é meu filho e tenho obrigação de zelar por ele. Precisamos pensar em algo rápido.
— Marcos voltou, então, deitando-me com ele, Marcos pensará que o filho é dele...
Tristão explodiu.
— Mais mentiras?! Estou farto disso!!!
— Não tem outro meio! — retruca ela.
— Não posso mais sustentar isso! Não quero desonrar-me ainda mais e macular a memória de meu pai! Ou contamos a verdade para Marcos, ou vamos para Lioness na calada desta noite!
O temor de ver Tristão arrepender-se e acusá-la o resto da vida de objeto de sua desonra, fez com que ela recusasse.
— Tristão, estás fora de si, não consegues organizar os pensamentos claramente. Como disseste; amais vosso tio e estás dividido. Uma decisão precipitada, poderá fazê-lo arrepender-se amargamente.
— Eu não compreendo? Não queres vir comigo?!
— É o que eu mais quero, meu amor. Mas não assim.
Tristão ficou ainda mais confuso, quando foi interrompido por Dinas e Perynnis, que o chamavam aflito.
— Estão me chamando. Preciso sair daqui. Isolda, esta nossa conversa não encerra aqui. Pense sobre a minha proposta e ainda hoje, me dê uma resposta por Brangia ou Dinas.
Ele saiu do quarto e foi até os que o chamavam.
— Graças a Deus, homem! Onde estavas? — exclama Dinas.
— Acho que já sabes.
— Tristão, o rei está de volta, onde estás com a cabeça? — critica-lhe o amigo. — Olha; as notícias que trago não são boas. Especula-se de que o rei decidiu reunir o Conselho da Corte, mas antes, quer vê-lo de novo.
Tristão ficou pálido. Reunião extraordinária do Conselho, não era coisa boa.
Dinas levou-o a um canto para falar-lhe.
— Tristão, Audret tem provas do teu relacionamento com Isolda.
— O quê?!!!
— Aconselho-o a contar a verdade ao rei, embora omitindo alguns fatos.
— Eu não posso fazer isso! Além de comprometer-me, também comprometerei Isolda!
— Nas atuais circunstâncias, é melhor não negar, pois será pior — aconselhou-o o amigo.
— Oh, Céus! Que Deus tenha piedade de minha alma! — fala o cavaleiro.
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